Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Viver e sonhar

Atualizado

Entrei no carro, liguei o motor e… – Puseste o cinto, não foi isso, Prates? Não, não foi isso. Liguei o rádio. Você já deve ter ouvido que “o brasileiro não vive sem rádio”. Aprendi isso ouvindo rádio. E é a mais pura verdade.

Liguei o rádio e tocava uma música que não ouvira antes, um cantor de quem não lembrava, mas… A letra da música me foi instigando. Lá pelas tantas, o cantor empostou a voz e cantou que – “Viver é melhor que sonhar”. – Ah, companheiro, não faz isso, preciso partir, o carro precisa de mim, não é hora de provocação com psicologias de fim de tarde…

Viver é melhor que sonhar? Essa frase deixa um universo escancarado para pensarmos. Você concorda, leitora, que viver é melhor que sonhar? Há quem diga, estou entre esses, que uma vida som sonhos é uma vida vazia… E aí, como é que vamos fechar a conta? Sabemos que viver é uma coisa, sonhar é outra. Certo? Depende. Em Psicologia nada é, tudo pode ser.

Grandes personalidades humanas vivem “hoje” um sonho que começou lá atrás, num passado remoto e que se estende pelos “agoras” da vida… Já outros, maioria, vivem no mundo da lua, no mundo dos sonhos nunca realizados. Nunca realizados porque não levantam da cadeira do comodismo, dos medos, das inseguranças, das indecisões que os travam…

Sonhar por sonhar é estultícia, é mais ou menos como o cavalinho aquele dos desenhos, o que corre atrás de uma cenoura que lhe está amarrada à frente do focinho. O cavalinho nunca a vai alcançar. Sonhar por sonhar, sonhar sem a luta de um dia transformarmos o sonho em realidade é estupidez de gente frouxa, sem a energia atômica da vontade. E que fique claro, ninguém sonha com o que lhe é impossível, só sonhamos com o que nos é possível, posto que (embora) muito difícil… Mas para realizar qualquer sonho é preciso muita “água benta”, o suor puro e germinativo. Não tem como dar errado. Viver é melhor que sonhar? Sem dúvida. E é perfeitamente possível transformar os desgostos de agora num sonho de linha reta. Tudo depende do “tribunal da consciência”. O que esse “tribunal” decide faz da nossa vida um sonho ou um simples viver. Esse tribunal, “esse”, é o verdadeiro Supremo. E quem o preside somos nós.

REPETIÇÃO

Preciso repetir, faz bem a todos. Diante de um diagnóstico “grave” de saúde, não aceite como definitivo esse primeiro diagnóstico, procure por mais dois médicos. Se houver unanimidade, os três dizendo a mesma coisa, então aceite, prepare-se para o tratamento. Não aceite, todavia, sob nenhuma hipótese, um primeiro e único diagnóstico. É para a sua tranquilidade e seu bem. Procure mais dois médicos…

FALTA DIZER

Detesto os falsos da fé, os “disfarçados” que não comem carne na Sexta-feira Santa sob a alegação de não querer pecar. E pecam de todos os outros modos… Sonsos. E que fique claro: a igreja nunca disse que é pecado comer carne na Sexta Santa. Nunca.

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