À frente da bateria, madrinhas dão toque especial ao Carnaval

Madrinhas e rainhas desempenham um papel importante nas agremiações, mostrando o samba no pé e o amor pelas escolas

O encanto e fascínio gerados pelo Carnaval podem ser justificados por diversos fatores. A batida dos instrumentos de percussão, o colorido das fantasias e, claro, o samba no pé das madrinhas de bateria. A função de destaque, passou a fazer parte do imaginário sobre a festa.

Thaynara Freitas é a rainha de bateria da Consulado – Foto: Divulgação/ND

Com a evolução das escolas e dos desfiles, uma nova função apareceu: a de rainha dos ritmistas. Junto a corte do samba — que reúne princesas, rei e demais membros da realezas — elas têm função semelhante a das madrinhas.

“A diferença é que as rainhas são escolhidas por meio de concurso, isso acontece com toda a corte. Já as madrinhas são pessoas que a escola homenageia”, comenta a madrinha da Nação Guarani Deize Assunção.

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Deize explica que as madrinhas costumam ficar nos cargos por muitos anos, pois não há a necessidade de concursos para sua escolha. No Rio de Janeiro, o cargo de rainha ficou mais famoso com o aparecimento de celebridades nas quadras.

Com o passar dos anos isso chegou a Florianópolis. Mesmo assim, ainda é possível encontrar nas agremiações madrinhas e rainhas que têm uma verdadeira paixão pelas escolas que representam.

De irmão para irmã

Thaynara Freitas morou por 20 anos no Saco dos Limões. A casa de madeira era dividida entre ela, os pais e o irmão. Além de dividir a rotina no imóvel, todos compartilhavam o amor pela Consulado.

O irmão de Thaynara, Rafael Freitas, era presença certa nos ensaios e acabou influenciando ela própria a entrar no samba. Seu primeiro desfile foi em 2011 na ala das passistas da escola. Atualmente, como rainha ela destaca a importância do papel que desempenha.

“Ser rainha pra mim está além de uma coroa e uma faixa. É sobre você atravessar a cidade com chuva ou sol para estar presente nos ensaios, é conhecer e respeitar cada componente, é sobre saber os sambas da sua escola, é estar em lugares onde a mídia não vai, é conhecer os sambas da sua escola, estar disposta a ajudar no que for preciso para colocar a escola na avenida”, diz Thaynara.

Mesmo morando na Palhoça, ela não se afastou da Consulado. O amor pela escola vermelho e branco cresceu até mesmo em sua família. Sua cunhada é ritmista e a sobrinha desfila pela ala das crianças.

Da bateria para a direção

“Minha relação com o samba é de amor”, diz Deize Assunção. No Carnaval de Florianópolis, ela já desfilou por três agremiações do grupo especial: Os Protegidos da Princesa, União da Ilha e a Nação Guarani. E foi justamente na escola da Palhoça onde ela passou de passista para madrinha e diretora de comunicação.

Deize de Assunção é madrinha e diretora da Nação Guarani – Foto: Rafael de Oxossi/Divulgação

Deize começou a desfilar como passista aos 9 anos, incentivada por um vizinho dirigente da Os Protegidos. Seguiu desfilando por agremiações do grupo de acesso e dos blocos de rua. Até que em 2011 se apaixonou pela Nação. “Eu me dou a escola 100%. Eu me envolvo, luto, mas faço acontecer”, comenta.

No último carnaval, quando a escola palhocense teve como enredo “ Guarani sou teu povo, sou Nação, sou Caprichoso…”, Deize ficou no barracão de segunda à sábado construindo as fantasias. “Não arredei o pé de lá até ficar tudo pronto”, afirma orgulhosa.

A missão para o próximo desfile é especial. Ela será madrinha da escola, função que divide com as atribuições do cargo de diretora de comunicação. Morando a dois bairros de distância do barracão da escola, em um trajeto que leva cinco minutos, ela segue trabalhando intensamente na preparação de mais um desfile.

Paixão herdada pela Copa

A paixão de Renata Rosângela Oliveira pela Copa Lord foi herdada dos pais. Nora Nei e Valdir se conheceram em um dos bailes promovidos pela agremiação do Morro da Caixa e se apaixonaram. Não teve opção, Renata nasceu Copa de “carteirinha”.

Pela Copa Lord, Renata viaja da Austrália para o Brasil – Foto: Divulgação/ND

“Eu morava no Saco dos Limões, meus pais moram lá, mas nós nunca fomos Consulado. Nossa paixão sempre foi a Copa Lord”, diz Renata. Há três anos, ela se mudou para Austrália onde passou a estudar Negócios Internacionais. Mesmo assim, ela garante que as 12 horas de diferença no horário não abalaram em nada sua dedicação ao Carnaval.

Aos 15 anos, Renata foi princesa do Carnaval de Florianópolis, cidadã samba e anos depois Rainha. Esse último, é o posto que assumiu na Copa Lord. Para driblar a distância física, ela se faz presente na escola por meio de ligações e das redes sociais. “Quando eles criam os breaks da bateria, passam para mim para eu aprender a coreografia e chegar aqui pronta”, conta.

Esse ano o Carnaval será especial. Renata chega ao Brasil no dia 4 de fevereiro acompanhada do namorado, um australiano.