Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Perdem tempo

Atualizado

Você sabe que virtude é diferente de obrigação. Virtude é o que fazemos sem precisar fazer. Ajudar uma velhinha a atravessar a rua não é obrigação, é virtude. Ler cinco jornais por dia, como costumo fazer, pode parecer a você, leitora, leitor, exibicionismo meu, nenhum exibicionismo, é obrigação. Jornalista, psicólogo, o que for, até a mãe Joana, tem obrigações que não devem ser confundidas com virtudes. Bolas, de onde vamos tirar ideias, informações, senão das leituras de jornal ou de acompanhar os telejornais? Quem é que não sabe que não há ideias inatas? Tudo o que nos está na memória passou antes pelos sentidos, ora, ora…

E cumprindo esse roteiro de “obrigações” de que falei, acabamos tendo o que pensar e dizer. Acabei, por exemplo, de circular pelos canais de tevê e num deles encontrei uma gerente nacional de uma grande empresa, você a conhece bem, aposto, leitora…

Essa gerente dizia que “hoje é preciso que os jovens tenham muitas experiências de trabalho antes de decidir por uma área específica…”. Discordo visceralmente.

Que idade tem o inocente, ele ou ela? Tem 16, 17 anos? Já é muito tarde para indecisões. Como é que para “outras coisas” aprenderam sem sobressaltos e dúvidas? E sem essa de experimentar muitos trabalhos antes de decidir por uma carreira. Esse pular de galho em galho será uma perda de lucros para os empregadores e perda de tempo para os “ingênuos” indecisos. Carreira deve nos ferver o sangue cedo na vida. Preparar-se para essa carreira, para esse tipo especial de trabalho, exige fé, busca de qualificações, persistência e certeza. Certeza de que vai dar certo. E dizer alguém que hoje os trabalhos não duram muito, que as carreiras não fazem mais sentido, é rematada idiotice. Ou vão me dizer que advogados, engenheiros, médicos, professores, vendedores, cabeleireiros, o que for, vão desaparecer da Terra?

O estágio do jovem já deve ser na área sonhada. – Ah, quase esquecia. Um abobado, desses que se proclamam “influencers” (não sei do que nem como) dizendo que os jovens estão buscando nas redes sociais fama, dinheiro e seguidores… Pobres bichos! Essa fama, esse dinheiro, esses seguidores só serão obtidos numa longa e proficiente carreira. O mais é ilusão dos famosos 15 minutos de fama. Fama? Desde quando o “nada” produz fama? À carreira, bobões.

PRISÃO

Num parque, um bobão levava seu cachorro de “estimação” segurado por uma trela de poucos centímetros. O bichinho puxava fortemente o corpo para a esquerda, queria ir para o gramado lateral, correr, aliviar-se, cheirar a grama, tudo, mas… Estava “preso” pela maldita trela curtíssima. Para que ter cachorro desse jeito e pensar que o bichinho está “passeando”? Um bocó idiota e um pobre bicho indefeso.

FALTA DIZER

Uma mulher agredida por um vagabundo falava de costas para uma repórter de tevê e dizia que não podia deixar o covarde – “Como é que vou sustentar meus filhos se eu fizer isso”? Será que ela não sabe que nenhuma mulher jamais precisou de homem para viver, crescer e ser feliz? Nenhuma. Nenhuma. Nenhuma. Acorde, mulher!

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