Lutas e conquistas das mulheres negras embalam desfile da Império Vermelho e Branco

Atualizado

Uma homenagem às lutas e conquistas das mulheres negras. A Império Vermelho e Branco faz um passeio pela história para resgatar a trajetória de guerreiras da África e do Brasil, com figuras marcantes como Nehanda de Zimbabwe, Xica da Silva e Dandara dos Palmares, companheira de Zumbi.

Império Vermelho e Branco homenageia as mulheres negras guerreiras de nossa história – Foto: ND

Primeira escola do Grupo de Acesso a entrar na passarela do Complexo Nego Quirido neste sábado (22), no Carnaval 2020 em Florianópolis, a agremiação é embalada pelo enredo “Pérolas negras, mulheres guerreiras!”, do carnavalesco Onziene Furtado.

A escola de samba do bairro Pantanal, na Capital catarinense, traz 14 alas e duas alegorias. São 750 integrantes da agremiação que resgatam a força das ancestrais africanas.

Adalberto Machado, da Império Vermelho e Branco – Foto: ND

O legado de um povo guerreiro

O desfile começa com o tema “África, berço da humanidade”, com comissão de frente embalada pelos passos da coreógrafa Amanda Gonzaga. Na ala das baianas, as “Terras de Mãe África” trazem a força de um povo fiel aos seus ideais.

O carro abre-alas tem os destaques Jeferson William da Costa (Negro Gê) e Juliana Joy, que representam os guerreiros africanos. O continente também é resgatado com as figuras do sol e de animais exóticos que ali habitam.

As candaces e a rainha Huaçá de Zazau aparecem nas alas 2 e 3. Segundo a agremiação, as candaces exerceram funções políticas, militares, sociais e culturais por volta do século 11 a.C. A rainha Huaçá de Zazau, por sua vez, é homenageada por sua marca na história como grande guerreira (na região onde atualmente é a Nigéria).

Família desfila na Vermelho e Branco – Foto: ND

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira representa as dinastias africanas, com Pytter Sestren e Nicolly Machado Santos da Costa.

As alas 4, 5 e 6 relembram a vida de Nzinga Matamba (de um grupo de guerreiras que formava escudos contra os portugueses comerciantes de escravos), Yaa Assantewa (rainha que lutou grandes batalhas) e Namdi Ka Bhe Bhe (mãe de Shaka Zulu, rei dos zulus na África do Sul, e conselheira na resistência contra colonizadores europeus.

A luta contra os europeus

O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira – Brayan Pinheiros Lipes e Maria Clara Santos – trazem a dor e angústia na luta incansável contra a dominação dos europeus.

Na sequência, a ala 7 mostra Nehanda de Zimbabwe, líder espiritual e que fez parte da luta pela liberdade nos anos 1960 e 1970.

Corte da escola

  • Rainha: Thaluana Teresinha Passos – representando o poder africano
    1ª Princesa: Kamila Santos – a magia africana
    Musa: Rílary Luiza Adriano Do Nascimento – as águas africanas
    Musa Plus Size: Monique Luz – a beleza africana
    Madrinha da Escola: Sthephany Souza Araújo a beleza africana

Corte mirim

  • Rainha: Nauanmy Karoliny Costa – representando a deusa africana
    1ª Princesa Mirim: Maria Luiza Matos do Nascimento – a terra do ouro
    2ª Princesa Mirim: Geovana Vitória Espíndola Patrício – a terra do ouro
    Musa Mirim: Wendlly Vitória Barbosa – a terra do ouro
    Cidadã de Samba: Bianca Vieira – a terra do ouro

Na ala 8, as guerreiras de Daomé tomam conta da avenida para homenagear o exército de mulheres. Segundo a escola de samba, há registros de quase 6 mil guerreiras que lutaram dois séculos na África Ocidental.

Da África para o Brasil

O segundo setor da Império Vermelho e Branco entra na avenida com a “viagem” da África para o Brasil. Nos fétidos porões dos navios negreiros, a dor e a saudade dos entes queridos.

A escola traz nesta parte do desfile a saga de mulheres negras que ficaram marcadas na história de nosso país. Entre elas, Xica da Silva e Dandara dos Palmares, companheira de Zumbi.

