Joinville 170 anos: uma cidade de tudo e de todos

Maior cidade de Santa Catarina se destaca em diversos setores e ainda abre espaço para acolher quem busca oportunidades por aqui

Cidade da dança, das flores, dos príncipes e das bicicletas, a Manchester catarinense. Títulos não faltam para Joinville, que completa 170 anos neste dia 9 de março. 

Embora o príncipe nunca tenha pisado em solo joinvilense e um mutirão de embelezamento esteja sendo feito para devolver as flores à cidade, a verdade é que Joinville poderia carregar ainda mais títulos do que esses. 

Afinal, estamos falando de uma cidade versátil e plural, não só em relação às várias atividades que fazem sucesso por aqui, mas também aos responsáveis por elas, vindos de vários lugares do Brasil e do mundo.

A Joinville de tudo e de todos completa 170 anos neste dia 9 de março – Foto: Arte/Grupo NDA Joinville de tudo e de todos completa 170 anos neste dia 9 de março – Foto: Arte/Grupo ND

E é para celebrar essa Joinville de tudo e de todos que o ND+ reuniu algumas das vocações da cidade e trouxe uma fala do prefeito Adriano Silva sobre o município neste dia em que a maior cidade de Santa Catarina completa mais um ano de vida. Confira!

Joinville dos talentos no esporte

É bem verdade que a pandemia obrigou os torcedores joinvilenses a assistirem os times da cidade de longe. Mas também é verdade que esses mesmos torcedores já puderam ver suas equipes brilharem em muitas ocasiões, desde os tempos de Ernestão e Ivan Rodrigues até hoje, seja na Arena Joinville, seja no Centreventos Cau Hansen ou em competições de atletismo.

Desde os idos de 1976, o JEC faz suas façanhas: é octacampeão estadual, vencedor das séries C e B do campeonato brasileiro e chegou ao maior escalão do futebol nacional. Já nas quadras, o JEC/Krona é destaque em todo o país, tendo em sua sala de troféus a taça da Liga Nacional, da Taça Brasil e de vários estaduais. O Basquete Joinville, por sua vez, é um dos fundadores do Novo Basquete Brasil (NBB) e já encheu o torcedor de orgulho diversas vezes.

No atletismo, Joinville se destaca pelo talento e habilidade de seus atletas em diversas modalidades. A velocista Ádria Santos fez história como tetracampeã paralímpica e o paradesporto continua rendendo medalhas por aqui, como no lançamento de disco, com Marivaldo Moreira e Alva Edilson Rita. Aliás, o que não falta são medalhas entre os atletas da Associação Corville de Atletismo, que oferece suporte aos competidores joinvilenses há mais de 30 anos.

Ádria Santos, grande nome do paradesporto nacional, acendeu a tocha olímpica durante a passagem do símbolo dos Jogos Olímpicos 2016 por Joinville – Foto: Luciano Moraes/Arquivo/NDÁdria Santos, grande nome do paradesporto nacional, acendeu a tocha olímpica durante a passagem do símbolo dos Jogos Olímpicos 2016 por Joinville – Foto: Luciano Moraes/Arquivo/ND

Joinville da tecnologia

Além das indústrias centenárias que fizeram de Joinville a Manchester catarinense, a cidade também tem sido berço para diversas startups do setor de tecnologia. Inovadoras, elas nascem pequenas, frutos da engenhosidade e da criatividade de poucas pessoas, até que se tornam gigantes nacionais.

Segundo o relatório Tech Report 2020, da Acate (Associação Catarinense de Tecnologia), Joinville tem 2,4 empresas de tecnologia para cada mil habitantes, o que a coloca como a 10ª cidade com maior densidade de empresas de tecnologia em todo o Brasil. Alavancado por Joinville, o Norte catarinense soma R$ 2,6 bilhões em faturamento, o que representa 14,8% do faturamento de todo o Estado.

O histórico como cidade industrial e o incentivo à inovação na cidade, com entidades como o Ágora Tech Park, parque tecnológico localizado no Perini Business Park, contribuem para que Joinville seja uma incubadora de projetos inovadores relacionados à tecnologia, mas que impactam, também, diversos outros segmentos.

