Guilherme Fiuza

Jornalista e escritor que iniciou a carreira em 1987, no "Jornal do Brasil". Entre outras redações, trabalhou em "O Globo" e revista "Época". Escreve também sobre política para a "Gazeta do Povo".


A melhor homenagem às mães

Vamos sempre prestar atenção a essas joias, para não tomar bode de vez da vida em sociedade

Nesses tempos em que até para vender hambúrguer te empurram alguma lição de vida de 1,99, nessa época esquisita em que virou raridade alguém se expressar publicamente (ou até privadamente) sem tentar afetar uma suposta grandeza humanitária, certas aparições de espontaneidade viraram joia. A milícia politicamente correta trabalha dia e noite há anos para sepultar a sinceridade, o bom gosto e o humor, mas eles ainda resistem.

Mãe e filho – Foto: PixabayMãe e filho – Foto: Pixabay

Vamos sempre prestar atenção a essas joias, para não tomar bode de vez da vida em sociedade. Por isso vale a pena destacar aqui, despretensiosamente, um vídeo desses (também despretensiosos) que circulam por aí com vestígios claros de vivacidade e espírito livre. É sobre o Dia das Mães, e não tem nada a ver com exaltações demagógicas muito comuns nessa falsa ideologização de tudo.

Estamos num cipoal de conflitos inventados, de impasses civilizatórios artificiais (como se não bastassem os reais), numa feira de perseguições por motivos fúteis (fantasiados de nobres, claro) onde a futilidade da motivação vira brutalidade na consumação do ato. Afetar virtudes para chamar o outro de preconceituoso e tentar impedir que ele fale. Parece até aqueles jogos infantis em sala de aula primária, onde a crueldade que surge na criança em relação ao semelhante é percebida e arbitrada pelo professor, para que o instinto bruto seja temperado pela educação. Às vezes parece que o mundo virou uma grande sala de aula primária sem professor.

Mas não na classe que aparece no referido vídeo, onde uma professora faz a chamada para sua aula e pede aos alunos que, em vez de responderem “presente”, digam uma “frase de mãe”. O resultado tem pérolas como as seguintes:

“Vai arrumar seu quarto.”

“Eu vou contar até 3.”

“Não fez mais que a sua obrigação.”

“Leva um casaco que vai esfriar.”

“Se eu for lá e achar, vou esfregar na sua cara.”

“Você não é todo mundo.”

“Desce daí agora.”

“Não me faz me levantar daqui.”

“Quero ver quando eu morrer.”

“Em casa a gente conversa.”

“Tudo sou eu nessa casa.”

“Você me respeita que eu sou sua mãe.”

“Se você não guardar agora, vai pro lixo.”

“Eu não estou pedindo, estou mandando.”

“Pode passar, eu não vou bater.”

“Não me pede mais nada hoje.”

“Você tá igualzinho ao seu pai.”

“Enquanto você estiver no mesmo teto que eu, quem manda sou eu.”

“Vai lavar a louça.”

“Eu não sou seus coleguinhas, não.”

“Sai desse videogame.”

“Se eu sumir dessa casa…”

“Engole o choro.”

“Eu já avisei.”

“Quebra!”

“Baixa essa música.”

“Vai arrumar o que fazer.”

Parabéns à professora e aos alunos. Divirtam-se enquanto é tempo.

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