Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

O silêncio é melhor

Atualizado

Já disse aqui que Deus não joga, Deus fiscaliza. Deus não se mete em disputas humanas. Claro, isso para quem tem algum credo. E falei que Deus não joga, mas fiscaliza, para destacar o comportamento de incontáveis jogadores de futebol que erguem as mãos aos céus em oração antes da cobrança de um pênalti. Se isso adiantasse seria como um pai atender ao desejo de um filho e não o de outro quando ambos estivessem disputando uma partida de xadrez… Melhor é guardarmos nossa fé silenciosamente só para nós. Aliás, dizendo isso, lembro-me do que aprendi no intramuros marista: não fazer o sinal da cruz ostensivamente ao passarmos diante de uma igreja, fazer o sinal da cruz, se for o caso, com o dedo polegar escondido na palma da mão. Ninguém “por fora” vai ver, mas quem tem que ver, verá… Sutil.

Fiz essas digressões todas para chegar ao local de trabalho, onde passamos as melhores horas do dia dos melhores anos de nossas vidas. Nossa segunda família, ou muito parecido com isso. Mas você sabe que mesmo no chamado seio familiar há desavenças, ciúmes, invejas, de tudo… A lembrança é a seguinte: não fazer do ambiente de trabalho um local de exibicionismos de consumo, de poder de consumo. Aquela história de a garota chegar diante das colegas e não tendo como chamar a atenção para o seu novo anel, dizer: – “Ai, que calor, vou tirar o meu anel”! Claro que nesse momento todas veriam o tal anel… Nada sutil. Vale para tudo, discrição produz bons resultados, os colegas, os familiares mais pobres, os amigos, não vão se sentir menores. E nem falo de exibir o novo carro… Nada. O melhor é a discrição, mas já disseram também que os mais discretos são os mais observados. Se for assim, não é preciso exibicionismo de nada, todos notarão tudo…

Ah, quase esquecia, há um exibicionismo que na hora certa ninguém deve esconder: é o da competência, o da qualificação profissional. Nesse momento, toquemos os clarins, que todos nos ouçam ou nos vejam. Mas é claro, os clarins tocarão no silêncio do trabalho benfeito, a competência é sonora. Nada mais será preciso. Sem exibicionismos, a pessoa será exibida. De outro modo, irá para a “cruz”…

INVEJAS

Há quem acredite que qualquer que seja o nosso talento, as nossas virtudes ou conquistas, haverá quem nos craveje de invejas e olho-gordo. Baita bobagem. A inveja, o olho-gordo, seca os ossos do invejoso, diz a Bíblia. Queimar-se de inveja, de olho-gordo, perder o sono pelas riquezas alheias, é pequenez existencial e vai lesar gravemente o invejoso. Arda!

FALTA DIZER

É isso, se você invejar alguém, há um modo de passar de invejoso a invejado. É superar a pessoa invejada em algo que ela não tenha, ou mesmo no talento que ela expõe. Tudo depende de nos encontrarmos dentro de nós mesmos, descobrirmos o de que somos capazes e mandar ver. Esforços continuados, foco mantido, capacitação crescente e fé. Duvido que não dê certo. De invejoso a invejado. Beleza.

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