Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.

Entrevista: Heitor Bittencourt

Foto: Divulgação/ND

De família apreciadora de todos os gêneros da boa música, Heitor Bittencourt representa o típico caso da pessoa que “nasceu para isto”. O nome em homenagem aos compositores Heitor Villa-Lobos e Hector Campora Berlioz foi sugestão do irmão maestro, Gilberto Bittencourt, que teve forte influência em seu caminho. Músico, professor desde os 16 anos, produtor, compositor, arranjador, consultor técnico de sistemas de áudio e pedagógico, pesquisador e beatlemaníaco, ele desenvolve um projeto inédito que será seu objeto no pós-doutorado e prevê um CD a ser lançado no Brasil e no exterior.

Foi por influência do irmão Gilberto o gosto pela música e a escolha profissional?

Gilberto, além de irmão, é padrinho e principal incentivador para as artes. Uma influência muito forte na minha vida e fundamental na decisão e suporte nessa escolha, principalmente, e também, pelo meu interesse pela pedagogia, do qual ele é fonte de inspiração até hoje. Já a parte técnica, vem do meu pai, que junto com os amigos e sócios, fundou a TV Cultura, canal 6 Florianópolis, na época, filiada à Rede Tupi. O porão de casa era cheio de TVs e rádios pelados com as válvulas em exposição. Ele arrumava de graça para os amigos e vizinhos. Seu e meu hobby, a eletrônica.

Onde fizeste a tua formação em música?

DNA; convivência familiar de pequeno; brincando ao lado do piano, enquanto Gilberto estudava horas; no Colégio Menino Jesus, onde ele era professor de música curricular; no coral e banda marcial da escola, também com meu irmão. Nos cursos livres de música na Reitoria da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), ministrada pelo Gilberto e por Carlos Alberto Vieira.

Com a minha professora de piano desde os seis anos de idade e até hoje minha professora, incentivadora incansável, banca, orientadora, amiga, com quem trabalho como produtor técnico musical nos seus projetos de pesquisa, Maria Bernardete Castelan Póvoas; além do curso de música dos Canarinhos de Petrópolis; destaque para meu mestre de violão, Dorival Lessa; na nossa Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina); e no dia a dia da vida profissional.

Quais foram as bandas que participaste?

Fanfarra do Colégio Menino Jesus (risos); 5C, a primeira banda pop fusion que formei com os amigos no Colégio Catarinense (não fui lá para estudar, fui para formar a famosa banda 5C), que se tornou Século Astral; Grupo Seixo Rolado, que se tornou Auto Retrato (mistura da 5C, Século Astral e Seixo Rolado); participei como guitarrista do Grupo de Risco e como músico convidado do Grupo Engenho; fiz vários trabalhos, arregimentando bandas para cantores e compositores, como Norton Makowiecky, Sueli Ramos, Débora Machado, Marjorie e vários grupos com amigos músicos pelos bares da vida.

Que área vais pesquisar no pós-doutorado?

Assim como a graduação, o mestrado e o doutorado, o pós-doutorado diz respeito à mesma pesquisa, à minha inquietação ontológica de vida, as buscas do autoconhecimento de tudo. Uns diriam “que cara chato”, eu diria “fundamental para uma vida integrada”. É uma abertura reflexiva, compreende a vida e as pessoas, ser absolutamente integrado com o multiverso de possibilidades e ir além na vacuidade da compaixão daquilo que a nossa cabecinha de pulga tenta reter, e aí que está o problema. Uma meta, um propósito teleológico (estudos das finalidades) existencial que não vejo mais volta para mim, se é que volta existe…

Estás desenvolvendo um conjunto de projetos musicais chamado Hector Ontology. Como funcionará?

Minha terapia ocupacional para os próximos 50 anos (risos). É uma rede colaborativa transparente, que tem por base o apaziguamento das minhas inquietações pessoais em meus 36 anos de carreira. São projetos em diferentes gêneros, compostos em períodos diferentes da minha vida como músico, que agora viram vários projetos artísticos a serem concretamente executados.

Começo com o “Novos Rumos”, pronto há 25 anos, que apresentei no CIC (Centro Integrado de Cultura), num dilúvio sem arca de Noé, que deixou a cidade debaixo d’água, e eu também, moral e financeiramente. Foi um trauma na época. Sonhava com uma carreira autoral, que hoje encaro como um evento que gerou em mim, naquele período, uma mudança de postura funcional.

Qualquer pessoa pode participar? Como fazer?

Homens e mulheres de boa vontade. Amigos antigos, amigos novos e familiares. Estou iniciando o projeto por partes. A primeira etapa se iniciou dia 15 de novembro do ano passado para os alunos de música da Udesc, e amigos músicos que estiveram nas trincheiras da vida comigo esses anos todos e participaram ativamente dos meus dramas.

Dentro da egrégora, está planejado a organização e execução em projetos temporários/permanente de todas as minhas obras autorais registradas, em diferentes formações e gêneros, toda a chancela de experiência profissional na área da produção colaborativa e pedagogia integrada.

A divulgação é gradativa nas redes sociais e por cartazes na cidade. Vou me comunicando e revelando a prática do que aqui relato. O único acesso de fato para participar do projeto Hector Ontology é pelo link https://bit.ly/33YNYwl. Uma vez cadastrado, o registro fica permanentemente inclinado a participar, dentro do tempo e demandas de cada projeto executado.

Fale sobre o CD “Novos Rumos”, um dos projetos.

O repertório é todo autoral. O mesmo show executado no CIC há 25 anos, incluindo duas músicas novas para as minhas filhas. O pré-lançamento será para um pequeno público crítico e imprensa especializada, em maio deste ano. No segundo semestre, turnê na Espanha, Portugal, França, Inglaterra e Noruega, com a mesma finalidade. O lançamento oficial no Brasil será no primeiro semestre do ano que vem, no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis.

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