Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Não é para você

Atualizado

É isso mesmo, tudo o que vou dizer daqui em diante não é para você, você não precisa. Mas, se você persistir, por curiosidade, não perderá tempo, afinal, você bem que pode ter filhos pequenos, sobrinhos, netos, amiguinhos, enfim…

Começo a conversa lembrando que “não há ideias inatas, o que está no intelecto passou antes pelos sentidos”. Então, não existe essa de “meu filho é inteligente”, gratuitamente. Ou o filho, ele ou ela, tem o que dizer porque impressionou os sentidos com leituras e experiências sensórias de todo tipo ou nada feito. Não será mais que uma pedra…

Nada está na memória, no intelecto, sem que tenha antes passado pelos sentidos, certo? Vale dizer, o que você está fazendo agora lhe passa pelos sentidos, os estímulos da leitura. Quem lê sabe, quem lê jornal sabe mais. Boa, não é? Esse é o assunto.

Escolas em São Paulo adotaram a leitura de jornal como um grande passo para um aprendizado mais fácil e prazeroso. Tudo começou quando algumas escolas passaram a assinar um jornal chamado Joca. O jornal traz conteúdos do cotidiano da sociedade numa linguagem fácil e agradável. A meninada tem se atirado sobre o jornal, leem com prazer e… Melhoraram suas performances em sala de aula. Novidade? Nenhuma. Os pais têm que dizer isso aos filhos, eles que querem tanto se destacar nas multidões dos pátios escolares. Não é com mochilas caras que se vão destacar, é com cabeça rica de conteúdos, com leitura de jornal todos os dias. Que pena que os paspalhos não saibam disso ou, sabendo, não deem bola.

As notícias do Joca são vinculadas aos fatos do dia a dia, vinculação que se confunde com os livros didáticos adotados pelas escolas. Um terremoto o resultado. Jovenzinhos de pouca idade dizendo que melhoraram a leitura e os conhecimentos, tudo em razão do Joca na mão…

Já contei aqui que o maior jornal do mundo, o The New York Times, lembra em suas páginas que quem o lê se torna mais competitivo no trabalho e mais encantador na hora do jantar. Alguém contesta?

Cumprimentos a você que está cruzando os olhos por estas linhas, você não está só, mas está cada vez mais só… As multidões néscias estão agora, com certeza, olhando para o celular…

SITES

Sites de jornalismo deviam ser mais sérios, respeitosos com os leitores. Veja esta manchete de um deles: – “Filho de (nome da abobada) faz 18 anos com carro de 200 mil”. E eu com isso? E quantos livros o machinho já leu? Isso também seria interessante sabermos. Depois os caras se queixam de falta de credibilidade. Será que não havia notícia mais interessante para destacar?

FALTA DIZER

– Ah, Prates, estás falando mal dos teus “colegas” dos sites de jornalismo? Colegas? Aliás, dia destes, comentei aqui sobre outra manchete: – “Fulana de Tal (uma famosa) passa mal depois de vacina”. Fui direto ler. A tal famosa ficou deprimida, chateada com a vacina dada… no cachorrinho dela, o cãozinho passara mal. Pode uma enganação dessas? Safados.

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