Pão & Vinho

Conheça os tipos de vinho, as características de cada um, as maneiras de harmonizar a bebida com as mais variadas refeições.

Vinhos florianopolitanos de garagem conquistam sommeliers brasileiros

Atualizado

O cientista da comunicação, Rogério Gomes, reuniu um grupo da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio de Janeiro – ABS-RJ, no restaurante Ostradamus, semana passada. Ele apresentou alguns dos vinhos que elabora na área continental de Florianópolis, na vinícola Quinta da Figueira Vinhos Disruptivos.  Os vinhos impressionaram os sommeliers: tintos frutados e estruturados e brancos intensos, no estilo laranja. Foi uma noite agradável, onde os vinhos brilharam ao lado de pratos de ostras e frutos do mar.

A Quinta da Figueira é uma vinícola de garagem instalada numa casa no bairro do Abraão. Ali, Rogério Gomes, proprietário e enólogo da empresa, elabora 17 rótulos de vinhos com uvas adquiridas de parceiros na serra catarinense e no Rio Grande do Sul. O nome Quinta da Figueira é uma homenagem à centenária árvore existente na Praça 15. Rogério quis dar identidade “manezinha” a seus vinhos. Assim, batizou-os com expressões idiomáticas típicas da ilha de Santa Catarina. Entre os nomes estão “Olhólhó”, “Altos Baita”, “Istepô”, “Bernunça”, “Escambau” e “Zé Perri”.

Vinícola de garagem é um termo que surgiu na década de 1990 em Saint-Émilion, na França. Ali, o então DJ Jean-Luc Thunevin adquiriu uma pequena propriedade de 0,6 hectares. Com as uvas, passou a produzir vinhos numa garagem. Os vinhos ganharam importantes pontuações em guias especializados. O fato marcou o nascimento de um conceito marcado por pequenas produções e estilo próprio.

Gomes é inquieto. É uma espécie de professor Pardal dos vinhos. Busca técnicas e processos inovadores. E produz vinhos diferentes. A última das suas foi colocar uvas Merlot inteiras dentro de um liquidificador, bater e fazer uma massa de cascas e sementes. Esse mosto foi utilizado na fermentação do vinho “Escambau 2018”. O resultado foi um vinho frutado, estruturado e surpreendentemente macio.

O enólogo gosta do estilo laranja, vinhos brancos feitos por processos ancestrais. Os laranjas se caracterizam, entre outras coisas, pela fermentação com a presença das peles das uvas (na enologia moderna, vinhos brancos são fermentados sem as peles). Isso atribui mais estrutura ao vinho. A cor é intensa, decorrente do processo de produção, e pode chegar ao âmbar. Por isso o nome laranja.

Veja as notas de prova de um vinho laranja muito premiado da Quinta da Figueira.

Vinho elaborado 100% com uvas Sauvignon Blanc. Oito dias de fermentação com as cascas das uvas. Estágio de 24 meses em barricas de carvalho.

Cor cobreada, âmbar. Aromas de laranja em calda, geleia de abacaxi, notas de especiarias, gengibre, toques da madeira. Paladar intenso, acidez agradável, macio, longo, sutil tanicidade.

O vinho recebeu 93 pontos no Descorchados 2018, sendo eleito o melhor vinho da serra catarinense pelo respeitado guia de vinhos do Cone Sul.

Vendas pelo site da vinícola www.quintadafigueira.com.br.

Quebra de paradigma

A harmonização entre vinho e comida segue algumas regras tradicionais. Por elas, vinhos brancos e rosados ficam melhores se combinados com preparos leves, como saladas, peixes, frutos do mar e carnes brancas. E tintos caem bem com preparos intensos e carnes vermelhas. Rogério Gomes propôs a harmonização de uma paella com vinhos tintos, no jantar da ABS-RJ. A maioria dos presentes adorou a harmonização do prato com o tinto de Merlot Escambau 2018, macio e frutado. Particularmente gostei mais da combinação com o Altos Baita 2012, um Merlot macio e maduro, redondo, com passagem de 50 meses por barricas de carvalho. O vinho não massacrou, nem desapareceu ao lado da paella. Foi uma experiência diferente e gostosa.

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