Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

O pecado maior

Atualizado

Relendo trechos de Jorge Luís Borges, o notável escritor/poeta argentino, tremi. De uma feita, ele fez uma frase que já foi repetida por incontáveis pessoas ao longo da história humana, uma frase cáustica e tardia…

Borges disse que – “No passado cometi o maior pecado que um homem pode cometer: não fui feliz”. Pecado comuníssimo. Até chego a dizer que o pecado do ser humano, antes do fantasioso pecado original, é o pecado de “esquecer” de ser feliz, nosso pecado maior na vida. Quantas e quantas vezes a felicidade passou por nós piscando o olho na calçada da vida e estávamos olhando para o outro lado? Essa nossa obnubilação mental diante da felicidade é o remate da nossa estupidez.

Já disse que o que nos impede de sermos felizes, ou um pouco mais felizes, é que sempre estamos a colocar a felicidade no lá e no então, isto é, em outro lugar e em outro momento. Nunca no aqui e agora. Não raro, estamos sentados sobre o pote da felicidade, mas suspirando por saber onde ela está, e ela está aos nossos pés.

Já cansei de dizer em minhas palestras, sempre que falo de felicidade, que a lista do que nos pode ou nos deve fazer felizes é pequena, mas imensamente significativa. Essa lista não vai além de: nossa saúde, nossa família, nossa liberdade, nosso trabalho, nossos amigos e… Paremos por aqui, tudo o mais é complementar. E só nos damos conta disso quando perdemos alguma coisa dessa lista.

Você sabe qual o automóvel mais importante da nossa vida? O primeiro que compramos. Esse produziu emoções, os demais já eram cópias das emoções originais. Felicidade foi o primeiro carro quem trouxe…

E olhe, leitora, não vamos longe, conheço alguns casos de pessoas que se separaram do primeiro marido ou da primeira mulher e rangeram dentes mais tarde… Foram precipitados, viram defeitos que não eram tão defeitos assim, isso e mais aquilo… E agora é tarde. A tal história do – eu era feliz e não sabia. E também vamos combinar, se avaliarmos nossa felicidade pela falsa felicidade alheia, pela felicidade das redes sociais, bah, aí o tiro é mais que no pé, é na inteligência…

Tristeza passar pela vida e não ser feliz, afinal, felicidade é um decreto pessoal e que ninguém pode pôr o bico…

100%

Talvez o errado seja eu, mas… Acabei de ler uma entrevista de uma (tida por) alta executiva. A mulher contava que – “Quando estou trabalhando dedico-me 100% ao que faço, porém quando estou com minha família estou 100% com eles, sem pensar em mais nada”. Não acredito em competência de quem se “desliga” do trabalho quando vai para casa, ou mesmo saindo de férias. Não acredito e nem contrataria tal pessoa. Aérea…

FALTA DIZER

Tragédias de sala de aula ou pátio de escolas começam, regra geral, dentro das famílias. As desordens de sala de aula e as encrencas nos pátios resultam de frouxidão da educação dos pais ditos modernos, na verdade ordinários da irresponsabilidade parental. Certo? Ferro neles.

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