Pão & Vinho

Conheça os tipos de vinho, as características de cada um, as maneiras de harmonizar a bebida com as mais variadas refeições.

Um licor para o doutor Ulysses

Ulysses, entre os outros dois licores – Foto: Tarcisio Mattos

Tarcisio Mattos é jornalista, fotógrafo profissional e editor, com longa experiência no jornalismo catarinense. Ele decidiu trocar a correria das redações por uma vida mais calma e bucólica. E adquiriu, com o também fotógrafo Eduardo Marques, o Sítio Pedras Rolantes, em Alfredo Wagner. Ali, formou um pomar de Clemenules, uma tangerina muito doce, sem sementes, comercializada in natura no próprio sítio.

 A Clemenules ganhou fama e passou a ser transformada em outros produtos. Virou geleia, entrou na produção de uma cerveja especial, de um kombucha e também de um licor artesanal feito na propriedade. Deu ainda origem a um chá no café colonial servido aos finais de semana no sítio, preparado pelo casal Tarcisio e Lu Eicke.

Um novo rótulo

Mattos decidiu ampliar o portfólio de licores. Além do Clémente Rodier, de Clemenules, ele elaborou outro, o Theophrastus, de limão siciliano. Cada edição, com apenas 50 garrafas. O primeiro nome homenageia o criador da Clemenules; o segundo, o grego que descreveu o limão.

Agora, Tarcisio produziu outras 50 garrafas numeradas de um licor de peras. E batizou o caldo de Ulysses, uma homenagem ao falecido deputado Ulysses Guimarães, fanático pela cachaça francesa de peras chamada poire. Ulysses era o capo maior do Clube do Poire, uma pequena confraria de políticos poderosos do extinto PMDB, todos fãs da bebida.

A apresentação do licor é simples e elegante. Um rótulo transparente mostra o perfil do corpo de Ulysses. Provei o licor.

Elaborado 100% com peras orgânicas e álcool de cereais, ele não peca pela doçura excessiva. Tem cor amarelo palha levemente esverdeada. E exala um delicado perfume e sabor de peras maduras. É uma edição para poucos.

 

A vez do Primitivo

Você já ouviu fala do Primitivo de Manduria? Se não, é um vinho elaborada na Puglia, sul da Itália, com a uva Primitivo. Encorpado, macio e redondo, o Primitivo de Manduria é candidato a crescer no gosto dos brasileiros. Apesar de potente, ele é fácil e gostoso de beber. E, à mesa, é companheiro de pratos intensos, como carnes assadas ou grelhadas, queijos intensos, inclusive o gorgonzola.

Origem

A origem da uva Primitivo é polêmica. Estudos recentes indicam ser ela um clone da uva croata Crljenak Kastelanski. Ela teria sido levada à Puglia, o calcanhar da bota italiana, no século XIII. Durante muito tempo, foi associada à Zinfandel americana. Dizia-se tratar da mesma variedade. Análises ampelográficas e de DNA, no entanto, apontaram que ambas são clones diferentes da Crljenak Kastelanski.

Os vinhos

Os vinhos da uva Primitivo são carnudos, concentrados, ricos em notas de frutas negras maduras, acidez e taninos macios. Às vezes guardam um leve açúcar residual. Os Primitivos mais prestigiados são os di Manduria, produzidos na cidade homônima e seus arredores. Essa é uma DOC. Há também o Primitivo de Salento, uma IGT para os vinhos elaborados nessa cidade. E ainda os Primitivos genéricos. Além da Primitivo, a Negroamaro e Malvasia Nera ajudam a edificar o prestígio dos vinhos tintos da Puglia.

Provei um Primitivo di Manduria elaborado pela vinícola Dieci Terre. Conheça as notas de prova.

Primitivo di Manduria 2017 – Dieci Terre – DOC Primitivo di Manduria – Puglia – Itália

O Primitivo di Manduria – Foto: Divulgação Dieci Terre

100% Primitivo. Cor rubi intensa. Fermentação natural com duração de três meses. Passagem de um ano por barricas de carvalho. Aromas frutados, ameixa, curiosas notas cítricas. Muita especiaria, pimenta preta, toques balsâmicos. Potente e redondo no paladar, acidez agradável, taninos doces e macios, final longo e limpo (Italgraal).

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