Mulheres assumem postos estratégicos no Carnaval de Florianópolis

Talentosas e dedicadas, elas conquistaram seus espaços dentro das agremiações da Grande Florianópolis e abrem caminhos para as próximas diretoras, carnavalescas e intérpretes de samba-enredo

O amor pelo Carnaval supera barreiras, inclusive as de gênero. Em 2020, a maioria das escolas de samba da Grande Florianópolis conta com mulheres em suas diretorias ou em outros postos estratégicos. Elas mostram que lugar de mulher no Carnaval — e em qualquer outro momento — é onde ela quiser e abrem caminhos para as próximas gerações de diretoras, carnavalescas, intérpretes e outras.

Raphaela Perrut é a primeira mulher jovem carnavalesca com título de campeã no Carnaval de Florianópolis com a UIM no Grupo de Acesso – Foto: Anderson Coelho/ND

Carnavalesca de execução na UIM (União da Ilha da Magia), Raphaela Perrut, 39, começou a desfilar em escolas de samba em 1998. A professora de Geografia, Educação Física e Artes passou por diversos setores, ajudou a confeccionar fantasias e alegorias e aproveitou suas experiências para agregar conhecimento.

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A primeira oportunidade para trabalhar com um enredo surgiu em 2004. “O Márcio Schutz, que era carnavalesco da Copa Lord na época, me chamou para trabalhar no enredo sobre a Ponte Hercílio Luz. Eu virei auxiliar-carnavalesca e foi uma grande escola para mim”, lembrou Raphaela. No ano passado, quando a UIM foi a vencedora no grupo de acesso, se tornou a primeira mulher jovem carnavalesca com título de campeã no Carnaval de Florianópolis.

Há oito anos na Nação Guarani, Kris Regina de Souza, 39, está encarando o desafio de ser carnavalesca da escola de samba pela primeira vez. “Antes, meu foco era a ala das crianças, porque eu sou professora. No decorrer das situações, surgiu essa oportunidade”, contou Kika, como é chamada. Sua maior influência no Carnaval foi o sogro, Cacae, que também era carnavalesco.

Kris Regina de Souza,de 39 anos, é carnavalesca da escola de samba Nação Guarani – Foto: Foto Flavio Tin/ND

Além de ser pedagoga no município de Palhoça há 18 anos, Kika atua como arte-educadora em projetos desenvolvidos na associação Pura Arte, do bairro Caminho Novo, e é atriz no grupo teatral Além do Palco. A parte artística do reinado de Momo sempre foi um atrativo para Kika e a expectativa para colocar seu trabalho na avenida pela primeira vez está bem grande.

Muitas outras mulheres estão fazendo história nos bastidores e nos holofotes do Carnaval da Grande Florianópolis. Alguns exemplos são Cherrânea Gama, vice-presidente jurídica na Coloninha; Gi Guedes, intérprete oficial da Os Protegidos da Princesa; Karla Terezinha, diretora de chocalho na bateria da Embaixada Copa Lord; e Vera Susi Rita, diretora de Carnaval na Dascuia.