Valores ritmados pela capoeira na Escola Municipal Pastor Hans Müller, em Joinville

Cerca de 60 alunos participam das atividades que ocorrem sempre às quintas-feiras, no ginásio da unidade, das 18h30 às 19h30

Rogerio da Silva/ND

Thiago e Bianca se “enfrentam” no ginásio da escola, cedido para a atividade

De uma arte múltipla como a capoeira, que mistura dança, música, esporte e brincadeira, o professor João Francisco da Silveira, do Grupo Guerreiros dos Palmares, consegue transmitir valores também múltiplos para cerca de 60 crianças da Escola Municipal Pastor Hans Müller, no bairro Glória. Desde maio, João e outros três professores estão ensinando capoeira para os alunos após o horário de aulas no ginásio de esportes da escola. Numa parceria com a direção, o espaço foi cedido para realização das atividades todas as quintas, das 18h30 às 19h30.
“Os pais só têm elogiado a iniciativa. A capoeira gera educação, respeito e disciplina”, comenta o instrutor. Apesar de direcionado aos alunos no contraturno escolar, o projeto é aberto a todos da comunidade e tem caráter beneficente. Para participar das aulas basta fazer a doação de um quilo de alimento e o pagamento de R$ 10 mensais a título de mensalidade. A contribuição é voluntária.
“Nosso objetivo é ajudar a sociedade com um trabalho de inclusão. Queremos que todo mundo tenha acesso a esse tipo de atividade”, destacou João Francisco, informando que os alimentos arrecadados vão compor cestas básicas a serem levadas para famílias carentes.
As aulas para os pequenos seguem as bases de um curso de capoeira regular, com os ensinamentos das partes práticas e teóricas. A diferença é que, para as crianças, as aulas precisam ser mais dinâmicas e atrativas, sem prejuízo nos resultados. “Procuro desenvolver a parte lúdica da capoeira. Ao mesmo tempo em que as crianças aprendem a brincar, também aprendem os movimentos básicos da capoeira.”
A formatura desse primeiro grupo ocorre no dia 24 de novembro, mas a ideia é manter a continuidade do projeto nos próximos anos no local.

Iniciativa aprovada

Além das crianças e adolescentes, os pais também estão aprovando os resultados das atividades. “É um trabalho bastante interessante pela questão da disciplina e da prática de atividade física”, disse Alceu Kersten, 43. Ele aproveitou o período de férias do trabalho para acompanhar a filha Bianca, de 8 anos, nas aulas. “Me ajuda muito a estudar”, conta a menina, que tem talentos de multiatleta. Já fez natação, gosta de andar de patinete e de bicicleta e ainda pratica futebol, além de fazer aulas de violão. “Vou bem em quase todas as matérias”, completou, com modéstia, sobre o desempenho escolar.
Para a mãe do pequeno Thiago, também de 8 anos, as aulas de capoeira têm ajudado a tirar a timidez do garoto. “Ele é mais quieto em casa, daqueles que se escondem das visitas. Mas se é para participar da capoeira, ele vem, se solta um pouco mais”, disse Emilene Mezadri Baartz, 35. Com boas notas na escola, Thiago, ao contrário da maioria dos garotos de sua idade, não gosta de futebol, mas se diz craque em matemática, matéria onde a concentração aprendida na capoeira é importante. Outro benefício que a mãe observa é pelo estímulo aos exercícios físicos. “Hoje em dia, as crianças ficam muito paradas”, avaliou, informando que faz restrição do uso de computador em casa.

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