Na ala 9, a resistência desse povo é embalada pela bateria. O vermelho predominante destaca o sangue derramado na luta pela liberdade

  • Destaque da bateria: Valter Costa – representando o sangue derramado nas guerras
  • Rainha da bateria mirim: Rauany Nascimento –a herança de Nzinga
  • Madrinha da bateria: Sandra Maria Sestrem – simbolizando a onça, resistência africana
  • Rainha da bateria: Gabriela Machado – representando Xica da Silva

No destaque de passistas, William Alexandre Brito e a representação dos bailes de Xica. Nas alas 10 e 11, as mucamas de Xica e os escravos do engenho.

Guerreiras do Brasil de hoje e de sempre

O terceiro setor representa a luta diária do povo negro por igualdade. A ala 12 resgata as expressões artísticas dos negros, com Magilda da Silva como destaque representando a orixá Yansã – símbolo da força da mulher nas religiões de matrizes africanas.

“Direitos igualitários” é tema da ala 13, com Lu Abreu como destaque. Ela veste as cores do Brasil para representar a história desse povo em nossas terras.

A verdadeira essência do Brasil

Para fechar o desfile, a segunda alegoria representa a luta da mulher negra nos dias atuais. Os destaques no carro mostram suas diferentes funções na sociedade atual e a busca por espaço e igualdade.

O encerramento tem a ala “Amigos da Império”, com membros da agremiação com camisas estampadas com o enredo deste ano, enaltecendo as mulheres negras.

Amigos da Império – Foto: ND

FICHA TÉCNICA

Império Vermelho e Branco

Fundação: 15/11/91
Presidente: Jarrie Sestrem
Diretor de Carnaval: Maria Luiza Dos Passos
Diretor de Harmonia: João Domingos Pereira
Integrantes: 750
Alas: 14
Alegorias: 2
Enredo: Pérolas Negras, Mulheres Guerreiras!
Carnavalesco: Oziene Furtado
Intérprete Oficial: Severo Pereira E Alessandro Tiganá
Autor do Enredo: Oziene Furtado
Compositores: Tiganá, Juninho Zuacão, Leandrinho Lv, Diego Nascimento e Oziene Furtado.

Lutas e conquistas das mulheres negras embalam desfile da Império Vermelho e Branco

Império Vermelho e Branco faz uma homenagem às lutas e conquistas das mulheres negras - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Império Vermelho e Branco faz uma homenagem às lutas e conquistas das mulheres negras - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Escola faz um passeio pela história para resgatar a trajetória de guerreiras da África e do Brasil - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Escola faz um passeio pela história para resgatar a trajetória de guerreiras da África e do Brasil - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Primeira escola do Grupo de Acesso a entrar na passarela do Complexo Nego Quirido neste sábado (22) - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Primeira escola do Grupo de Acesso a entrar na passarela do Complexo Nego Quirido neste sábado (22) - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Agremiação é embalada pelo enredo “Pérolas negras, mulheres guerreiras!”, do carnavalesco Onziene Furtado - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Agremiação é embalada pelo enredo “Pérolas negras, mulheres guerreiras!”, do carnavalesco Onziene Furtado - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

A escola de samba é do bairro Pantanal, na Capital catarinense - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

A escola de samba é do bairro Pantanal, na Capital catarinense - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

São 750 integrantes da agremiação que resgatam a força das ancestrais africanas - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

São 750 integrantes da agremiação que resgatam a força das ancestrais africanas - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Em 1998, a Escola foi convidada a
desfilar na passarela Nego Querido, sendo
campeã em 2009 como bloco e em 2012 como
escola de de samba. - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Em 1998, a Escola foi convidada a desfilar na passarela Nego Querido, sendo campeã em 2009 como bloco e em 2012 como escola de de samba. - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Escola tem como Presidente, Jarrie Sestrem - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Escola tem como Presidente, Jarrie Sestrem - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

O carnavalesco é Oziene Furtado - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

O carnavalesco é Oziene Furtado - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Os compositores do samba-enrego foram Tiganá, Juninho Zuacão, Leandrinho Lv, Diego Nascimento e Oziene Furtado - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Os compositores do samba-enrego foram Tiganá, Juninho Zuacão, Leandrinho Lv, Diego Nascimento e Oziene Furtado - Floripaagil e Demfotografias/Divulgação

Carnaval 2020