Dia das Mães: os desafios da maternidade em meio à pandemia

Em meio a pandemia de Covid-19, com os cuidados dobrados e o isolamento, lidar com a educação dos filhos mais velhos e a chegada de filhos mais novos se tornou um desafio ainda maior

Junto com a maternidade vem inúmeros desafios. Em meio a pandemia de Covid-19, com os cuidados dobrados e o isolamento, lidar com a educação dos filhos mais velhos e a chegada de filhos mais novos se tornou um desafio ainda maior. A mudança na rotina fez com que muitas mães precisassem se reinventar.

A contadora Maiquele dos Santos já era mãe da Lara, de 3 anos, quando o caçula Augusto nasceu durante a pandemia. Segundo ela, a mais velha gostou de ter a mãe mais próxima quando o isolamento social começou, mas com o tempo sua percepção mudou.

Lara, Maiquele e Augusto – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVLara, Maiquele e Augusto – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

“No início, ela ficou bem contente, porque ‘a mamãe vai trabalhar de casa’, não precisava mais ir para a creche. Achava tudo super divertido. Depois, ela teve um período de rejeição, onde ela já não aguentava mais ficar em casa, longe dos amigos da creche, das professoras”, lembrou Maiquele.

Além da adaptação ao novo cotidiano em casa, sem ir para a escola e ver os amigos, a pequena Lara também teve que aprender a respeitar os horários do home office da mãe. Com muita paciência e dedicação, a menina se acostumou com a nova realidade e a dividir a atenção com o irmão.

Além das bebês gêmeas, Ana também tem Sofia, que precisou de apoio nas aulas online – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVAlém das bebês gêmeas, Ana também tem Sofia, que precisou de apoio nas aulas online – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

Já para a funcionária pública Ana Beatriz Blatt Leal de Mello, a cegonha veio em dobro durante a pandemia. As gêmeas Liz e Helena, de cinco meses, chegaram 11 anos depois de Sofia e em um contexto completamente diferente, sem o apoio da família devido ao isolamento social. Durante o dia, a única ajuda vem da filha mais velha, que também é uma criança e requer atenção. Ela está no sétimo ano e as aulas online exigiram ainda mais da mãe Ana.

“O que precisa ser feito na rua é meu marido que faz e eu fico com elas. É a rotina de casa: cuidar delas, cuidar da casa. A Sofia estava em aula online. Então, eu tentava dar o suporte. Ela retornou à escola semana passada”, contou Ana.

As situações pelas quais Maiquele e Ana estão passando se repetem em muitas casas, especialmente com as restrições impostas pela pandemia de Covid-19. A psicóloga Andrea Moura fez um alerta às mães que estão se desdobrando nesse período difícil: “A gente precisa ser gentil e ter empatia conosco. Não tem problema pedir ajuda, não tem problema não dar conta. Apesar de historicamente nós carregarmos esse estigma de que precisamos ser fortes e dar conta de tudo, não precisamos não”.

Além do dia a dia desgastante, a pandemia também trouxe seu lado positivo. Muitas famílias se organizaram para criar uma rotina mais equilibrada. Foi o que aconteceu na casa da mentora de líderes Shirley Ortiz. As tarefas domésticas foram distribuídas, um novo espaço social foi construído e a Lara, de 14 anos, e a Lissa, de 11 anos, ganharam mais autonomia e responsabilidades.

A família de Shirley ficou mais unidade durante a pandemia – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVA família de Shirley ficou mais unidade durante a pandemia – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

“Para a gente foi um amadurecimento e uma união muito grande, porque a gente passou a fazer mais coisas juntos. A questão de a gente criar uma rotina que, no espaço da casa, fez com que eu agora escolha trabalhar só em home office. A gente aprendeu nesse período de pandemia a aproveitar melhor o nosso ambiente”, disse Shirley.

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