Ágora Tech Park é um dos locais que estimulam a inovação em Joinville – Foto: Divulgação/NDÁgora Tech Park é um dos locais que estimulam a inovação em Joinville – Foto: Divulgação/ND

Joinville das artes

Joinville é a Cidade da Dança, um indicativo de que a arte e a cultura também são vocações da maior cidade de Santa Catarina. Por aqui, é realizado o maior festival de dança do mundo, com mais de três décadas de história, 270 mil espectadores e quase 10 mil inscritos ao longo de sua trajetória. Mas a dança não se resume ao festival: o município é o único a contar com uma sede da Escola do Teatro Bolshoi fora da Rússia, fundada em 2000.

Falar de arte em Joinville também é falar de Juarez Machado. O artista plástico é vencedor de vários prêmios e salões pelo país e pelo mundo, além de dar nome ao instituto que fortalece e promove a arte na cidade. Cidade, aliás, que é terra natal de Luiz Henrique Schwanke, Edson Machado, Eugênio Colin, Hamilton Machado e Moacir Moreira, além de ter acolhido outros artistas de renome nacional e internacional, como Fritz Alt e Mário Avancini.

Joinville também se destaca no teatro: por aqui, várias companhias, inclusive comunitárias, montam espetáculos que circulam pelo Estado e pelo país. Prova disso é a peça “Um inimigo do povo”, da Cia. Rústico Teatral, que venceu em três categorias no Festival Internacional de Uruguaiana — Cena Livre 2019: melhores coadjuvantes (Carol Spieker e Samuel Kühn) e melhor figurino (Mery Pretty), além de ser indicada para outras cinco categorias.

Festival de Dança de Joinville é considerado o maior do mundo pelo Guinness – Foto: Nilson Bastian/NDFestival de Dança de Joinville é considerado o maior do mundo pelo Guinness – Foto: Nilson Bastian/ND

Joinville de turismo versátil

De um lado, uma baía que encanta o olhar. De outro, uma serra que propicia aventura e aconchego. O turismo em Joinville é versátil não só porque a cidade possui características geográficas que a tornam plural, mas também porque conta com o empreendedorismo de várias pessoas. E não é só isso: além do turismo de passeio, o município ainda é conhecido por ser um ótimo destino para quem quer fazer turismo de negócios!

No maior pólo industrial de Santa Catarina, a realização de eventos de grande porte ganha espaço. A estrutura conta com aeroporto, hotéis e ambientes com capacidade para receber feiras, congressos, exposições, a exemplo da ExpoGestão, realizada em Joinville há mais de 15 anos.

No turismo rural, o que não falta são cachoeiras, rios e propriedades que oferecem aos turistas um pouco da experiência da vida no campo. Segundo o Joinville Cidade em Dados 2020, há 74 propriedades que servem como atração para o turismo ecorrural. Já no outro lado da cidade, o Barco Príncipe, a Porta do Mar e os diversos restaurantes de frutos do mar oportunizam aos visitantes uma bela experiência em meio à Baía Babitonga.

Dos negócios ao turismo rural: o que não faltam são opções em Joinville – Foto: Divulgação/NDDos negócios ao turismo rural: o que não faltam são opções em Joinville – Foto: Divulgação/ND

Joinville da economia diversificada

Não há como negar que é pelo êxito na indústria que a “Manchester catarinense” é mais reconhecida, chegando a ser o maior pólo industrial do Estado. Mas a economia de Joinville, terceira cidade mais rica do Sul, não se resume a esse setor: a agricultura, o comércio e a área de serviços também são destaques dessa cidade que tem uma economia diversificada.

Segundo o Joinville Cidade em Dados, em 2017, último período disponível no levantamento,  o maior percentual do PIB (Produto Interno Bruto) joinvilense vinha do setor de serviços, representando 43,34%. Em seguida, estava a indústria, com 26,83%, os impostos, com 19,20%, o serviço público, com 10,32% e a agricultura, com 0,32%.

Neste último setor, aliás, destaca-se a agricultura artesanal, na maioria das vezes realizada em família. Conforme o mesmo levantamento, em 2020 a cidade tinha 67 unidades envolvidas na agroindústria artesanal, gerando mais de 200 empregos diretos, a maioria deles ligados à panificação, produção de aipim e de melados e mousses.

