Não é não: coletivo lança campanha contra assédio no Carnaval em SC

Atualizado

Para ajudar a inibir o assédio durante o Carnaval em Santa Catarina, o coletivo feminista Não é Não! quer confeccionar  e distribuir tatuagens temporárias contra o assédio durante a folia.

Tatuagem quer inibir casos de assédio durante o Carnaval – Foto: Reprodução/Facebook

As artes trazem a mensagem do projeto — “Não é Não!” — e serão entregues gratuitamente às mulheres nos blocos de rua. A campanha para arrecadação dos recursos está disponível até o dia 16 de janeiro por meio da plataforma Benfeitoria. O objetivo é arrecadar R$ 4.500.

Para distribuir as tatuagens, existirá uma rede de mulheres treinadas em cada bloco participante. “Será uma distribuição consciente. A gente busca conversar, explicar por que é importante tatuar apenas mulheres, toda a questão da rede de apoio. Tudo isso para que o foco do projeto não se perca no meio da folia”, explica Mari do Brasil, embaixadora do coletivo Não é Não! em Santa Catarina.

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Este é o quarto ano do coletivo, que já atuava na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo na luta contra o assédio, na orientação e na conscientização da população.

Em 2020, além de Santa Catarina, o grupo estreia nos estados do Amapá, Espírito Santo, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Sul.

Casos de assédio são alarmantes

O crime de assédio sexual é comum o ano inteiro e em todos os períodos, mas é intensificado durante o carnaval, principalmente pela falsa sensação de que “tudo é permitido”. A mensagem Não é Não! é simples, objetiva e direta, mas ainda muito necessária.

Os números são alarmantes: em 2016 ocorreram 135 estupros por dia. Somente em 2017, uma mulher foi agredida a cada quatro minutos durante o carnaval carioca e no primeiro semestre de 2018 a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência recebeu 73 mil denúncias, através do telefone 180.

Coletivo começou após caso de assédio

Criada em janeiro de 2017 pelo grupo de amigas Barbara Menchise, Aisha Jacob, Julia Parucker, Nandi Barbosa e Luka Borges, o movimento teve início após um episódio de assédio sofrido por uma delas em um ensaio de bloco de carnaval.

Naquele ano foram mobilizadas 40 mulheres que se uniram na arrecadação de R$ 2.784 em apenas 48 horas, que foram usados para a confecção de 4 mil tatuagens, distribuídas gratuitamente pelas ruas da cidade para mulheres.

Em seu segundo ano, o movimento extrapolou os limites do Rio de Janeiro e chegou a mais quatro estados como Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Bahia, tamanha a adesão das foliãs. Hoje o grupo conta com embaixadoras em 16 estados brasileiros e segue crescendo, espalhando a mensagem contra o assédio pelos quatro cantos do país.

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