Araquari 145 anos: tesouro e orgulho às margens do rio Parati

Agricultura, fé, miscigenação cultural e orgulho marcam a história da cidade

Junto às margens do rio Parati, como descreve o hino, se formou uma aldeia, um arraial, uma comunidade, uma freguesia e, enfim, um município. Araquari foi fundada realmente às margens do rio que serviu de nome para o município antes mesmo que ele assim fosse reconhecido, em 1876. Os 145 anos de Araquari carregam uma história de miscigenação cultural e religiosa que formam a capital catarinense do maracujá e uma das cidades que mais se desenvolvem economicamente no Estado.

Araquari nasceu às margens do rio Parati, que hoje é berço do sustento de muitas famílias- Foto: DivulgaçãoAraquari nasceu às margens do rio Parati, que hoje é berço do sustento de muitas famílias- Foto: Divulgação

A cultura açoriana está enraizada no município, mas em 145 anos se misturou com culturas diversas, como a africana e a indígena, já presente na região do “rio de refúgio dos pássaros” quando os portugueses aportaram. Da mistura nasceu uma cidade e uma comunidade que desenvolveu a cidade com amor às tradições e ao povo araquariense.

O resultado é uma cidade que cresce e se desenvolve em ritmo acelerado, principalmente nos últimos anos. Em 2010, a população era de 24.810, uma década depois, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima que o número de habitantes tenha saltado para 39.524. Além da qualidade de vida proporcionada pelo município, o desenvolvimento econômico atraiu os novos moradores.

O rio Parati é berço fundador da cidade, que é o “rio de refúgio dos pássaros” – Foto: DivulgaçãoO rio Parati é berço fundador da cidade, que é o “rio de refúgio dos pássaros” – Foto: Divulgação

Com mais de 384 km² de área territorial, Araquari tem mais de 5 mil empresas instaladas e mesmo em meio à pandemia, entre janeiro e agosto de 2020, 415 novas indústrias, desde as micro e pequenas empresas, até as de grande porte, se instalaram na cidade.

O reflexo é a geração de empregos e um salto superior a 700% no PIB (Produto Interno Bruto). Em 2010, o PIB era de R$ 532 milhões e, sete anos depois, em 2017, o valor já havia saltado para R$ 3,9 bilhões. Se crescem as empresas, cresce o PIB, cresce a oferta e procura por emprego e os números comprovam.

Em 2009, 5.432 moradores de Araquari estavam empregados de acordo com o SIDRA-IBGE (Cadastro Nacional de Empresas), índice que aumentou ano após ano. Em 2017, já eram 13,2 mil trabalhadores com carteira assinada na cidade, um crescimento de 143%. O último dado, de 2018, apontava que entre janeiro e junho, mais de 600 pessoas haviam sido contratadas na cidade e de lá para cá a oferta continua aumentando, com novos postos de trabalho sendo criados a partir da chegada de novas empresas.

Maracujá, agricultura, fé e o amor pela terra araquariense

Mas, nem só de empresas, indústrias e novos prédios e galpões para a chegada de outros empreendimentos vive Araquari. Ao contrário. O amor pela agricultura e pesca a torna famosa. A capital catarinense do maracujá com sua festa que movimenta não só a região como todo o Estado tem na agricultura um de seus alicerces. São mais de 30 produtores com aproximadamente 53 mil plantas espalhadas pelas propriedades rurais da cidade. A safra de 2019/2020 foi de 800 toneladas, com expectativa de superar as mil toneladas entre 2020 e 2021.

Dona Helena é uma das produtoras que fazem de Araquari, a capital catarinense do maracujá – Foto: DivulgaçãoDona Helena é uma das produtoras que fazem de Araquari, a capital catarinense do maracujá – Foto: Divulgação

Uma das responsáveis por manter Araquari com o título que tanto orgulha é Helena Nunes Cândido. Aos 60 anos, ela já comemora 15 morando na cidade depois de deixar Ariquemes, em Rondônia, em busca de uma vida melhor. Aqui se fixou e se apaixonou pelo lugar onde o irmão já morava. O amor pela agricultura cresceu tanto que hoje ela o divide com o neto, Gabriel Araújo da Silva. Há oito anos o maracujá se tornou o centro da produção, que tem, ainda, hortaliças e orgânicos.

Dona Helena, como é conhecida pelos amigos, pedala alguns quilômetros de casa até a roça, onde trata com carinho cada uma das mil plantas que rende, por semana, de 140 a 145 caixas do fruto. E o maracujá de Dona Helena é disputado. “É um maracujá muito bonito, de muita polpa e muito bem cuidado. É bem concorrida a minha fruta, uma fruta de primeira mesmo”, fala.

