Conheça a história de Luis André, fotografado viajando a pé por 15 dias com cão em SC

Ele saiu de Florianópolis com destino a Chapecó; chegou no dia 1º de abril e está na Casa de Passagem onde foi acolhido

A foto de Luis André Cardoso, de 52 anos, empurrando um carrinho de supermercado ao lado de um cão em uma viagem a pé até o Oeste de Santa Catarina comoveu os catarinenses. O registro, feito na semana passada pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), aconteceu às margens da BR-282, em Erval Velho, no Meio-Oeste. Cardoso saiu de Florianópolis com destino a Chapecó, no Oeste, e caminhou por cerca de 15 dias.

Luis foi amparado pela PRF às margens da rodovia. – Foto: Montagem/Reprodução/NDLuis foi amparado pela PRF às margens da rodovia. – Foto: Montagem/Reprodução/ND

Ele contou que havia ido à capital para trabalhar com o cunhado, mas desentendimentos familiares o fizeram voltar à sua terra natal. “Não lembro direito o dia que sai de lá, mas era fim de tarde. Peguei minha mala e sai caminhando com destino a Chapecó”, conta.

Após caminhar aproximadamente 425 km, com descansos intercalados entre as cidades, Cardoso foi amparado pela PRF após ser visto deitado no acostamento ao lado do cão. Os policiais foram acionados por pessoas que passaram pelo local e acharam a situação incomum. Segundo a polícia, o homem estava faminto e alegou ter parado para descansar.

“Eu caminhava bastante durante o dia e a noite eu parava dormir para continuar o trajeto. Naquela noite os policiais me encontraram e disseram que iam entrar em contato com a assistência social para me ajudar, mas eu segui caminhando e fui encontrado no outro dia pela assistência social em Herval d’Oeste”, relata.

A equipe do Serviço de Abordagem Social do CREAS (Centro de Referência de Assistência Social) de Herval d’Oeste, sob coordenação de Bruna V.S. Gastmann, foi quem atendeu o homem no dia 30 de março. Ele permaneceu em um abrigo particular que presta apoio ao CREAS até a última sexta-feira (1º) quando voltou para Chapecó de ônibus.

A passagem foi concedida pelo Serviço de Abordagem Social com recursos destinados para esse tipo de ajuda. Ele foi atendido pelas monitoras Débora Durigon e Tânia Schneider que contaram com apoio da PM de Herval d’Oeste. A equipe prestou auxílio necessário no período em que ele esteve no município.

História de vida

Luis André Cardoso é natural de Chapecó. Nasceu no dia 11 de junho de 1969 e nunca se casou, mas teve três relacionamentos. Durante sua vida trabalhou com diversas profissões, pedreiro, carpinteiro, pintor, entre outras. “O que precisarem eu faço”, diz.

Cardoso chegou a Chapecó no dia 1º de abril. – Foto: Caroline Figueiredo/NDCardoso chegou a Chapecó no dia 1º de abril. – Foto: Caroline Figueiredo/ND

Desempregado há algum tempo, ele foi para Florianópolis a convite do cunhado para trabalhar. De volta a Chapecó, ele pretende colocar a vida em ordem. “Eu quero trabalhar para ter meu canto e viver minha vida”. Há algum tempo, ele perdeu todos os documentos pessoais e, agora, precisa refazê-los.

Além disso, ele conta que sofre com a dependência do álcool há muitos anos e deseja largar o vício. “Eu sei que é um processo difícil e demorado. Já errei muito na minha vida, mas também aprendi e chega um momento que a gente quer algo novo”, afirma Cardoso, que conta ter no passado um histórico criminal o qual cumpriu a pena e pagou o que devia à sociedade.

A chegada em Chapecó

Cardoso chegou a Chapecó e foi direto para a Casa de Passagem onde foi acolhido. Ele recebe cinco refeições por dia – todas definidas por uma nutricionista. Também tem atendimento psicológico, pedagógico e assistência social. Além disso, conta com o auxílio de monitores que permanecem 24 horas na Casa.

