Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.

#Galeria: veja fotos dos camarotes do desfile das escolas de samba de Florianópolis

Atualizado

Da esq. para dir.: Bruno Oliveira (chefe de gabinete da Prefeitura), Roberto Bertolin (diretor Grupo ND), Cintia e o prefeito Gean Loureiro, André Dias (superintendente institucional da RecordTV), Fábio Botelho (presidente da Liesf) e Marcelo Amaral (diretor de engenharia e operações da RecordTV) – Foto: José Somensi/Divulgação/ND

Apoteose

O primeiro Carnaval de passarela dos anos 20 na Ilha foi marcado pelo planejamento, pela organização, pela grandiosidade e pela emoção. Dez agremiações (três do grupo de acesso e sete do grupo especial) filiadas à Liesf (Liga das Escolas de Samba de Florianópolis) apresentaram entre a tarde de sábado e a manhã de domingo um espetáculo pontual e comovente.

A atriz Pérola Faria e o produtor teatral Valdir Dutra, que foi enredo da União da Ilha da Magia, no camarote do Grupo ND – Foto: José Somensi/Divulgação/ND

Dani Moreira, atriz da RecordTV, veio a convite do Grupo ND conferir o Carnaval da Ilha – Foto: José Somensi/Divulgação/ND

Clima

Ficará na memória também o frio atípico no verão de fevereiro, que chegou a 17°C no termômetro com sensação térmica menor ainda por causa do vento na área aberta da Baía Sul. O fenômeno da maré-cheia na véspera fez alagar o estacionamento do Centrosul, onde os carros alegóricos já estavam para serem finalizados antes de entrar na Nego Quirido, mas não causou prejuízos ao desfile. Se nos faltava um Carnaval de “inverno”, tivemos.

Vanessa Rouvier e Rodrigo Rossoni (centro), presidente da Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis), com Vinícius de Lucca Filho, superintendente de Turismo da Capital – Foto: Cristiano Andujar/Divulgação/ND

Francisco José Battistotti (à esq.), presidente do Avaí, e Maria Lúcia Battistotti com o gerente de futebol do clube, Marquinhos Santos, no camarote Mô Quirido – Foto: Adriano Assis/Divulgação/ND

Nego…

Os camarotes estavam repletos de foliões que queriam assistir ao desfile protegidos da possível chuva e tendo o conforto de serviços como open bar, open food, banheiros exclusivos, shows musicais nos intervalos, lounges, barbearia e maquiagem. Já nas arquibancadas, muitos espaços vazios, como se observa nos últimos anos, mesmo com o ingresso a preço razoável. É preciso pensar em agregar atrativos para o público dali. Brindes, talvez.

…Quirido

Como o próprio presidente da Liesf, Fábio Botelho, já afirmou à coluna, a apresentação de tantas escolas em um dia só não é o ideal, porém, dividir os desfiles do grupo especial e do grupo de acesso em dias separados encarece muito e inviabiliza a realização. Ocorre que em uma programação extensa, de 13 horas consecutivas, as primeiras e as últimas agremiações passarão sempre com público diminuído. Mas nada que tire o brilho e a vontade de vencer.

Sérgio Costa, o Gibão (à esq.), recebendo Jorge Timm no camarote que coordenou – Foto: Angelo Santos/Divulgação/ND

Attilio Colitti, cônsul honorário da Itália em Florianópolis, entre Melquior Schlickmann e Nara Timm – Foto: Angelo Santos/Divulgação/ND

Emoção

As escolas vieram com grande carga emotiva neste ano. Fosse pelas homenagens prestadas nos enredos, fosse pela própria dificuldade de conseguir desfilar ou mesmo pela beleza de tudo que apresentaram, muita gente chorou. A figura feminina foi bastante evidenciada, não só como tema, mas também ocupando espaços importantes nas alas, nas baterias, nos vocais.

Waltinho e Aninha Koerich – Foto: David Welter/Divulgação/ND

Michele Crispim prestigiando o camarote Swing & Balada – Foto: Marlon da Silva/Divulgação/ND

Grupo especial

⇒ O produtor teatral Valdir Dutra, que completou 80 anos no dia 30 de janeiro com a mesma “cara de guri arteiro”, ganhou nova festa como homenageado da União da Ilha da Magia, desfilando em um carro com a mulher, Neusa.

⇒ Os Protegidos da Princesa tiveram como trunfo a união do forró com o samba, que se entranhou por todos os detalhes e enriqueceu todos os quesitos. O samba-enredo com batida nordestina, delicioso na voz de Gi Guedes, virou chiclete.

⇒ A Dascuia fez um desfile milimetricamente acertado em todos os sentidos. Imponente, luxuosa, teve entre os destaques as irmãs Luhana e Polyhana Pawlick, filhas do saudoso estilista Gesoni Pawlick, enredo de 2019.

⇒ A primeira voz dos puxadores da Dascuia ouvida na avenida foi a de Sophia Bittencourt, 12 anos, que cantou ao lado da mãe, Débora Machado – eleita novamente melhor intérprete do concurso de músicas de Carnaval da Prefeitura.

Da esq. para dir.: Rolf Krueger, Tiago Kaka Basso, Cassiano Silveira e Leandro de Bem, sócios do Complexo Nego Quirido – Foto: Larissa Trentini/Divulgação/ND

⇒ Miguel Gregório, diretor de eventos da Secretaria Municipal de Turismo, tascou um penteado afro na cabeça para sair de destaque na Dascuia e mais tarde voltar na ala dos amigos da Consulado.

⇒ Fôlego maior teve Joice Pereira, rainha do Carnaval de Florianópolis 2019, que desfilou na Consulado e correu em seguida à concentração para entrar com a Nação Guarani.

⇒ De longe, o lamento mais bonito é o da Unidos da Coloninha. Reverberado na voz de Sabarah, foi seguido pelo puxador Alan Cardozo. A escola veio gigante do Continente mesmo. Surpreendeu com patinadoras e fez homenagem bonita às extintas Império do Samba e Filhos do Continente.

⇒ A Copa Lord, segunda escola mais antiga em atividade e segunda mais vezes campeã da Capital, completa 65 anos nesta terça-feira (25), dia do desfile das vencedoras. Pensem na dupla felicidade, se a agremiação que homenageou o padre Vilson Groh alcançar classificação.

⇒ A palhocense Nação Guarani encerrou o desfile com mensagem ambiental. O enredo sobre reutilização e reciclagem, adequado ao esforço da escola em desfilar, remetia ao trabalho do saudoso carnavalesco Cacae Rosa, pai do presidente, Lui Vandré, e sogro da carnavalesca, Kika, que criava fantasias com materiais descartáveis.

⇒ A emoção final ficou por conta dos três filhos do Rei Momo Hernani Hulk, que morava em Palhoça e morreu no ano passado. Vieram ao fim da Nação Guarani espalhando as cinzas do pai pela avenida.

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