Crise não inibiu o grande Carnaval em Florianópolis

Ponto alto, no sábado, o Carnaval dos Blocos de Sujos teve um dos maiores públicos de todos os tempos

Rei Momo Ernani Hulk, abrindo os desfiles na Nego Quirido - Carlos Damião
Rei Momo Ernani Hulk, abrindo os desfiles na Nego Quirido – Carlos Damião

Um Carnaval cada vez mais diurno e menos noturno, exceto pelos desfiles das escolas de samba na Passarela Nego Quirido. O grande momento da rua, com dezenas de milhares de pessoas, ocorreu no tradicional sábado dos blocos de sujos, entre as praças Pereira Oliveira e 15 de Novembro e ruas adjacentes. Até a década passada, isso acontecia o tempo inteiro, não apenas durante a tarde e início da noite, com a vantagem de que havia também o Carnaval do Roma e os bailes públicos nos Largos da Catedral e da Alfândega e Avenida Hercílio Luz. Foi na administração de Dario Berger (PMDB), que o Carnaval do Centro começou a ser desmontado e desvalorizado. O comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar era o tenente-coronel Newton Ramlow, que atuou firmemente, junto à prefeitura, para acabar com as concentrações noturnas, por causa da falta de segurança. Em suma, a PM não garantia mais nada. Sendo assim, a decisão oficial foi por acabar com a folia popular central no período noturno.

Uma das alas da Consulado, primeira escola a desfilar no sábado - Carlos Damião
Uma das alas da Consulado, primeira escola a desfilar no sábado – Carlos Damião


GESTÃO NA NEGO QUIRIDO

Na Passarela Nego Quirido, o registro geral de que os desfiles das escolas de samba foram mais pobres em 2017, se comparados com os anos anteriores. A crise atingiu o Carnaval em cheio, ainda que a Liesf (Liga das Escolas de Samba de Florianópolis) tenha se esmerado em manter o brilho da maior festa popular da cidade.

A Passarela em si precisa de gestão específica. A logística, que envolve mais de mil pessoas, de prestadores de serviços a técnicos de empresas jornalísticas e das escolas, além de seguranças privados e públicos, tem que ter uma coordenação geral – alguém encarregado de organizar a movimentação.

Não é possível, por exemplo, que com o extremo calor registrado na noite de sábado e madrugada de domingo, cargas de gelo tenham sido transportadas para a área de camarotes o tempo inteiro, deixando um rastro de água que, inevitavelmente, acabava causando sujeira e exigindo trabalho dobrado do pessoal da limpeza. Por que não um sistema de refrigeração adequado, em cada andar do prédio, onde as empresas fornecedoras possam depositar os sacos de gelo com antecedência?

Sem falar dos banheiros, uma calamidade geral. E lixo, muito lixo jogado pelos cantos, e material de trabalho espalhado pelo chão…

Quem sabe com a mudança de secretarias da prefeitura para a edificação tudo isso possa ser cuidado ao longo do ano?

PLANEJAMENTO PARA 2018

No geral, é preciso dar um desconto para a Setur (Secretaria de Turismo), que pegou o bonde andando. Não houve tempo de a nova equipe planejar adequadamente as providências necessárias. De certa forma, como conversei com o secretário de Turismo, Vinicius De Lucca Filho, o Carnaval de 2017 representou um aprendizado para os profissionais responsáveis pela coordenação da festa. E, ainda da nossa conversa, a conclusão de que, independente da prefeitura, o Carnaval acontece nas ruas porque os foliões se organizam por conta própria, pouco dependendo do poder públco. As falhas de 2017, como a não realização do Berbigão do Boca, do Zé Pereira, do concurso de Rainha do Carnaval, dos Marchódromos, poderão ser corrigidas ao longo do ano. De novo, com planejamento e projetos específicos para captação de recursos. Com tempo, disposição e diálogo constante, tudo pode ser arranjado para que em 2018 voltemos a ter todos os eventos históricos e tão marcantes.

DIVERTIDO E POLITIZADO

Por último, um registro sobre os bairros. O sucesso absoluto do Onodi (Campeche), das festas populares em Santo Antônio de Lisboa, Armação do Pântano do Sul, entre outras localidades, comprova que o nosso Carnaval está muito vivo. Não foi o melhor em 2017, mas ainda assim foi divertido e politizado. Aqui também teve muito “Fora, Temer” e “Diretas já”.