Insegurança, até quando?

Com grande repercussão, o “Jornal do Meio Dia” exibiu, esta semana, a série “Insegurança, até quando?” Em três amplas reportagens, o repórter Paulo Mueller mostrou a real situação da segurança pública na maior cidade do Estado. O quadro é caótico e os números, comparativos com os da Capital, revoltam. Enquanto Florianópolis tem 77 delegados, Joinville padece com 21. Lá são 125 escrivães, aqui 23. São 411 investigadores em Floripa e em Joinville, apenas 123. Lá, 14 psicólogos, aqui 2. No total de efetivos nas delegacias, Florianópolis tem 550 e Joinville 148. Contra números não há argumentos. Não bastasse isso, toda a realidade do avanço da criminalidade e consequência insegurança pública revoltam.

Joinville. 21 delegados, 23 escrivães e 123 investigadores
Capital. 77 delegados, 125 escrivães e 411 investigadores

 
Descaso
Falta vontade política para mudar essa situação. Segundo o delegado regional, há projeto para instalar em Joinville novas unidades especializadas, como a divisão de homicídio, repressão a roubos, combate ao tráfico de drogas, além da primeira delegacia de polícia do centro. O programa é efetivo. Cada uma delas exige pelo menos dois delegados, três escrivães e 20 agentes. O governo do Estado lançou edital para contratação de 340 agentes e 66 delegados de polícia. O início da solução do problema estaria resolvido não fosse um detalhe: esses números, com total de 406, são para toda Santa Catarina e não apenas para Joinville. Até 27 de maio, o total de homicídios, este ano, chega a 36 na maior cidade do Estado. Dos 123 ataques a bancos registrados no ano passado, 55,28% foram aqui. PM revela que, entretanto, não há planos de descentralizar o Bope da Capital.

Leandro Ferreira/Arquivo/ND

Exemplo. Ao contrário do vereador Dorval Pretti (PPS), que mesmo alertado ainda relutou em devolver dinheiro aos cofres públicos por receber mais que o prefeito, três secretários de Udo não hesitaram. Eles devolveram, cada um, R$ 42.254,00. Os “jetons” de R$ 3.000 das reuniões que participam da Cia. Águas de Joinville foi fator preponderante para arquivar qualquer processo a respeito. Mostraram responsabilidade, respeito e evitaram qualquer desgaste desnecessário. São eles: Nelson Corona (Finanças), Romualdo França (Seinfra) e Miguel Bertolini (Administração), este último na foto.

  
Impertinência
Sempre se imaginou que os sindicatos é que, nas internas, colocassem combustível em movimentos paradistas. Essa visão pode estar sendo alterada a partir do que acontece com a greve dos servidores municipais. Salvo visão equivocada de pessoas ligadas aos dois lados (Prefeitura e Sinsej) e até autoridades “neutras” em todo esse imbróglio, enquanto o sindicato sinalizava para uma discussão mais ampla sobre a greve (após a Prefeitura conceder aumento real de 1,18%, a partir de janeiro de 2015) foram os servidores que não abriram mão de permanecer em greve, não aceitando a proposta. A partir desta evolução nas negociações, grevistas chegam ao dilema de tentar melhorar ainda mais o ganho real, finalmente concedido pela Prefeitura – embora para janeiro. Há o risco de revés da sociedade, até aqui dividida em termos de apoio.

EM ALTA
Paulo Suldowiski. O presidente do Comde vem se esforçando em apresentar melhorias aos deficientes que comanda. Em tom ideal, ele mescla firmeza nos propósitos e constante busca de alta tecnologia, como a do aplicativo para o transporte coletivo.

EM BAIXA
Vereadores da situação. Se acabrunhar e tentar se esconder no fundo da cadeira, no plenário da Câmara, não resolve nada. Só reforça a tese de que, apesar da ampla maioria, o prefeito Udo Döhler sofre com base de sustentação tão fraca no Legislativo. Temiam vaias dos servidores grevistas presentes nas galerias da Casa.

Esquema
No melhor estilo “primeiro eu”, os vereadores de Joinville articulam mais uma surpresa desagradável à sociedade a qual deveriam servir. Em meio à Copa do Mundo, quando as atenções estarão voltadas ao futebol, já se discute internamente na Câmara a alteração do horário das sessões. Claro, tudo para atender aos vereadores que estarão em campanha eleitoral (devem ser até nove os candidatos no Legislativo). Com a sessão ocorrendo pela manhã, ou no início da tarde, muito mais tempo e disponibilidade de agenda teriam para pedir o voto do eleitor em encontros comunitários e fazer viagens pela região. Quanto à disponibilidade do eleitor em presenciar as sessões, talvez seja, na visão fosca de alguns, um mero detalhe. O vereador Maurício Peixer (PSDB) já se manifestou contrário à mudança.

DIRETAS

 – Neste sábado tem Stammtisch em Araquari. Começa às 10h e se estende até as 17h. É a tradição alemã em terra que, sabidamente, ama o pagode e o samba de raiz.

– Costa e Silva, Jarivatuba e Vila Nova serão os bairros beneficiados com a construção de três novos CEIs. Garantia é da Prefeitura.

– Enormes carretas estacionadas ao longo do meio fio, em ruas próximas ao binário do Vila Nova, causam transtornos. Não há calçadas. Rua da subprefeitura é exemplo disso.

– Precisava mesmo. Dalmo Claro e João Carlos Gonçalves almoçaram semana passada. Resolvidas rusgas que abalavam os pré-candidatos a deputado estadual do PMDB.

– Será que o tão sonhado sinal wi-fi estará disponível no Centreventos, este ano, para o Festival de Dança?

– Raulino Esbiteskoski, novo presidente da Promotur, assume quando?

– E a reforma administrativa do prefeito Udo Döhler, sai neste mandato ou é plataforma para quando tentar a reeleição?

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