Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Muito difícil

Atualizado

Peguei na metade uma entrevista de um diretor de RH de uma empresa paulistana ao pessoal da Record/TV. Mas o que peguei valeu pela entrevista toda. Num dado momento, o cidadão do RH disse que – “Uma palavra positiva ao colega desanimado pode curá-lo”. O que ele disse fez-me lembrar do que já disse por muitas vezes em palestras que fiz dentro de empresas.

E o que disse é que é muito difícil encontrarmos colegas positivos ao nosso redor. Dou como exemplo um colega frustrado que decidiu ir “lá dentro” dizer uns desaforos ao gerente que o magoou, ainda que merecidamente. O que mais ouvimos quando tomamos essa decisão de ir “lá dentro” dizer uns desaforos ao gerente é – “Tens razão, esse cara é um chato mesmo, é um besta que pensa que é alguma coisa…”. E o sujeito que já estava furioso fica mais furioso ainda, foi incentivado por colegas…

Minutos depois, o impetuoso volta com o rabo no meio das pernas, perdeu tempo, não disse o que pretendia ou disse e foi suspenso ou demitido. E aí, e os colegas “incentivadores” o que vão dizer?

Vou repetir uma verdade: ninguém tem três amigos, três, não mais. Ninguém tem. E não vale citar pai e mãe, já irmãos podes pôr na lista, se for o caso… Mas não é fácil…

No ambiente de trabalho temos colegas, raríssimos amigos. Até pode ser que haja um caso, mas será um caso de exceção. O melhor a fazer é ter para com todos cordialidade e para com ninguém especial intimidade. Mas essa postura não nos impede de sermos positivos, otimistas, dar a quem precisa uma palavra de ânimo, palavra que pode mudar a vida da pessoa hoje encrencada, nunca vamos saber. O positivo nunca prejudica, mas o silêncio pode até levar alguém a um extremo perigoso…

Elogiar faz bem, chefes deviam elogiar mais, colegas deviam elogiar; claro, diante de uma verdade, afinal, não penso que alguém seja tão ingênuo para não reconhecer um “fake” elogio. Elogio faz bem, eleva o ânimo, produz motivação e faz parte do PIB da felicidade. Mas só os justos e felizes elogiam… Falando nisso, lembras do último elogio que recebeste? Aposto que não…

PERIGO

Como jornalista e psicólogo fico com um olho no padre e outro na missa… É preocupante o suicídio e a depressão entre os jovens. Em alta. Algo está muito errado nas vidas em família, nas educações e nos valores de hoje… Esses extremos de condutas e reações dos jovens não vêm de graça, vêm de infelicidades muito silenciosas. Tudo está muito superficial, material e sem rumos. E por paradoxal que pareça, os jovens não gostam disso. Olho vivo, papais.

FALTA DIZER

Ela devia ter ido procurar outra empresa… Uma jovem tinha um bom trabalho, mas namorou um cara, noivou e, porque ia casar, pediu demissão. Burra. Meses depois, o casamento foi a pique, um drama. E aí ela voltou à empresa onde trabalhara para pedir uma chance. Não devia ter sacrificado o trabalho por um calça-frouxa. Vale para todas.

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