Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.

Mangueira na avenida Trompowsky completa cem anos

Foto: Acervo de família/Divulgação/ND

Nesta segunda-feira (25), a família Fontes comemora o centenário da mangueira localizada na avenida Trompowsky, n° 148, Centro da Capital, onde hoje se encontra o edifício Clotilde Fontes.

A árvore foi plantada em 1919, no mesmo dia em que nasceu o engenheiro Victor da Luz Fontes, filho de Clotilde Born da Luz Fontes e Henrique da Silva Fontes, que foi desembargador, professor e idealizador da Cidade Universitária da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Victor, que morou no endereço até morrer, em 1981, era responsável pela manutenção e conservação da mangueira desde que foi tombada pela municipalidade, em 21 de setembro de 1976.

Decisão acertada do prefeito da época. Hoje a árvore permanece vigorosa e imponente aos cem anos, proporcionando beleza, frutos e sombra.

As fotos e o assunto foram enviados pelo leitor José Henrique Orofino da Luz Fontes, sobrinho de Victor e engenheiro como ele.

Foto: Acervo de família/Divulgação/ND

Leia abaixo o memorial sobre a mangueira, escrito por Theresinha da Luz Fontes, única filha viva de Clotilde e Henrique.

HISTÓRIA DA MANGUEIRA da Avenida Trompowsky, 148.

“O papai, Henrique da Silva Fontes, ganhou do desembargador José Boiteux algumas mangas, que trouxera de Nova Trento e, de uma delas, plantou o seu caroço,

Como isto aconteceu, quando o Victor nasceu, ficou sendo chamada pela família de a ‘mangueira do Victor’, que já partiu há 38 anos, mas a mangueira está ainda bela e formosa, dando gostosas mangas e uma sombra amiga e acolhedora.

À sua sombra, havia um balanço de madeira com bancos para quatro pessoas onde a meninada se divertia.  Quantas vezes alunos do G.E. Silveira da Souza, na saída das aulas, brincavam no balanço, sob o controle do Jorge.

Encostada ao tronco, havia uma mesa de concreto com dois bancos, onde batíamos bons papos com a família e amigos; e, ao lado do muro, mais um banco, que subíamos para vermos o movimento da Trompowsky.

Aos domingos, depois do futebol, entre Avaí e Figueirense, principalmente, lá estávamos nós para perguntar aos que voltavam do jogo, no campo da Liga à rua Bocaiúva: moço, quem ganhou? De quanto foi?

Nos dias quentes e ensolarados de verão, depois do almoço, costumávamos descansar na área da mangueira. Muitas vezes, também, à noitinha, lá estávamos nós, aproveitando o frescor da natureza.

A mangueira serviu de cenário para a foto oficial das bodas de prata, em 1937: papai, mamãe e os nove filhos: Paulo, Manuel, José, Victor, David, Bernadette, Jorge, Alba e Theresinha – a remanescente – graças a Deus!

De tamanha beleza é a mangueira que, desde 1976, faz parte do patrimônio ecológico do município, e, por feliz coincidência, o Victor “considerado responsável pela conservação da árvore”.

Hoje, a MANGUEIRA é de todos os 94 descendentes vivos de Henrique da Silva Fontes e Clotilde da Luz Fontes: uma filha, 21 netos, 44 bisnetos e 28 trinetos.”

Foto: Acervo de família/Divulgação/ND

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