Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.

Um tango para Florianópolis

Atualizado

Foto – Lauro Maeda/Divulgação/ND

O tango “Florianopolis”, desconhecido da maioria dos habitantes da Capital catarinense, vai ganhar um carinho especial amanhã (9), no último dia da 10ª Bienal de Tango.

A música será interpretada pelo cantor Gustavo Lorenzo, argentino radicado na cidade, junto com a cantora Maria Graña e o maestro Esteban Morgado, astros de Buenos Aires que apresentarão um sarau às 17h, no hotel Jurerê Beach Village, em Jurerê Internacional. O ingresso custa R$ 60.

Composta em 1945 pelo músico italiano Pierino Codevilla, muito atuante na época no Uruguai, a obra foi inspirada nas belezas naturais da Ilha de Santa Catarina que encantaram o autor, retido no local por alguns dias devido a avarias na embarcação que viajava.

Partitura em mãos, no início da década 1950, a Victor Silvester and His Ballroom Orchestra gravou no Brasil a preciosidade que permaneceu sem letra por 54 anos.

Somente em 1999, o poeta e escritor uruguaio naturalizado argentino Horacio Ferrer, parceiro de Astor Piazzolla e presidente da Academia Nacional de Tango até a sua morte, verbalizou o mesmo deslumbramento que teve Codevilla.

Em 2001, saiu a primeira gravação cantada por Cleide Barbi Ammon, acompanhada do pianista Aldo Gonzaga, ambos de Florianópolis. Dois anos depois, Fabiano Silveira, diretor da Bienal, estreou um espetáculo inspirado na música, que teve a presença de Ferrer no palco declamando a letra.

Agora, na décima edição do evento, Fabiano celebra este romance entre o tango e Florianópolis, uma das únicas cidades do mundo que tem composição deste gênero feita em sua homenagem.

Ouça a versão original de “Florianopolis” gravada pela Victor Silvester and His Ballroom Orchestra, ainda sem letra:

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