Os desafios de fazer jornalismo na pandemia, segundo a equipe do ND+

No dia do jornalista, repórteres e editores do ND+ contam a batalha pela informação e o compromisso do jornalismo de qualidade em meio à pandemia

A realidade da pandemia de Covid-19 trouxe uma série de desafios para o jornalismo do ND+. O distanciamento das fontes, o home office, a maior disseminação de fake news e a manutenção da sensibilidade frente a dor de tantas famílias são algumas das dificuldades enfrentadas diariamente pelos repórteres.

O dia do jornalista é comemorado nesta quarta-feira (7). Nesta ocasião, repórteres e editores do ND+ compartilharam os desafios e a motivação para prestar um serviço essencial aos catarinenses: a informação de qualidade.

Os desafios de fazer jornalismo na pandemia, segundo a equipe do ND+Equipe do ND+ celebra do dia do jornalista, comemorado no dia 7 de abril – Foto: Montagem/ND

A data alude à liberdade de expressão e foi instituída pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa) em 1931, em homenagem a Giovanni Battista Libero Badaró. Jornalista e político, ele foi assassinado pelo Império Português defendendo a liberdade de expressão.

Nesta pandemia, o jornalismo deu o sentido de comunidade enquanto estávamos sozinhos em casa. Fiscalizou abusos e cobrou respostas para este momento delicado da história de Santa Catarina. Os trabalhos do ND+ não pararam nem um segundo.

Dia pesado”

O trabalho do repórter é também noticiar tragédias e perdas, como forma de cobrar respostas, homenagear as vítimas e conscientizar a população de problemas sérios. Cumprir essa função de forma sensível é um desafio grande.

“Todos os dias, precisamos noticiar fatos desoladores, que mantêm o dia pesado até quando já saímos do trabalho. Apesar disso, trabalhar com uma equipe sensível, que permite contar histórias tristes, mas também de esperança, preserva a esperança por dias muito melhores”, afirma Juliane Guerreiro, repórter de Joinville.

“Apesar de o psicológico ficar fragilizado por conta das inúmeras mortes, é necessário manter o equilíbrio e focar. Sair da minha zona de conforto está sendo um aprendizado diário nessa pandemia”, aponta Carolina Debiasi, repórter de Chapecó.

Cumprimentar com o olhar”

A suspensão das entrevistas pessoais é outra barreira que veio com a pandemia. “Quando ouvimos histórias, precisamos nos conectar com as fontes e a entrevista presencial é muito importante. Essa necessidade se intensifica ainda mais quando tratamos de assuntos delicados”, lembra Maria Fernanda Salinet, repórter de Florianópolis.

Este novo cenário exige ainda mais cautela na apuração, segundo Caroline Figueiredo, repórter de Chapecó. “Fomos desafiados a nos reinventar diariamente para levar de forma mais segura o melhor conteúdo ao leitor. Isso comprova a dinamicidade da profissão e a necessidade de profissionais preparados para o novo”.

“Eu sou aquele jornalista que já chego nos lugares cumprimentando, abraçando a todos”, conta Paulo Rolemberg, repórter do Notícias do Dia de Florianópolis. “Aprendi a abraçar e cumprimentar apenas com o olhar ou um soquinho nas mãos”.

Redação em casa

O espaço onde a notícia é feita também mudou. “Nessa pandemia aprendemos uma nova maneira de fazer jornalismo – o home office”, frisa Bruno Benetti, repórter em Florianópolis. Novos aplicativos e ferramentas passaram a fazer parte do nosso cotidiano longe das redações.

A distância e a comunicação online exige ainda mais responsabilidade para manter o nível de excelência e qualidade, pontua a editora Andrea Aparecida, de Florianópolis. “Tudo isso enquanto lidamos com o desafio de estarmos mais comprometidos com a rotina diária, como pais e mães“.

“Além de fazer o nosso trabalho veio a necessidade de preservar a vida e manter o trabalho de qualidade, mostrando tanto as novidades sobre a Covid-19 e as suas consequências, como continuar a acompanhar e mostrar as histórias dos catarinenses”, pontua o editor Danilo Duarte.

“Mesmo assim, este um ano mostrou o quanto o jornalismo e a informação de qualidade são importantes. Mesmo adaptada, a imprensa estará lá para orientar e levar o melhor”, completa Luana Amorim, repórter de Joinville.

Luta contra a mentira

“Existem três grandes desafios durante a cobertura dessa pandemia. O primeiro é a doença em si, que tirou a vida de milhares de catarinenses. O segundo é a conciliação com outras pautas e o terceiro, é o combate à desinformação. Esse, particularmente, tem nos dado bastante trabalho. Infelizmente”, sinaliza João Victor Góes, repórter de Blumenau.

Para Kassia Salles, repórter em Itajaí, este também é um dos maiores desafios. “Nosso trabalho é muito importante pra enfrentar essa pandemia, e um dos maiores desafios é também enfrentar essa ‘epidemia’ de fake news e conseguir levar informação relevante e de qualidade para o público”, destaca.

Trabalho que salva vidas’

Mesmo com todas as adversidades, a motivação para informar permanece. “O jornalismo me move desde pequeno. Hoje não me vejo fazendo outra coisa que não envolva o jornalismo. O trabalho que realizamos pode salvar vidas, pois informação salva vidas” conta Diogo Maçaneiro, gerente de conteúdo digital do ND+.

Para Diogo Souza, repórter de Florianópolis, exercer o jornalismo na pandemia acentuou seu fascínio pela profissão, que é a imprevisibilidade da rotina profissional.

“O bom jornalismo serve as pessoas, instrui, educa e ajuda”, lembra Raquel Schiavini Schwarz, editora de Joinville. “Diante do maior desafio de saúde pública do mundo dos últimos 100 anos, nada melhor do que um jornalismo esclarecedor, que informa e tira dúvidas todos os dias”, completa.

“O que mais me motiva é trazer a informação de qualidade, aprofundada, trazendo aquilo que elas querem saber”, acredita a editora de Itajaí Grazielle Guimarães, que gravou o vídeo abaixo.

Compromisso

Por detrás de todos as mudanças e esforços, permanece o compromisso com a credibilidade e com o leitor. É o que mantém toda a equipe de jornalismo firme, apesar da dureza do momento, acredita Luciana Pereira, editora em Florianópolis.

“A motivação vem pela vontade de levar uma notícia correta, com credibilidade e de fácil compreensão”, acredita também o repórter Marcos Jordão. “A cobertura do coronavírus reforça a necessidade da qualidade, do trabalho bem produzido e minuciosamente apurado”, considera Nícolas Horácio, repórter de Florianópolis.

O editor Gustavo Bruning sintetiza os trabalhos e esforços deste último ano. “Tive o prazer de presenciar a equipe do ND+ dar o melhor de si para desempenhar os papéis que nos foram concedidos: o de informar apropriadamente, muito além dos vídeos aleatórios de WhatsApp e conspirações; o de contar histórias relevantes, com personagens que nos estimularam a erguer a cabeça; e o de expor soluções”.

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