Autonomia e igualdade para um recomeço de vida em Florianópolis

Cursos profissionalizantes possibilitam a reinserção no mercado de trabalho à população em situação de rua na Capital

Pessoas em situação de rua em Florianópolis têm conseguido recomeçar com o apoio da Prefeitura da Capital que, em parceria com a ONG Nurrevi, passou a oferecer cursos profissionalizantes aos acolhidos na Passarela da Cidadania, no Centro. O espaço, denominado Fábrica dos Sonhos, tem por objetivo apoiar a reinserção no mercado de trabalho desses cidadãos em vulnerabilidade social.

Curso de panificação na Passarela da Cidadania – PMF/Divulgação/NDCurso de panificação na Passarela da Cidadania – PMF/Divulgação/ND

Entre os cursos oferecidos estão panificação e confeitaria, barbearia e hotelaria, além de alfabetização, com três meses de duração. As aulas ocorrem na passarela, de segunda a sexta-feira, das 13h às 16h. Ao todo, 80 pessoas estão inscritas nas formações atualmente. Os cadastrados também recebem capacitação para entrevistas de emprego e apoio em oportunidades no mercado.

“O setor pedagógico vem para garantir o direito à igualdade, ou pelo menos para amenizar essas diferenças, oportunizando aos acolhidos uma educação de qualidade e restauradora dos valores humanos na sociedade”, diz a pedagoga Silvana do Espírito do Santo, da ONG Nurrevi, que integra a coordenadoria do projeto Fábrica de Sonhos.

Da autonomia ao recomeço

A ideia do programa foi pensada por toda a equipe técnica que atua na Passarela da Cidadania. A Fábrica dos Sonhos foi lançada em 16 de abril, com a implementação dos cursos profissionalizantes no dia 26 daquele mês. Com 16 anos de trabalho com a população em situação de rua e comunidades carentes do Maciço do Morro da Cruz, Silvana foi quem ajudou a tirar o projeto do papel. O objetivo: novas perspectivas de vida e de trabalho aos acolhidos.

“Há três casos na Passarela em que eles estão fazendo o curso, mas já foram inseridos no mercado de trabalho, com empregos em suas áreas”, comemora a pedagoga. Ela conta que alguns dos acolhidos, inclusive, já participam de estratégias para o retorno a suas famílias. Tudo com apoio dos profissionais da área psicossocial, que traçam estratégias para essa volta ao ambiente familiar.

Para dar suporte na reinserção do mercado de trabalho, a equipe ajuda com a montagem dos currículos uma vez por semana. Também é realizada uma entrevista sobre as aptidões e experiências dos acolhidos para o mercado. Assim, o rendimento de cada um é observado dentro das capacitações, com o encaminhamento para vagas.

Silvana destaca que a ideia principal é compreender quem são as pessoas que estão em situação de rua e, a partir disso, desenvolver suas habilidades cognitivas, sociais, físicas e emocionais.

“Uma compreensão menos estigmatizada, que possibilite a criação de políticas públicas que se adequem às demandas reais dessa população”, destaca a pedagoga. Isso possibilita o desenvolvimento das habilidades e, por consequência, a autonomia dessas pessoas.

Com o apoio, o comportamento dos acolhidos muda, pois se sentem mais preparados para novos desafios. “É um recomeço de vida, da rua para uma nova vida. É gratificante participar da realização destes sonhos”.

Da Nicarágua, ex-acolhido hoje faz parte de projeto

Quando Jorge Berrios saiu da Nicarágua em busca de uma vida melhor no Brasil, não imaginava que precisaria morar em um espaço para população em situação de rua. Formado em pedagogia e com pós-graduação em Ajuda Humanitária, o nicaraguense de 38 anos se viu sozinho, sem dinheiro e sem suporte em Florianópolis.

Jorge chegou à capital catarinense em novembro de 2020 e foi orientado pelo Polícia Federal a buscar ajuda na Passarela da Cidadania. Lá encontrou um teto, alimentação e condições para buscar oportunidades no novo país. Dois meses depois do acolhimento no espaço, ele foi contratado pela ONG Nurrevi em janeiro, e hoje atua como coordenador de turno na Passarela.

Com sua casa alugada no bairro Saco dos Limões, agora Jorge só pensa no futuro: quer fazer mestrado em Ciências Sociais e encontrar uma namorada. Mas a parceria com os acolhidos na Passarela continua: “temos muito parceria e amizade. Recebi muito apoio das equipes, ajuda muito. Agora há mais oportunidades com os cursos profissionalizantes. O Brasil tem muitas oportunidades e consigo agora pensar no meu futuro”, comemora.

Capacitação possibilita que população em situação de rua tenha um recomeço de vida – PMF/Divugação/NDCapacitação possibilita que população em situação de rua tenha um recomeço de vida – PMF/Divugação/ND

Espaço recebe 200 pessoas todos os dias

Durante a pandemia, a Passarela da Cidadania tem recebido cerca de 200 pessoas todos os dias. O espaço oferece quatro refeições diárias, pernoite, banheiros, espaço para lavagem de roupas, guarda-volumes e kits de higiene pessoal. No local ainda há disponível uma pequena biblioteca, atendimento psicossocial, oficinas e doação de roupas.

Os trabalhos desenvolvidos na Passarela acontecem em parceria da Secretaria de Assistência Social com a ONG Nurrevi, além de voluntários e coletivos da sociedade civil denominados “Rede com a Rua”, com doações da Rede Solidária Somar Floripa.

A ONG Nurrevi (Núcleo de Recuperação e Reabilitação de Vidas) atua em 12 projetos sociais, entre eles a Passarela da Cidadania, em que está à frente no atendimento à população em situação de rua em Florianópolis.

<p style=”font-size: 7px;”>Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.</p>

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Prefeitura de Florianópolis

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