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A Ponte Hercílio Luz e os equívocos do governador Moisés

Falta de grandeza, pequenez política ou incompetência? Qualquer das hipóteses não justifica o fato de o governador Carlos Moisés da Silva não ter convidado o ex-governador Raimundo Colombo para a entrega da Ponte Hercílio Luz.

Governador Calor Moisés na inauguração da ponte Hercílio Luz – Foto: Anderson Coelho/ND

Depois que o assunto veio à tona pela imprensa, o Centro Administrativo tenta justificar a omissão alegando o envio de e-mail e telefonemas. No entanto, todos foram desmentidos por Colombo, que seguiu para Lages. Colombo consultou todos os e-mails, whattsapp e assessores para saber se havia recebido algum convite. Mas, não recebeu.

Colombo tomou decisões de alto risco – rompendo com a empresa que fazia a obra e contratando a portuguesa Teixeira Duarte – e garantindo a continuidade da reforma. Foi responsável por mais de 80% das obras, mesmo sendo alvo de críticas de setores da sociedade que achavam este projeto jamais teria fim. Enfrentou dificuldades técnicas e financeiras, mas garantiu a continuidade da reforma.

Visionário

É importante fazer justiça também a Luiz Henrique da Silveira, um visionário que deixou a sua marca projetando Santa Catarina no cenário nacional e internacional como governador e senador. Ousou e conseguiu trazer de Moscou para Joinville a única escola do Teatro Bolshoi fora da Rússia. A partir desta conquista, embora contrariando muitos, enxergou a importância de manter a Hercílio Luz em pé.

Entusiasta da cultura e das artes, reconheceu que a importância histórica da ponte e foi em busca de recursos para a sua recuperação. A partir de LHS a obra ganhou um novo ritmo e continuidade. Outro equívoco do governador Moisés: nem a viúva Ivete Appel da Silveira e tampouco os filhos do ex-governador Luiz Henrique foram convidados para a solenidade.

Público aguardando a reabertura da ponte Hercílio Luz – Foto: Anderson Coelho/ND

Desde que foi eleito, o governador Moisés parece não querer compromisso com políticos, lideranças e empresários. Governa de forma independente, com estilo pessoal, que merece respeito. Porém, não pode ignorar que nosso Estado foi construído por muitas mãos e hoje é referência no país.

Não dá para ignorar o que foi feito até hoje. A Hercílio Luz é um exemplo disso: vários governadores se sucederam e deram continuidade à reconstrução, de forma harmônica e propositiva. Cada um fazendo o melhor possível com os recursos disponíveis. Talvez o governador Moisés, por motivos que só ele sabe, não queira reconhecer o mérito dos seus antecessores, mas a história, com certeza, fará justiça àqueles que trabalharam para recuperar nosso maior monumento.

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