Cacau Menezes

cacau.menezes@ndtv.com.br Apaixonado pela sua cidade, por Santa Catarina, pelo seu país e pela sua profissão. São 45 anos, sete dias por semana, 24 horas por dia dedicados ao jornalismo


É de cortar o coração o número de mendigos nas calçadas e ruas de Floripa

Um quadro da Idade Média nos tempos do metaverso. Como a torcida do Flamengo, só resta clamar: volta Jesus!

– Foto: Marco Santiago/ND– Foto: Marco Santiago/ND

É de cortar o coração o número de mendigos que se acumula pelas sinaleiras e calçadas das ruas do centro de Floripa, mais especialmente no circuito abastado que fica entre a Avenida Mauro Ramos e a Rua Esteves Júnior. Nunca se viu tantos – e também dá para perceber há muitos recém-chegados e, entre eles, alguns com sinais de demência. É um cenário trágico num tempo de frio cortante. E deve-se reconhecer o trabalho excepcional que vem sendo feito há alguns anos pela Assistência Social da Prefeitura, Guarda Municipal e o grupo voluntário DOA, que com respeito e profissionalismo abordam os moradores de rua e tentam encaminhá-los para a Passarela Nego Quirido, onde há comida, banho, cama, agasalho, atendimento para volta à família e encaminhamento para o trabalho. Mas pelo menos metade dos que são abordados recusam a assistência e muitos durante o dia vão às sarjetas para pedir dinheiro que acaba na mão do tráfico. É um histórico dilema humano, a miséria envergonhando a fortuna, um quadro da Idade Média nos tempos do metaverso. Como a torcida do Flamengo, só resta clamar: volta Jesus!

Aliás, fui tomar um café hoje por volta das 8 horas no posto de gasolina na ao lado do Beira mar shopping. Tinham uns dois ou três na porta da entrada. Um veio pedir dinheiro para comprar uma passagem, tinha saído da penitenciária. Disse que me via na penitenciária.  E não ia embora nunca. Ameaçou os funcionários dizendo que tinha uma arma na cintura. Pediu um maço de cigarro e um isqueiro. Ganhou. Mas quando sai já eram quase dez pedindo de tudo. Comida, café, dinheiro… Todos jovens. Uma tristeza. Mas uma chatice também, porque não dá para atender a todos.

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