Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.

Entrevista: Isaac Lorenzo de Jesus

Atualizado

Foto: Angelo Santos/Divulgação/ND

Isaac Lorenzo de Jesus entrou na hidroterapia ainda bebê por causa de uma malformação na medula que impediu os movimentos dos tornozelos para baixo, e não saiu mais da água. Hoje, com quase 17 anos, o nadador das seleções Catarinense e Brasileira de Natação Paralímpica Sub-18 detém a terceira melhor classificação do Brasil nos 200 metros medley em sua categoria.

Filho único da professora de educação especial Elisana de Lorenzo e do garçom Ronaldo (Guido) Costa de Jesus, ele estuda no primeiro ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Leonor de Barros, no Itacorubi, e pretende cursar medicina veterinária, além, claro, de chegar no topo da natação paralímpica.

Nos dias 8 e 9 de fevereiro, o Phelps Manezinho ou Guga das Piscinas, como é chamado, mergulha na primeira competição do ano, o Circuito Brasil Loterias Caixa fase regional Rio/Sul, que reunirá em Vitória atletas do Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Quando foi percebido o gosto pela natação e, de fato, começou a se dedicar ao esporte?

Iniciei a hidroterapia aos seis meses e neste momento meu pai já idealizou a natação em minha vida, tendo Clodoaldo (nadador paralímpico Clodoaldo Silva) como inspiração. Conforme fui crescendo, fui gostando da liberdade de ficar sem muleta na água, surgindo assim o interesse por competir e tornar-me um paratleta. Foi em 2017 que meu pai conheceu o Fladmir (técnico Fladmir Federico Klein) e iniciamos meus treinos, onde estou melhorando a cada ano e objetivando ainda mais ser um campeão de natação paraolímpica.

Onde começou a carreira de nadador?

Minha carreira da atleta iniciou pelo incentivo de meus pais. Por ser necessário uma associação para poder participar das competições, represento a Aflodef (Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos), que me ajuda no custeio das passagens e inscrições para as competições.

Competes em todos os estilos de natação e distâncias? Qual te rendeu mais classificações? 

Nado todos os estilos, sendo as minhas principais provas os 400 metros livre, os 200 metros medley e os 50 metros livre.

Atleta paralímpico da Seleção Brasileira de Natação, Daniel Dias, e Isaac, da Seleção Brasileira Sub-18 – Foto: Divulgação/ND

Quando completa 18 anos, o atleta deixa de integrar a Seleção Sub-18. Qual será o próximo passo?

Meu objetivo é ir para a Sub-20 e, depois, a Seleção principal. A convocação é feita com base nos melhores tempos do Brasil. Estou treinando para melhorar meus tempos e investindo em minha qualidade de vida para alcançar meu objetivo: campeão brasileiro de natação.

Quantas medalhas tens de ouro, prata e bronze?

Oitenta e seis medalhas ao todo, sendo 50 de ouro, 20 prata e 16 bronze.

Quais são os principais campeonatos que participas?

Circuito Brasil Loterias Caixa fase regional Rio/Sul, que compreende três fases; os Jogos Catarinenses e a Paralímpiadas Escolares. Ainda não fiz nenhuma competição internacional, mas estamos caminhando para isto acontecer com muito treino e determinação.

Foto: Angelo Santos/Divulgação/ND

Quebraste algum recorde?

Nado com nadadores da Seleção principal, onde o mais novo tem 26 anos. Para minha idade, meu tempo está bom. Porém, não bati nenhum recorde.

Quais são as competições previstas para 2020?

Regional; Brasileiro, que é dividido em três fases; Open; Parajasc (Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina); Parajesc (Jogos Escolares Paradesportivos de Santa Catarina), Paralimpíadas Escolares; e competições as quais meu técnico possa sugerir.

Como é teu treinamento?

Treino na Astel com o técnico Fladmir Federico Klein, cinco vezes na semana, em média de uma hora e trinta minutos a duas horas, além dos atendimentos específicos para minha qualidade de vida.

Comenta-se que tens um grande poder de concentração. Nunca bate um nervosismo na hora de competir? No que pensas neste momento?

Um friozinho na barriga sempre dá, mas geralmente tento não pensar muito na prova e ficar mais descontraído.

Isaac e outro ídolo do esporte, o ex-tenista Gustavo Kuerten – Foto: Divulgação/ND

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