Indústria é um dos setores de uma economia diversificada – Foto: DivulgaçãoIndústria é um dos setores de uma economia diversificada – Foto: Divulgação

Joinville do voluntariado

Se você mora em Joinville há muito tempo, é possível que já tenha participado de alguma das edições da Festa da Solidariedade, realizada pela Ajos (Associação Joinvilense das Obras Sociais). Ela foi criada em 1994 e, embora não exista mais atualmente, chegou a ser considerada o maior evento filantrópico do Sul do país, reunindo diversas associações em um dia especial para reverter renda às entidades que prestam serviços assistenciais na cidade.

Apesar de a festa não ser promovida há alguns anos, o espírito voluntário continua no coração de muitos joinvilenses. Prova disso são as diversas instituições que oferecem atendimento gratuito a vários grupos, como crianças e adolescentes, idosos, deficientes físicos, visuais e auditivos, pessoas com autismo ou síndrome de Down.

Mas além do trabalho nessas entidades, os joinvilenses também costumam acolher o próximo em outras situações. Quando algum desastre natural, como as enchentes, ocorre na cidade ou mesmo na região, não é raro ver pessoas se mobilizando para ajudar quem mais precisa. Tudo isso, é claro, na terra dos Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, primeira instituição do gênero em todo o país.

Os Bombeiros Voluntários de Joinville são exemplos do espírito voluntário da cidade – Foto: BVJ/DivulgaçãoOs Bombeiros Voluntários de Joinville são exemplos do espírito voluntário da cidade – Foto: BVJ/Divulgação

Joinville de vários sotaques

Não é de hoje que Joinville se destaca por acolher pessoas de vários lugares. Mesmo antes de ser, de fato, uma cidade, a área já recebia luso-brasileiros e negros escravizados vindos de diversas partes do Brasil e do mundo. Depois, chegaram os imigrantes germânicos em busca de uma vida melhor em solo brasileiro e, juntos, contribuíram para os primeiros passos da colonização.

Nas décadas de 1970 e 1980, o movimento de paranaenses e moradores do Sul de Santa Catarina até o município ajudou a impulsionar a indústria joinvilense e a oferecer melhores oportunidades a quem procurava emprego e uma vida mais digna. Já a partir de 2010, foi a vez de receber imigrantes haitianos em busca de vida nova depois do terremoto que atingiu o país já instável em relação à política e à economia. A instabilidade em seu país, aliás, também traz venezuelanos à cidade.

Joinville também tem visto nortistas e nordestinos chegarem à procura de mais qualidade de vida e empregos, como já notaram as empresas de recursos humanos, que em poucos dias preenchem as vagas nas indústrias com o trabalho dos novos migrantes. Acolher as pessoas é uma vocação de Joinville: basta ouvir os sotaques cearenses, paraenses, mineiros, cariocas, paulistas e muitos outros pelas ruas daqui.

Joinville é uma cidade construída, também, por migrantes – Foto: Carlos Jr/NDJoinville é uma cidade construída, também, por migrantes – Foto: Carlos Jr/ND

“Joinville diferenciada e acolhedora”

Para o prefeito Adriano Silva, que assumiu a administração de Joinville há pouco mais de dois meses, a cidade sempre foi acolhedora e isso, inclusive, impulsionou o crescimento dela.

“Joinville sempre acolheu pessoas de todas as origens e lugares. Isso começou com o processo de imigração que, desde o início, contemplou múltiplas nacionalidades. A característica empreendedora industrial desses imigrantes fez com que a cidade continuasse seguindo esse ciclo de oportunidades de trabalho e atração de profissionais das mais diferentes regiões do Estado e do país”, destaca.

E se hoje se pode dizer que Joinville tem várias vocações, também é por causa desses “joinvilenses”, sejam eles nascidos aqui, sejam vindos de outros lugares. “Ainda hoje, se você olhar o seu ciclo de amizades, boa parte das pessoas nasceram em outra cidade e são joinvilenses de coração. Esse processo todo contribuiu para uma Joinville diferenciada e acolhedora”, ressalta Adriano.

E você, é joinvilense daqui ou de outro lugar? 

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