Depois de 15 anos vivendo em Araquari, Dona Helena admite que reencontrou a felicidade na cidade e na agricultura. O sorriso no rosto e as palavras entusiasmadas não a deixam mentir. “Eu amo plantar, sou agricultora mesmo. Nasci, me criei e trabalho a minha vida toda na roça. Sou feliz, completamente feliz. É uma coisa que eu faço por alegria, felicidade mesmo. Uma coisa que herdei de meus pais e sou muito grata a eles por ter herdado essa parta da agricultura, que é uma coisa abençoada por Deus”, diz.

A festa do Senhor Bom Jesus atrai milhares de devotos e é uma das principais festividades do município – Foto: DivulgaçãoA festa do Senhor Bom Jesus atrai milhares de devotos e é uma das principais festividades do município – Foto: Divulgação

A fé é mais um dos alicerces de Araquari, que além de ser a terra do maracujá, também é abençoada e protegida pelo Senhor Bom Jesus, padroeiro da cidade e que atrai milhares de fiéis todos os anos. É tradição, nove dias antes de 6 de agosto, a matriz começa a se encher ainda mais de araquarienses e devotos que acompanham as novenas antes da grande procissão e do grande dia em honra ao Senhor Bom Jesus. A pandemia interrompeu o encontro presencial dos devotos, mas a devoção continua há mais de 100 anos. A tradição iniciou quando Araquari ainda era chamada de Freguesia do Senhor Bom Jesus do Paraty.

O orgulho de ser Araquari

A pequena cidade cresceu junto com seus moradores e com todos que ela acolheu em mais de 145 anos, desde os tempos que o rio Parati a dava nome. Capital catarinense do maracujá, terra do Bom Jesus, da pesca e lar que abre portas para empresas que se desenvolvem junto com a cidade, Araquari tem os filhos da terra e os filhos que adotou, todos orgulhosos do crescimento que parece andar de mãos dadas. Aos 62 anos, Pedro João Pereira é um dos filhos adotivos de Araquari.

Pedro João Pereira é filho adotivo da cidade que “é tudo para nós”, diz – Foto: DivulgaçãoPedro João Pereira é filho adotivo da cidade que “é tudo para nós”, diz – Foto: Divulgação

Com nove anos de idade ele desembarcou na cidade e assim como ela, cresceu. Escritor de cordéis ele lembra de 53 anos atrás, quando chegou em uma cidade bem diferente dessa que os olhos veem hoje. “Eu tinha nove anos quando vim para cá. Aqui me criei, trabalhei… Na época não tinha luz elétrica nem água encanada, só propriedades rurais e por aqui fomos ficando. Tínhamos uma mercearia, que sempre foi o nosso meio de sobrevivência. Eu me orgulho de morar em Araquari porque foi a terra que nos projetou, que nos recebeu de braços abertos. É a cidade que nos deu sustentação, educação e nos transformou em verdadeiros cidadãos. Araquari é tudo para nós”, fala.

O orgulho é compartilhado pelos araquarienses nascidos na terra que, como reza a lenda, faz quem bebe água da “carioca” sempre voltar para “casa”. Orivaldete Fortunato, de 49 anos, é uma das filhas da terra que voltou para casa depois de 30 anos de ausência. A família foi construída na cidade que ela não pretende mais deixar. “Saí com 45 dias daqui e voltei. Conheci um pescador, me casei e vivemos da pesca até hoje. Então, esse lugar aqui é abençoado. Eu não troco por lugar nenhum. É beira de praia, temos a nossa lagoa, é o lugar onde vivemos, tiramos o nosso sustento das nossas águas, do nosso mar. Araquari é um lugar maravilhoso para morar e eu tenho muito orgulho de ser araquariense”, finaliza.

Orivaldete Fortunato nasceu em Araquari, saiu, mas o amor pela terra a trouxe de volta – Foto: DivulgaçãoOrivaldete Fortunato nasceu em Araquari, saiu, mas o amor pela terra a trouxe de volta – Foto: Divulgação

Araquari cresce, se desenvolve, mas mantém o jeitinho de comunidade unida que se orgulha da cidade, preserva as tradições e é sustentada pelos araquarienses de nascimento e os que escolheram a cidade para chamar de lar.

Parabéns, Araquari. <3
#OrgulhodeViverAqui #145anos