Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.

Sepultada em Florianópolis a professora, advogada e escritora Déspina Spyrídes Boabaid

Atualizado

Déspina Spyrídes Boabaid no lançamento de seu último livro em 2013 – Reprodução/myfavouriteplanet.com/Divulgação/ND

Foi sepultada na última sexta-feira (14), no cemitério Jardim da Paz, na Capital, a professora, advogada e escritora Déspina Spyrídes Boabaid, que morreu em casa na véspera.

Com outros nove membros, ela fundou a Academia de Letras de Palhoça em 23 de fevereiro de 2003. Ocupava a cadeira n° 2, que tinha como patrono o seu marido José Boabaid (1906-1972) – advogado e escritor nascido no município palhocense, onde atuou como promotor adjunto e professor.

Ele, na condição de deputado e presidente da Assembleia Legislativa, ocupou o Governo do Estado interinamente de 1948 a 1950 por causa do afastamento do então governador Aderbal Ramos da Silva para tratar da saúde.

Déspina foi diplomada normalista pelo Colégio Coração de Jesus e depois formou-se em direito pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), tendo exercido a advocacia por muitos anos ao lado do marido.

Fez vários cursos de extensão e aperfeiçoamento nas áreas de pedagogia, psicologia, sociologia educacional e prática de ensino na Associação Brasileira de Educação e no Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, no Rio de Janeiro.

Em Joinville, a educadora dirigiu Escola Rui Barbosa, na época grupo escolar e curso complementar modelo do Estado, e com colegas de magistério fundou a ACP (Associação Cultural de Professores de Joinville).

Lecionou sociologia, história e filosofia da educação no Instituto Estadual de Educação, em Florianópolis, onde aposentou-se, e no Centro Educacional Estadual Pedro 2°, em Blumenau. Também foi professora em Palhoça.

Reconhecida em concursos literários, seu gênero preferido era o soneto. Publicou poesias em revistas e cadernos de cultura, artigos em jornais e os livros “Uma Flor com Amor” (2001) e “Meghísti (Kastelorizo), Ilha Grega entre Três Continentes” (2013), este sobre a imigração de seus antepassados gregos para o Brasil.

Em 1951, com um grupo de mulheres, criou a Associação Helênica de Florianópolis para resgatar e manter a cultura e as tradições gregas, como também participar de obras sociais junto à Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau, na rua Tenente Silveira, onde neste dia 23 (domingo), às 11h, ocorrerá ofício em sua memória após o ato litúrgico.

Pessoa admirável, deixou as filhas Margaret e Lylian, genro e netos.

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