Luiz Carlos Prates

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.


Caro leitor, tens alma?

Com alma e coração vamos, certamente, viver a vida!

Ir direto ao ponto faz bem à saúde, se não à saúde, à paciência,
com certeza. E como não sei se a leitora está com tempo de
sobra, vou logo à pergunta: – “Você tem alma, leitora?

Afinal, cara leitora, você tem alma? – Foto: FreepikAfinal, cara leitora, você tem alma? – Foto: Freepik

Não vale dizer – Ô, claro que tenho, quem é que não tem alma? Essa
resposta não vale, ela está assentada sobre o que nos foi ensinado na infância. Passei anos e anos ouvindo sobre salvar a alma, afinal, é a alma que vai para o céu ou para o inferno.

Tem cabimento dizer isso a uma criança? Estupidez refinada. Tudo
inventado por seres humanos. Uma invenção que começou pelo
medo da morte e que foi ao longo do tempo aproveitada por
espertos para ganhar dinheiro com credos “divinos” de todo
tipo.

Esta conversa, leitora, não vem assim do nada, vem de uma
coluna do Nelson Rodrigues que guardei comigo, coisa dos meus
arquivos.

O Nelson, dramaturgo, cronista de jornal, escritor
inesquecível, falando sobre futebol, onde ele também metia a colher, disse que – “Não é a estratégia, o planejamento, o sistema tático que ganha jogos e campeonatos, é a alma”.

Nelson deixava claro que se a alma não vestisse a camiseta do
clube ou da seleção, se a alma não enfiasse o pé na chuteira bem
apertada, neca, peteca, não haveria vitória.

É a alma que ganha jogos. Nelson dizia isso do futebol, leitora, mas isso serve para nós. Todos temos as nossas “camisetas” da vida para vestir, se as vestirmos apenas no corpo, babaus, não vamos atravessar a rua.

Alma é vida, aliás, dizendo isso lembro de uma música cantada
por Los Viñales, uma dupla catarinense que fez sucesso nos
auditórios das rádios de Porto Alegre, quando os conheci. Los Viñales tinham uma música que me foi inesquecível – “Alma, Coração e Vida”.

Bah, com alma e coração vamos, certamente, viver a vida. Mas como disse desde o princípio, sem alma não vencemos os desafios da vida, alma como sinônimo de vontade inoxidável, vergonha na cara e muito suor.

Essa alma está faltando em nossos gramados de futebol e em todas as esquinas das cidades, especialmente nas “esquinas” de Brasília, onde falta alma e sobram safadezas. Safadezas com datas marcadas… É só esperar. Esperar com alma.

AVIÕES

Pessoal de bordo já contou do que anda acontecendo lá em cima. De tudo um pouco. Vou seguido ao aeroporto (negócios) e o que vejo embarcando e desembarcando é de sair correndo, os tipos…

E a bordo desaforos, máscaras nem pensar e língua para os tripulantes. Culpa das empresas. Dá pra dar um jeito: pôr alguns “treinados” na equipe de bordo para “silenciar” os ordinários. Os justos aplaudirão.

FALTA DIZER

Campanha da Fraternidade? Ótimo, que a Igreja reveja seus conceitos sobre igualdades entre homens e mulheres. Por que mulheres não podem oficiar os “sacramentos”.

Sacramentos? Misoginia. E chega de padre gritando na tevê contra o direito das mulheres sobre seu próprio corpo. Elas fazem, “senhor”, o que quiserem com o corpo delas, é delas, o que “quiserem”. Viola no saco, “senhor”!