Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Lágrimas contidas

Atualizado

Li a notícia e algumas lágrimas me escorreram incontidas dos olhos. Fiquei bom tempo tamborilando os dedos sobre um jornal, vontade de sair correndo…

O que me fez estremecer foi a história de um homem, argentino, 58 anos. Entendi o cidadão, compreendi-o de alma… Do que se trata? Da morte de um homem infeliz, arrasado, sem razão para continuar a viver. Foi o que pensei dele.

Resumo da história. Em janeiro deste ano, um jogador de futebol argentino, de 28 anos, Emiliano Sala, acabara de assinar contrato com o Cardiff City, do País de Gales, Reino Unido. Sala estava num pequeno avião indo de Gales a Londres quando o avião caiu no mar. Comoção no mundo do futebol, abalo irreparável no coração de Horácio Sala, pai do jogador morto.

Esse pai não aceitou a morte do filho, desde então andava sem as asas de vida, não lhe viam mais brilho nos olhos, nos lábios, no andar, no ser… Na sexta-feira, três meses da morte do filho, o coração de Horário parou. Um infarto fatal. Pelas trombetas do Juízo Final, ninguém me vai tirar da cabeça que esse pai não morreu senão de tristeza e saudades do filho. Por nada vou aceitar outra explicação. Conheço incontáveis histórias desse tipo. A tristeza aguda mata sim, o não ver sentido na vida, mata. Um coração compungido de pai pode levá-lo ao fim, não há mais sentido na vida, era assim que vivia Horácio… Que dor desse pai.

Lendo a história do filho morto no acidente de avião e do pai morto de tristeza, fico a pensar sobre nós, os humanos do cotidiano. Mais das vezes, estamos sentados sobre o pote da felicidade, mas rangendo dentes por algo vago ou sem valor. Quando, todavia, nos cai sobre o coração a dor do irreparável ou a grave ameaça de perda do que de fato nos pesa na vida, acordamos. Costuma ser tarde.  Os nossos melhores bens precisam ser reconhecidos e celebrados hoje. Precisamos de consciência para as bênçãos da gratidão. Costumam morrer de amor os que viveram o amor…

Tristeza e saudade destroem a saúde humana, costumam ser venenos mortais. A dor física é suportável, a do coração raramente o é… Horácio, abraça o teu filho aí no céu!

NÓS

Pesquisas de Harvard, EUA. Quando uma pessoa está diante de uma cirurgia séria ou de moléstia grave e alguém faz um alerta sobre possíveis consequências negativas do tratamento ou da cirurgia, costuma haver grande número de problemas na saúde da pessoa. O medo a faz mais frágil. Quando ela desconhece o que lhe pode acontecer, tudo sai melhor. A cabeça humana é tudo…

FALTA DIZER

Todas as riquezas humanas, financeiras, de saúde ou felicidade nascem na cabeça das pessoas. Eros, o deus do amor e da vida, e Tanatos, o demônio da destruição e morte, vivem dentro de nós. Quem preponderar na luta entre ambos vai reger a vida da pessoa. Mas quem dá poder a um ou a outro é a pessoa, sua cabeça. Logo… Cuide-se.

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