Ajos confirma oficialmente cancelamento da 21ª Festa da Solidariedade em Joinville

Em tom de desabafo, Amanda Pickler, presidente da associação, destacou que falta de apoio financeiro inviabiliza realização do evento

Em comunicado oficial divulgado nesta segunda (7), a Ajos (Associação Joinvilense de Organizações Sociais) confirmou o cancelamento da 21ª edição da Festa da Solidariedade, prevista entre os dias 30 de maio e 1º de junho, em Joinville. Em tom de desabafo, Amanda Pickler, presidente da entidade, informou que a falta de apoio financeiro inviabilizou a organização do evento para este ano.

Carlos Júnior/Arquivo/ND

Em 2013, foram 32 entidades participantes na Festa da Solidariedade

“É difícil tomar esta decisão, mas não temos como realizar a 21ª Festa da Solidariedade sem o aporte de recursos públicos ou de outros patrocínios, tendo em vista as entidades associadas também estarem passando por dificuldades e sem condições de assumir o custo da mesma”, lamentou. Tido como o maior evento filantrópico do Sul do país, a Festa da Solidariedade foi realizada por 20 anos consecutivos, com o apoio dos governos estadual e municipal e de parte do empresariado da cidade.

A festa sempre foi uma das principais fontes de recursos para as entidades associadas, que tinham no evento a oportunidade de divulgar suas atividades e levantar fundos com a venda de produtos para manter os serviços prestados à comunidade, entre projetos de saúde, educação e assistência social. Em 2013, 32 entidades participaram do evento e dividiram a arrecadação de R$ 245 mil, resultado de sorteios e vendas nos estandes. “Esses valores, com certeza, irão fazer falta em 2014”, disse Amanda.

Ela lembrou que o trabalho feito pelas entidades sociais preenche a lacuna deixada pelo poder público para garantir o atendimento das necessidades mais essenciais dos cidadãos em diversas áreas. Nas atividades, a ação de centenas de voluntários tem sido fundamental para minimizar os custos. “São pessoas que dedicam seu tempo, seu conhecimento e também parte de seus recursos para atender quem procura cada uma das entidades. Se, por acaso, (o trabalho) fosse realizado pelo poder público, teria um custo muito mais elevado”, observou.

“Elogios não pagam as contas”

Conforme Amanda, algumas entidades mantém convênios com o município ou com o Estado, mas os valores dos repasses são insuficientes, sendo necessário buscar outras fontes de recursos. O apoio, no entanto, precisa ir além dos costumeiros elogios e depoimentos favoráveis ao trabalho desenvolvido pela Ajos e pelas entidades, segundo destaca. “Precisamos lembrar que elogios e parabéns fazem bem, aquecem nosso ego, mas não pagam as contas”, frisou.

A presidente da associação ainda aproveitou para esclarecer alguns apontamentos, como o de que, em ano eleitoral, as entidades sociais costumam receber muito dinheiro. “É exatamente o contrário. O que ouvimos é que, por ser um ano político, as entidades não podem receber dinheiro, a não ser aquele já contratado em ano anterior”, explicou. Se há impedimentos por recursos públicos, Amanda também relata a falta de apoio das pessoas em geral. “Ainda encontramos algumas almas bondosos que apoiam este trabalho mas, no geral, temos sempre muitas respostas negativas e desculpas bem preparadas”.

Entidades preocupadas

De acordo com Paulo Sérgio Suldovski, presidente da Ajidevi (Associação Joinvilense para a Integração do Deficiente Visual), a entidade pode sofrer corte de pessoal e ter serviços restritos em função do cancelamento da festa. Segundo ele, apesar de a entidade sobreviver com convênios, doações e eventos próprios, a arrecadação da Festa da Solidariedade era usada para cobrir despesas com encargos sociais no fim do ano, como férias e pagamento de 13º salários, que somam cerca de R$ 20 mil.

“Não havendo a Festa da Solidariedade, a gente não tem a menor ideia de como vamos fazer para cobrir esses encargos sociais. Isso vai refletir no nosso atendimento, pois é basicamente R$ 20 mil que a gente não sabe de onde tirar”, disse, lembrando que a festa está no calendário oficial de eventos do município. Preocupado, ele ainda acredita que a situação possa ser revertida, com a mobilização das entidades junto com o poder público. “Tomara que a gente consiga, todo mundo junto, reverter esse quadro”.

Prefeito vai articular solução

O prefeito Udo Dohler informou que deve falar com o governador na próxima segunda-feira, quando Raimundo Colombo estará novamente em Joinville, para levantar a questão e buscar uma solução. De acordo com o prefeito, a Prefeitura sempre foi muito sintonizada com a Ajos mas, segundo observou em reunião com representantes da entidade, o município também tem suas limitações.

Para Udo, o tempo está muito curto para tentar reverter a decisão mas considerou que haverá um esforço nesse sentido. “É um desconforto que a gente vem sentindo e, quem sabe, a gente ache uma solução ainda”, comentou. O prefeito também ressaltou que o município continuará dando apoio a todas as instituições que atuam na cidade. “Boa parte delas já está sendo amparada pelo município”, disse, em referência aos convênios existentes.

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