Entidades questionam cancelamento dos desfiles das escolas de samba em Florianópolis

Nesta terça-feira (4), o prefeito da Capital publicou nas redes sociais que o desfile das escolas de samba seria suspenso, assim como outras festas tradicionais do Carnaval

O cancelamento dos desfiles das escolas de samba de Florianópolis pegou muita gente de surpresa. Este é o segundo ano que o evento não vai acontecer e entidades ligadas ao Carnaval estão questionando essa decisão.

Entidades questionam cancelamento dos desfiles das escolas de samba em Florianópolis – Foto: Flavio Tin/Arquivo/NDEntidades questionam cancelamento dos desfiles das escolas de samba em Florianópolis – Foto: Flavio Tin/Arquivo/ND

Berbigão do Boca e Enterro da Tristeza já haviam cancelado seus eventos. Nesta terça-feira (4), o prefeito da Capital publicou nas redes sociais que o desfile das escolas de samba também seria suspenso.

Segundo o secretário de Cultura de Florianópolis, Ed Pereira, “o Carnaval da passarela não se faz da noite para o dia. A gente não pode ficar sonhando que vai ter o desfile e daqui a pouco esse crescimento acontece, piora [a situação da pandemia] e prejudica todo o investimento das escolas”.

Mas a decisão de cancelar o desfile pegou as escolas de samba de surpresa. O representante legal da Liesf (Liga das Escolas de Samba de Florianópolis), Bernardo Pessi, disse que “houve uma indignação grande. Especialmente porque, além da forma como essa notícia foi repassada adiante, também não se viu uma equidade em relação ao resto dos eventos que tem para acontecer no verão de Florianópolis, que já aconteceram e que ainda vão acontecer”.

As escolas já tinham escolhido seus enredos e estavam fazendo ensaios, com muitas coisas prontas para o desfile.

“Todas as escolas estavam trabalhando, todas têm enredo e estavam ensaiando suas baterias, chegaram a fazer contratos com carnavalescos, prontos para tocar esse barco adiante. evidentemente, as escolas não param seus trabalhos. As escolas de samba têm um trabalho social e educacional que funciona durante o ano inteiro. Isso não vai parar. E da mesma forma, os presidentes junto com a Liga vão continuar se reunindo semanalmente para criar uma estratégia de um cronograma ainda pro primeiro trimestre de 2022”, contou Pessi.

O cancelamento das festas públicas mexe não só com as escolas de samba. Na loja de fantasias e adereços onde Luciane Alves é gerente, o Carnaval é o carro chefe. É a festa que mais movimenta as vendas. Mas a possibilidade de cancelamento já estava nas previsões e, por isso, não houve grandes investimentos em estoques.

Luciane disse que a loja “já tinha um planejamento, dois planos, com o Carnaval público e as festas patrocinadas pela prefeitura, assim como um cenário sem esse Carnaval. Então, agora, a gente vai direcionar para esse cenário que a gente já tinha estudado, que são os eventos fechados, os eventos que vão respeitar a portaria do Evento Seguro”.

A expectativa agora é para as vendas de fantasias e acessórios para festas particulares, sendo o foco maior nas crianças. De acordo com Luciane, a loja “já vinha investido há muito tempo mais nas fantasias porque o pessoal gosta até de dar de presente para as crianças. Então, a parte de Carnaval de fantasia infantil completa a gente investe. Agora, o adulto é só acessório mesmo”.

Escolas de samba geram em torno de 2.500 empregos diretos e mais de 4 mil indiretos – Foto: Rony Costa/Divulgação/NDEscolas de samba geram em torno de 2.500 empregos diretos e mais de 4 mil indiretos – Foto: Rony Costa/Divulgação/ND

Estima-se que as escolas de samba gerem em torno de 2.500 empregos diretos e mais de 4 mil indiretos. Paulinho Trindade é presidente da Aprofis (Associação dos Profissionais de Carnaval de Florianópolis), trabalha com Carnaval há anos e, como carnavalesco, já estava nos preparativos para o desfile, mas com o cancelamento as atividades foram suspensas e todos os profissionais que trabalham com ele também pararam de produzir.

“A associação vê isso com muita tristeza porque envolve muitas famílias, muitos profissionais, aderecistas, escultores, serralheiros, desenhistas, artesãos, a gama é muito grande. Eu sempre digo, cada escola contrata aí 150, 200 profissionais sem contar os indiretos. E isso aí vai prejudicando muitas famílias. As pessoas dependem disso aí”, lamentou Trindade.

Para alguns, realizar o desfile em outra época do ano não seria viável, já outros acreditam que poderia ser uma opção para não deixar o Carnaval morrer.

Segundo Pessi, “esse tipo de hipótese acontece todo o ano, todo o Carnaval há esse tipo de conversa. Do ponto de vista das escolas de samba, isso é bastante inviável. É muito difícil. Florianópolis é uma cidade que fica frio conforme vai se aproximando do inverno, além de outros empecílhos”.

Já o carnavalesco Trindade, acredita que “90% dos profissionais do Carnaval gostariam que saísse mesmo em março. Eu apoio totalmente porque é a nossa cultura e ela não pode morrer. O nosso medo é não faz esse ano, já é o segundo ano consecutivo, e o ano que vem como vai ser? Vão acabar escanteando de novo, vai acabar que a gente não vai ter Carnaval de novo. Aí não dá”.

Eventos particulares

O prefeito Gean Loureiro falou sobre o cancelamento das festas públicas durante a temporada de verão e o Carnaval em entrevista ao BG Floripa. Segundo ele, o Município está “cancelando todas as festas que tem investimento de recurso público promovidas pela prefeitura”.

“Os eventos privados, nós não vamos cancelar nesse momento. Vamos avaliar o momento epidemiológico, se tá faltando leito, se tem internação e fazer uma coisa de cada vez. Não podemos também, tendo crescimento nesse momento, cancelar um evento lá em fevereiro, onde não se sabe como vai tá, gerando desemprego, desestimulando nossos investidores nesse momento que buscam a retomada econômica”, finalizou o prefeito.

Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.

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BG Florianópolis

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