Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Paredes têm ouvidos

Atualizado

Pessoas que valem a pena, bem poucas, sabem que as paredes têm ouvidos. Paredes têm ouvidos, sim senhora, sim senhor! Pessoas de qualidade sabem que falar mal de alguém, fuxicar, dizer bobagens, criar casos a partir da fala é uma porta aberta para desgraças pessoais e profissionais. No dizer que as paredes têm ouvidos, fica implícito que elas também têm boca, vão, mais cedo ou mais tarde, contar a quem de direito o que um dia ouviram…

Tenho comigo uma história que se confunde com essa de as paredes terem ouvidos. Vale para quem faz um trabalho benfeito malgrado não haver ninguém por perto para vê-lo.

A história que vou contar estava num jornal, falava de um sujeito que foi chamado para ocupar por 30 dias a vaga do funcionário titular na empresa, ele entrara em férias. Era preciso um substituto. O substituto temporário, cujo nome rutila diante dos meus olhos, chegou, foi para o trabalho e deixou a todos de boca aberta. Um caso especial.

A função para a qual esse sujeito de 38 anos foi chamado era a de lavar caminhões da empresa. Ele lavava os caminhões e todos que passavam diziam nunca ter visto os caminhões tão bem lavados e tão rapidamente. E assim foi pelos 30 dias de contrato do sujeito. Como acabou a história? Não o quiseram perder, foi contratado.

Alguém pode desconfiar que o tal sujeito fez o que fez com segundas intenções, visando a ficar na empresa. Mas os chefes não eram trouxas, avaliaram o funcionário em vários aspectos sem que ele desconfiasse. Essa a história, em resumo.

Quantos de nós somos assim no que nos deve exigir nossos melhores esforços? Bem poucos, haja vista que são poucos os vencedores na vida. A maioria anda roçando a barriga no arame-farpado do fracasso, gemendo dores por si mesmos criadas. Vale para os estudos, vale para o trabalho, vale para o casamento, vale para nós, em tudo. Fazer o melhor, mesmo sem ninguém por perto, produz felicidade. E, com certeza, olhos e lábios invisíveis vão contar a quem de direito o que fazemos. Dos outros até podemos escapar, da nossa consciência moral nunca…

CAMISAS

Dia destes, outra vez, me irritei num supermercado com vários camaradas sem camisa. Falei com um dos seguranças, conhecido meu. O cara me disse que nada podia fazer, que o supermercado os orienta a evitar todo e qualquer problema. Em atritos com clientes, o supermercado fica sempre na pior, vão dizer que há preconceitos contra pobres, contra estes e aqueles, aquelas baboseiras de estúpidos. Vagabundos sem camisa, eu os queria na minha delegacia. Iam rezar por uma camisa…

IMAGENS

Dia destes, numa reportagem de tevê sobre a Universidade Federal, foram mostradas imagens de alunos chegando para as aulas. Santo Deus, que imundos, que atirados, que desmazelados. Pareciam que iam para o meio do mato, não para uma sala de aula. E por quê? Por não se darem o respeito, por desvalia mesmo. E depois vão querer vagas no mercado. Nem a pau, Juvenal, nem a pau…

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