Fisioterapeuta de UTI em SC relata as tristezas da linha de frente na pandemia

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Ellen Santana tem, entre outras tantas responsabilidades, a função de intubar os pacientes no momento mais difícil do tratamento contra o novo coronavírus

A trajetória da Covid-19 é expressa em números pelas autoridades. Um percentual de infectados, outro de mortes, mais um de ocupação das UTIs. Mas para quem está na linha de frente da pandemia, é uma montanha-russa de sentimentos.

Primeiro, a incerteza com uma doença totalmente nova. Depois a esperança com os estudos para as vacinas, seguida pelo desânimo de ver tantas vidas perdidas, além da impotência diante do inevitável. Por fim, o cansaço, que predomina depois de um ano de batalhas contra o vírus.

É com esta fusão de sentimentos que convive a fisioterapeuta Ellen Santana, do Hospital Santo Antônio, em Blumenau, no Vale do Itajaí.  Uma jovem de 33 anos que tem a difícil missão de auxiliar na intubação dos pacientes que chegam com quadros graves aos leitos de terapia intensiva.

Ellen é uma das fisioterapeutas que está na linha de frente de combate à Covid-19 – Foto: Gabriela Milanezi/NDTVEllen é uma das fisioterapeutas que está na linha de frente de combate à Covid-19 – Foto: Gabriela Milanezi/NDTV

Aliás, os minutos que antecedem esses procedimentos são os mais marcantes para ela, pois o paciente tem medo, sabe que a situação é grave e existe chance de morte. É um momento de aperto de mão e olho no olho, que mais do que técnica, exige força – física e psicológica.

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“Isso mexe muito comigo. No final do ano passado tive um desgaste emocional forte, tive insônia e pesadelos. Acordava com flashes desses momentos: aquela pessoa te olhar com medo, você saber o que ela está pensando e não poder dar garantia nenhuma. E muitas vezes te perguntam: vou morrer? E você não tem o que responder”, conta.

O espírito guerreiro e forte da mulher, no ponto de vista da fisioterapeuta, são fundamentais no enfrentamento da pandemia. Atualmente, no momento mais complicado da Covid-19 em todo o Estado, ela se apega às pequenas vitórias do dia a dia para seguir na missão de salvar vidas.

O caminho rumo à desejada normalidade ainda será longo até a imunização chegar à maioria das pessoas, mas não esbarra apenas no que se refere à estrutura pública de saúde. Para ela, a desinformação é um problema.

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“As pessoas veem na televisão que os hospitais estão lotados e acham que a mídia está ‘sensacionalizando’, que os profissionais da saúde estão querendo implantar terrorismo, quando na verdade é a nossa realidade. E o fato delas não acreditarem, nos deixa bastante desanimados”, desabafa.

Mas, para além do cansaço acumulado no dia a dia dentro do hospital, de frente para o vírus, Ellen percebe que a força da mulher faz com que ela – e tantas outras que formam a maior parte da mão de obra da Saúde – não desistam.

“O recado que eu posso deixar para todas as mulheres é que continuem guerreiras, que encontrem nas pequenas vitórias que a gente tem a força para continuar. Nós temos um longo caminho pela frente, estamos vivendo o pior momento e não sabemos o que está por vir, então que a gente possa encontrar a força necessária para continuar nessa luta”, finaliza.