Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Onde está ela?

Atualizado

Você sabe, não há nada de novo abaixo do sol, o que é já foi e o que foi será. Se alguém tiver dúvidas que assista a um telejornal ou pegue um jornal, pode ser um exemplar de 90 anos… O que mudará serão os nomes, os endereços e pouco mais. Tudo igual. Mesmo assim, busco novidades.

Peguei um jornal de São Paulo e fui para o Caderno de Empregos, onde sempre há algo sobre carreiras, trabalho, essas coisas. Fui e dei de cara com esta manchete: – “Dicas para harmonizar carreira e bem-estar”. Interessou-me, faço muito uso dessas observações em minhas palestras em empresas.

Nesse artigo, o autor escreveu que “Todos devemos entender os nossos limites (no trabalho) e onde está a nossa felicidade”. Parei de ler como quem dá uma freada brusca no trânsito. Essa expressão – onde está a nossa felicidade – é de entortar o bico do ganso, como se alguém soubesse onde está a felicidade. Nossa relação com a felicidade costuma ser muito estúpida. Colocamos a felicidade sempre no lá e no então, você sabe disso. Vivemos colocando a felicidade lá, em outro lugar, e então, em outro momento, no futuro. Nunca no aqui e agora. E o pior de tudo, quando chegamos a esse remoto e hipotético lá e então descobrimos que a felicidade não está mais lá… Vale para os milhões de casamentos realizados sob o fogo do falso amor.

E isso sem falar que felicidade provoca sentimentos de culpa. Quando uma pessoa se dá por feliz, logo em seguida ela começa a olhar para os lados: – “O que vão pensar, imagina, eu feliz”! Junto a esse sentimento de estranha inquietação vem outro: – Ah, meu Deus, será que eu mereço tanta felicidade?

Seja como for, todo piscar de olho que damos visa à felicidade. Matar-se é busca da felicidade… Sei que essa ideia amedronta, paciência, é a mais sacrossanta das verdades. Não achando outra saída, a pessoa se mata… Foi a melhor saída encontrada. Já disse, cansativas vezes, a Psicologia é bruxa má, nada tem de fada madrinha, ela não nos chega para deixar “felizes”, mas para nos mostrar a verdade. E a verdade não produz felicidade, não as nossas verdades. Bem sabemos…!

REPETIÇÃO

A repetição é a mãe do aprendizado, então, vamos à repetição. Jorge Luís Borges (1899-1986) notável poeta e escritor argentino, dizia que – “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria”. Razão, Borges, razão! Se o paraíso é uma biblioteca, Santo Deus, quanta gente vive no inferno… E por vontade própria. Vivem as chamas ardentes da ignorância, as piores.

FALTA DIZER

Gosto de frases, elas nos empurram para o precipício da Verdade, como esta frase, por exemplo: – “Quando à noite não conseguir dormir, pare de contar ovelhas e converse com o pastor”. Esse pastor é o seu ego mais fundo, o que concentra as verdades que lhe tiram o sono e a fazem inquieta. Esse pastor/a é o “espelho” de que vivemos fugindo, preferimos as fantasias das mentiras…

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