Falta de profissionais causa demora nos atendimentos do IML de Florianópolis

Órgão conta com apenas um veículo para remoção de corpos em toda região da Grande Florianópolis

A falta de profissionais e de infraestrutura está causando demora nos atendimentos do IML (Instituto Médico Legal) de Florianópolis. O assunto ganhou destaque após a equipe do instituto, cuja sede fica no IGP (Instituto Geral de Perícias), no bairro Itacorubi, levar cerca de uma hora para recolher o corpo da vítima de um atropelamento na Beira Mar Norte na última terça-feira (20).

IML tem apenas uma viatura para atendimentos na Grande Florianópolis – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVIML tem apenas uma viatura para atendimentos na Grande Florianópolis – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

Segundo o Google Maps, onde a reportagem do Balanço Geral Florianópolis fez uma simulação, o trajeto entre o IML e o local do acidente, perto da Casa d’Agronômica, tem aproximadamente 5 quilômetros e, em condições normais de trânsito, leva entre 5 e 8 minutos para ser completado.

“Ver o ente querido esticado no meio da rua, morto, e sem ter o socorro de imediato. Eu acho que isso é um descaso com o acidentado. O Estado tem que estar presente o mais rápido possível, tão logo aconteça o acidente”, disse o vice-presidente da associação Floripa Amanhã, Salomão Mattos Sobrinho.

Uma alternativa sugerida pela Floripa Amanhã seria ter mais equipes e veículos ou até mesmo uma estrutura do IML no Continente, já que o instituto atende outros municípios da Grande Florianópolis.

A advogada especializada em Direito Público Renata Parreira Baran explica que a falha na prestação do serviço de manejo de corpos, que é considerado essencial e uma responsabilidade do Estado, pode gerar uma ação indenizatória e o caso parar na Justiça.

“A posição do corpo em uma via pública diz respeito não somente à questão da proteção da honra da pessoa que faleceu, mas a sua família. E também a gente aplica questões sanitárias, por deixar um corpo numa via pública por um longo período de tempo”, completou Renata.

Segundo o IML, atualmente a região da Grande Florianópolis conta com três veículos oficiais e oito auxiliares de medicina legal, que atuam na retirada de corpos. No entanto, segundo a diretora do instituto em Santa Catarina, Lilian Brillinger Novello, os três carros não conseguem atuar ao mesmo tempo por falta de profissionais.

“Estamos aguardando o posicionamento do governo do Estado para a aprovação de um concurso público, já que nós temos um déficit de servidores, de auxiliares de medicina legal. Isso deve ocorrer nos próximos dias. O governo já sinalizou favoravelmente”, informou a diretora do IML.

Ainda de acordo com Lilian, já foi aprovado pelo governo do Estado um processo seletivo para contratação temporária desses servidores: “esse processo está em fase de finalização e, nos próximos dias, esses servidores já vão ser distribuídos pelas unidades do IML do Estado”.

Confira na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.

+

BG Florianópolis