Com 4 crianças desaparecidas, SC renova esperanças com programa de coleta de DNA

Ação faz parte de uma campanha nacional e será realizada em Florianópolis, Criciúma, Joinville, Chapecó e Lages

Com o objetivo de dar fim a busca e ao drama de familiares de pessoas desaparecidas, o Programa Conecta iniciará, neste mês, uma ação para coletar DNA de parentes de desaparecidos para auxiliar no paradeiro dessas pessoas.

Quatro crianças ainda permanecem desaparecidas em SC – Foto: Divulgação/NDQuatro crianças ainda permanecem desaparecidas em SC – Foto: Divulgação/ND

A captação faz parte de uma campanha nacional e será realizada em Florianópolis, Criciúma, Joinville, Chapecó e Lages, por meio do IGP (Instituto Geral de Perícias), que desenvolve o programa Conecta com o apoio da Delegacia de Desaparecidos, do SOS Desaparecidos, do (GAFAD) Grupo de Apoio aos Familiares de Desaparecidos e do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).

Crianças desaparecidas em Santa Catarina

Ao todo, segundo dados da DPPD/​PCSC (Delegacia de Polícia de Desaparecidos de Santa Catarina), e SOS Desaparecidos, da Polícia Militar de Santa Catarina, há quatro crianças desaparecidas no Estado, duas sumiram em São José, uma em Jaraguá do Sul e outra em Balneário Barra do Sul.

As duas crianças que seguem desaparecidas no município de São José, na Grande Florianópolis, são Diego Póvoas, que sumiu em 01/02/1989, com então 11 anos, e Elicéia Silveira, desaparecida em 18/03/1995, aos 9 anos na época. Os casos continuam um mistério.

Alexandre Felisberto de Almeida desapareceu em Balneário Barra do Sul, no dia 22/08/2004 enquanto brincava com um amigo. Ele era natural de Joinville, e tinha 6 anos na época. Em 2015 foram coletados os materiais genéticos de um homem de 85 anos, que é pai de Alexandre, e da mãe do menino.

Emili Miranda Anacleto, desapareceu no dia 21 de maio de 2014, com 1 ano e 11 meses, após sair da casa onde morava com a mãe, em Jaraguá do Sul, no Norte do Estado, acompanhada do pai.

Segundo o delegado Wanderley Redondo que é responsável pela DPPD, os dados de familiares da menina Emili já estão no banco de dados há algum tempo. Ele acredita que a menina está viva e que algum parente deve estar com ela.

Sobre os casos de crianças desaparecidas antes da tecnologia estar disponível, o delegado afirmou, “Todos os casos em que as famílias permitiram e quiseram fornecer o material, nós já coletamos o DNA, fizemos as análises e jogamos no banco de dados”.

Entre crianças e adultos, cerca de 1.329 pessoas estão desaparecidas em Santa Catarina, segundo dados obtidos no site oficial da DPPD. Todo os casos ainda sem respostas.

“No momento em que não há novas informações, os casos ficam aguardando em espera”, afirma o delegado. “No momento que tiver alguma informação, ou alguma pista nova, nós vamos apurar, e o caso anda. Ele fica aguardando, ele não é arquivado”, finaliza Wanderley Redondo.

Como funciona o Programa Conecta

O programa Conecta tem como objetivo coletar material biológico de familiares de pessoas desaparecidas para inserção dos seus perfis genéticos no BPG/SC (Banco Estadual de Perfis Genéticos de Santa Catarina), em paralelo à criação de um banco unificado contendo os dados biométricos, antropológicos e odontolegais dos desaparecidos.

O delegado Redondo afirma que a técnica de busca a partir de DNA de familiares já é utilizada no Estado desde 2015.  “Em parceria com o IGP nós já estamos fazendo [a coleta] há mais de cinco anos. Agora, em razão da Secretária Nacional de Segurança Pública, será intensificado a nível de Brasil”, comenta. “Santa Catarina é o 4º Estado do país em coleta de material de familiares de desaparecido”, ressalta.

O responsável pela DPPD explica como esses dados são utilizados na localização destas pessoas.

“O material que é coletado dos familiares de desaparecidos é jogado em um banco de dados nacional. No momento em que encontramos uma pessoa falecida, sem documento, ou ossadas, se faz o exame de DNA e joga nesse banco de dados para fazer um cruzamento”, explica Redondo.

Como fornecer dados

Em Florianópolis haverá coleta entre os dias 14 e 18 de junho. Já nos municípios de Criciúma, Joinville, Chapecó e Lages, em 16 de junho, haverá uma reedição do Dia D, já realizado em duas oportunidades na Capital catarinense, quando, além da coleta de materiais biológicos dos familiares, ocorre a entrevista antropológica para conhecer melhor as características de uma pessoa, e o programa de progressão de idade, que simula as mudanças na fisionomia com o passar do tempo.

Os familiares de pessoas desaparecidas interessados deverão agendar o atendimento no site do programa Conecta.

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