Fabio Gadotti

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“Estão criminalizando a pobreza”, diz padre Júlio Lancellotti sobre combate às esmolas

Religioso que abriu polêmica ao criticar campanhas de prefeituras, inclusive em Santa Catarina, fala sobre políticas públicas voltadas aos moradores em situação de rua

O padre Júlio Lancellotti, que atua em projetos voltados à população de rua na capital paulista, provocou polêmica ao criticar prefeituras que lançaram campanhas para desestimular a doação de esmolas.

Ele citou iniciativas de municípios catarinenses, como Tubarão, Itajaí, Balneário Camboriú e Florianópolis. Lancelotti falou sobre o assunto com a coluna nesta terça-feira (30).

Padre Júlio Lancellotti: “A população de rua é bastante heterogênea e deve ter diferentes respostas para diferentes situações” – Foto: Divulgação/NDPadre Júlio Lancellotti: “A população de rua é bastante heterogênea e deve ter diferentes respostas para diferentes situações” – Foto: Divulgação/ND

Por quê considera que as campanhas que desestimulam esmolas caracterizam aversão aos pobres?
Essas campanhas, na verdade, estão criminalizando a pobreza e os pobres, como se eles estivessem nas ruas por causa de esmola – e que isso fosse suficiente para que tivessem uma vida de altíssimo padrão como aqueles que mandam colocar as placas.

Elas não estão nas ruas por causa das esmolas. As pessoas que estão nos semáforos são muito humilhadas, ofendidas e, muitas vezes, tratadas com extrema indiferença, como se fossem invisíveis.

Defensores das campanhas dizem que as esmolas contribuem para que as pessoas fiquem mais tempo nas ruas.
Sugiro que eles tirem um dia só da semana e passem oito horas num semáforo, debaixo do sol quente, sem acesso à água e sem alimentação adequada, para ver quanto conseguiram de esmola. E se foi o bastante e o suficiente sugiro que saiam do emprego e peçam esmola na rua. Talvez seja um negócio muito bom esse e a gente não tenha percebido ainda.

De modo geral, como tem visto as políticas públicas voltadas a moradores em situação de rua?
As chamadas políticas públicas para essa população são de tutela. Não trabalham com autonomia.

A população de rua é bastante heterogênea e deve ter diferentes respostas para diferentes situações: casais com filhos, mulheres com crianças, grupo LGBTQIA+, pessoas com doenças mentais, pessoas que precisam de tratamento, que querem voltar para suas famílias e pessoas que necessitam de trabalho.

É preciso conhecer essa população antes de julgá-la.

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