Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Raízes fortes

Atualizado

Ando até aqui de desculpas frouxas e modernismos ocos. Pessoas aéreas, que não se garantem em nada criam “novidades” e, como elas são maioria, acabam aceitas pelos desavisados. Antes de clarear o assunto, deixe-me lembrar que uma árvore sem raízes, boas raízes, será derrubada pelo primeiro vento mais forte. E assim acontece conosco, os humanos.

Precisamos de raízes de todo tipo, a começar pelas raízes de ordem moral, raízes nos devem fazer inabaláveis diante dos ventos da vida, tantos os ventos das tentações quanto os dos desafios no trabalho…

Ouça esta manchete de um site jornalístico: – “Eles não querem ficar muito tempo nas empresas, eles querem é ser felizes”. Era uma reportagem sobre os jovens diante do mercado de trabalho. Sim, eu sei que muitas empresas também não querem mais ter funcionários por muito tempo, melhor é descartá-los antes que fiquem caros, como se qualidade pudesse ser discutida ou avaliada por salários. Agora tem uma coisa, não são apenas essas     empresas que não querem mais dar raízes a funcionários.  Também os jovens estão a gritar pelas esquinas que Deus os livres de ficar por muito tempo no mesmo trabalho. E ao meio dessa fumaça, encontro outra manchete: – “A vida é curta para trabalhar num só lugar”. Quem dizia isso era um estonteado de 21 anos num jornal de São Paulo. Esse tipo de gente também pensa assim em relação ao casamento, seguramente. Ademais,  quem não fica “muito tempo”, como sinônimo de bom tempo, num determinado trabalho e numa determinada empresa, não desenvolverá aprendizados que só o tempo nos dá. Vivo dizendo que nosso trabalho tem que configurar um especial tipo de casamento, uma “vocação” ou paixão, o que dá no mesmo. Sem isso, o sujeito só vai trabalhar pelo salário e quem trabalha só pelo salário não se importa se hoje está aqui e amanhã ali ou acolá. Mas que fique claro que nenhum sujeito que viva ou se proponha a viver seu trabalho como uma borboleta louca, andando de cá para lá e de lá para cá, vai ser alguém respeitado em sua área de trabalho. Não vai. Funcionário plantinha não serve para o mercado, a vaga deve ser guardada para os “Cedros”…

SEGURO

Já disse aqui que o seguro não morreu de velho, como dizem. Ele nunca existiu. Nada na vida é seguro, mas… Podemos dar mais longevidade a alguns projetos. Acabei de ler reportagem sobre Seguro-Desemprego. O melhor “seguro” para o emprego é ser a pessoa ética, esforçada, motivada para sempre saber mais e mais e jogar o jogo da empresa. Não é um seguro de vida, mas preserva a pessoa por mais tempo no mercado. O resto é vilania de vagais…

FALTA DIZER

Reencontrei ontem um velho amigo. Feita a saudação de aproximação, – E aí, tudo bem? E ele me respondeu: “Melhor estraga”! Claro que é um modo de dizer, fosse verdade, seria preocupante. Nada mais preocupante que uma pessoa “satisfeita”, ela nada constrói e por nada luta. A insatisfação é linha reta para uma vida melhor. Cuidado.

Mais conteúdo sobre

Mais conteúdo

Luiz Carlos Prates

Vivemos procurando desculpas para os nossos amuos ou fracassos na vida. Acabei de ver um quadro no Balanço […]

Luiz Carlos Prates

É estranho, mas indesmentível: quem muito pensa não vive, sofre, tem medo. O muito pensar leva-nos a ponderar, […]