Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Tudo nos revela

Atualizado

Que nojo senti do sujeito. Já vou dizer de quem se trata, antes preciso lembrar que, segundo a psicologia freudiana, podemos nos dissimular como bem entendermos, mas… Vamos nos revelar por todos os poros. É uma caraterística humana, haja vista que na antiguidade os assírios já diziam que não há segredos para a pessoa que tenha olhos de ver e ouvidos de ouvir. Prefiro dizer olhos de perceber e ouvidos de escutar, é mais enfática a verdade…

E o que mais “revela” uma pessoa é o poder. E poder pode ser qualquer posição social, desde que o pacóvio entenda que está no poder ou tenha poder. Digo isso e me lembro do primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, do partido Liga. O sujeito quer a titularidade do governo italiano ainda que não tenha talento para isso. Mas até aí nada, sabe-se que qualquer cabeça-de-ovo quer subir no poste das grandezas. Ocorre que esse “vice-primeiro-ministro”, dia destes, deixou-se fotografar sem camisa, com fones nos ouvidos e mexendo numa mesa de som, fazendo pose de DJ. Só pela foto, se os italianos forem mesmo dados à bravura já devem riscar da lista de candidatos esse sujeito.

Tem cabimento um homem público, mesmo de férias e num balneário, andar sem camisa e deixar-se fotografar? Vale para todos os que ocupam “alguma” posição na sociedade. Quando andamos por aí não somos apenas nós, somos nossa família, somos a empresa onde trabalhamos, a função que exercemos, a igreja a que pertencemos, o partido a que nos ligamos, ao diabo a quatro… Nunca estamos sozinhos e somos apenas nós mesmos. O cara não sabe disso? Já não bastam os padres sem batina, cantando, dançando, passando batons nos beiços, usando calças de cowboy, fazendo caras bocas? Não basta?

Ontem ainda, li a seguinte manchete no site UOL – “Jeito como você usa o cabelo é uma forma de expressão”. Claro que é! E pelo que tenho visto, uma forma de expressar horrores… Mas não na minha empresa. Lá o cabelo é “cadete” para os homens e preso ou curto para as mulheres. O que anda por aí assusta. As pessoas de fato se revelam por todos os poros. Valeu, Sigmund! Sigmund Freud.

AMIGOS

Se você já me “ouviu” aí em cima, talvez me pergunte: – Tudo bem, Prates, mas tu não tens nenhum amigo desmazelado, “atiradão”? Tenho, mas é a tal coisa: amigos, amigos, negócios à parte. O que não faz sentido é o sujeito achar que por estar de folga ou férias podem andar por aí como bem entender. Não pode. Sempre somos nós e nossas circunstâncias. Ué, gente!

FALTA DIZER

Não raro, andamos por aí como burros de carga, um baita peso sobre os ombros e não sabemos o que fazer. Para aliviar, a pergunta que devemos nos fazer é – “Que elementos, “valores”, do meu presente e do meu passado precisam ser descartados”? Na verdade, a boa resposta é: quase tudo. Exagero? Parece, mas, é verdade, vivemos carregando sobre os ombros da vida lembranças absolutamente inúteis ou ações prejudiciais. Limpeza já.

 

 

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