Equipe somente de mulheres faz coleta de lixo no Dia da Mulher em Florianópolis

Segundo Comcap, esta é a temporada com o maior número de mulheres na história da equipe, que conta com duas motoristas e 33 garis

O roteiro de coleta da Comcap desta segunda-feira (8) vai ser um pouco diferente. Com o Dia Internacional da Mulher, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Florianópolis preparou um itinerário com uma equipe exclusivamente feminina. Uma motorista e três garis vão fazer a coleta no bairro Campeche, no Sul da Ilha de Santa Catarina.

Rafaele Terezinha dos Santos, Elaine Bernardo e Geovana Duarte Farias fazem parte da equipe feminina da Comcap – Foto: Adriana Baldissarelli/Divulgação SMMA/PMFRafaele Terezinha dos Santos, Elaine Bernardo e Geovana Duarte Farias fazem parte da equipe feminina da Comcap – Foto: Adriana Baldissarelli/Divulgação SMMA/PMF

Esta foi a maneira encontrada pela autarquia para homenagear a presença de mulheres nessa atividade que é uma das mais masculinas até hoje. “Foi o que elas quiseram e mulher pode fazer o que quiser”, afirmou o secretário de Meio Ambiente, Fábio Braga, que foi inclusive desafiado a participar do roteiro.

A Comcap informou ainda que esta é a temporada de maior presença das mulheres na coleta de resíduos na Capital catarinense. Estão trabalhando 33 garis, 14 efetivas e 19 temporárias, e duas motoristas de caminhão compactador.

Rafaele Terezinha dos Santos trabalha na autarquia há 12 anos. Ela lembra que, quando fez o concurso, pensou que estava concorrendo à vaga de auxiliar operacional, mas na realidade foi chamada para o cargo de gari de coleta.

Apesar da diferença entre os postos, Rafaele é grata pela sua história na empresa. “Tudo que tenho devo à Comcap, até minha família”, diz. Ela tem três filhos e o marido, Jean Renê Coelho, também é da Comcap.

Orgulho do uniforme

Mesmo que o uniforme tenha sido pensado principalmente para o uso de profissionais homens, as mulheres da Comcap têm muito orgulho de usá-lo. “Chegou a hora de morfar”, é como elas lidam com a hora de vestir o traje.

De acordo com as garis, depois de algumas horas de trabalho, por conta dos vapores que saem do caminhão e do suor, o cabelo fica duro. “A gente tem de reforçar cremes, xampu, condicionador, hidratante, se quiser se cuidar”, revela Elaine Bernardo. Ela é professora de educação infantil e cumpre a 12ª temporada na Comcap.

Elaine lembra que, na coleta, as primeiras mulheres eram olhadas com estranhamento, porque iriam “amarrar” os roteiros. “Hoje já me veem como temporária- efetiva, eles me respeitam.”

Elaine tem três jornadas de trabalho, de manhã é auxiliar de sala na rede municipal de Florianópolis, à tarde gari da Comcap e ainda revende roupas e cosméticos.

“Tenho três turnos de trabalho, três filhos, uma neta, marido e 38 anos”, resume Elaine. Ela gosta de trabalhar como gari porque é ao ar livre, quando cumpre a tarefa, está pronta, não leva “trabalho nem frustração pra casa”.

Esta é a temporada de maior presença das mulheres na coleta de resíduos na Capital, segundo Comcap – Foto: Adriana Baldissarelli/Divulgação SMMA/PMFEsta é a temporada de maior presença das mulheres na coleta de resíduos na Capital, segundo Comcap – Foto: Adriana Baldissarelli/Divulgação SMMA/PMF

“A gente vai dominar o mundo”

Nesta temporada há duas mulheres motoristas de coleta na Comcap. Liliana Costa, inclusive, trabalha com os novos compactadores de maior porte e câmbio automático.

Segundo a autarquia, a presença das motoristas possibilita organizar roteiros exclusivamente femininos. “É minha segunda temporada. Estar aqui como motorista é maravilhoso, eu amo fazer isso. É mostrar que nós, mulheres, podemos estar onde quisermos, fazendo o que quisermos. Todas temos nosso lugar no mundo”, aponta Liliana.

“Quando conseguimos fazer um roteiro só de mulheres, fazemos no nosso ritmo. É bem divertido”, aponta Elaine. Ela até provoca: “Acho que os meninos têm receio de perder para a mulherada. Mas é bom se acostumar, porque a gente vai dominar o mundo”.

Servir à cidade

Esse clima amigável e familiar da Comcap também é destacado por Geovana Duarte Farias, que passou no concurso de temporária pelo quarto ano.

Embora já tenha ouvido coisas preconceituosas como “lugar de mulher é na vassoura, não atrás de caminhão”, Geovana diz se sentir respeitada na profissão. Na rua, acrescenta ela, quando o usuário percebe que tem mulher no caminhão de lixo, a reação ainda é de espanto. Mas ela esclarece que dentro ou fora do caminhão, “lugar de mulher é onde ela quiser, não tem barreira pra mulher, o que ela quiser, consegue”.

Recentemente, Geovana arriscou-se para retirar de dentro da concha do caminhão compactador um pacote com R$ 25 mil que o cidadão havia descartado por engano. “É assim que a gente trabalha aqui: procurando ajudar o próximo. A Comcap sempre foi a favor da comunidade, ajudar no que for possível”, conta.

O maior desafio para o Dia Internacional da Mulher, lembra Rafaele, é cuidar de si mesma.

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