A coordenadora da Casa de Passagem, Paula Fernanda Gai, explica que o local conta com quartos femininos, masculinos e de casal, além de banheiros, lavanderia, refeitório e quarto de emergência. A Casa ainda possui um jardim e uma horta que são cuidados pelos acolhidos. Até mesmo os animais de estimação possuem um espaço adequado com casinhas.

“Temos 53 vagas disponíveis, mas em geral a ocupação varia entre 35 e 40 acolhidos, entre homens e mulheres. Aqui eles recebem atendimento necessário e podem permanecer, inicialmente, pelo período de sete dias. Caso aceitem os encaminhamentos e respeitem as normas da Casa, esse período pode ser prolongado”, pontua.

No caso de Cardoso, Paula explica que ele já esteve acolhido por outros momentos na Casa de Passagem. “Ele enfrenta uma dependência química severa e, por isso, nós vamos propor a ele o tratamento adequado no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas). Enquanto isso, vamos auxiliar na questão da documentação dele. Em caso de recuperação, o ajudaremos na reinserção no mercado de trabalho”, acrescenta.

Atualmente Luis está acolhido na Casa de Passagem de Chapecó. – Foto: Caroline Figueiredo/NDAtualmente Luis está acolhido na Casa de Passagem de Chapecó. – Foto: Caroline Figueiredo/ND

Porém, Paula esclarece que para permanecer na Casa ele precisa seguir algumas regras como chegar até às 19h, não entrar alcoolizado e respeitar as normas de convivência do local.

Cachorro é deixado para adoção

O cachorro que acompanhava Cardoso o encontrou em um trecho do trajeto. “Não lembro ao certo a cidade que ele me achou, mas começou a me seguir e não parou mais”, lembra. O novo “aumigo” recebeu o nome de Luisinho e caminhou ao lado do homem até Herval d’Oeste.

“Eu catava latinhas nas cidades que passava, vendia, e consegui comprar um saco de ração para ele e comida para mim. Quando acabava a minha comida pedia em restaurantes ou padarias. O pessoal sempre me ajudava”.

Luisinho está disponível para adoção. – Foto: Montagem/Reprodução/NDLuisinho está disponível para adoção. – Foto: Montagem/Reprodução/ND

O amigo fiel não abandonou Cardoso e só o deixou quando foi encaminhado para adoção em Joaçaba. Ele foi levado para a ONG Bom Para Cachorro que conta com 275 cães para adoção. A presidente da ONG, Terezinha Romanetto, está responsável pelo animal.

“Ele está disponível para adoção, mas nós só aceitamos se a pessoa comprovar que tem condições de cuidar dele. Antes disso, é feito uma entrevista, visitamos a casa e só depois de ter certeza que ele será bem cuidado é que liberamos a adoção. É assim com todos os animais que recolhemos.”

Luisinho aparentemente tem entre três e quatro anos e é um cãozinho feliz e tranquilo. Ele já fez novos amigos e se deu bem com os outros cachorros da instituição. Até mesmo um espaço no sofá da ONG ele garantiu e aguarda feliz por um novo lar.

Ao ver a foto do amiguinho, Cardoso se emocionou ao saber que ele está acolhido. “Dá uma saudade dele. Queria poder buscá-lo para morar comigo. Foi um grande amigo”.

Interessados em adotar o Luisinho podem entrar  em contato pelo Instagram ou Facebook da ONG Bom Para Cachorro.

Relembre

O homem caminhava pela BR-282, em Erval Velho, no Meio-Oeste de Santa Catarina, foi amparado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal). Ele saiu de Florianópolis com destino a Chapecó, onde nasceu, e caminhava há 15 dias. Ao seu lado, estava o cão. Ele andou cerca de 424 km até onde foi encontrado.

Os policiais deram o que comer e beber. A assistência social de Erval Velho foi acionada para dar continuidade à ocorrência. Ficou acordado que seria providenciada uma forma de o homem chegar ao destino e assim ocorreu.

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