Marcha em Florianópolis exige fim da violência contra população negra

Reivindicação de direitos, morte de homem negro no Carrefour e de adolescente no morro da Costeira levam manifestantes às ruas de Florianópolis neste sábado

As mortes de um adolescente negro de 12 anos em um tiroteio no morro da Costeira, em Florianópolis, no último dia 12 e o de João Alberto Silveira Freitas, espancado por dois seguranças do supermercado Carrefour, na zona norte de Porto Alegre (RS) nesta quinta-feira (19), motivam uma marcha em Florianópolis neste sábado (21).

Concentração teve início às 9h30, na Praça da Bandeira – Foto: Cíntia Mendonça/Divulgação/ND

Organizada pela Frejuna (Frente da Juventude Negra Anticapitalista), os manifestantes afirmam protestar contra a violência policial que atinge a população negra. Na ocasião da semana da Consciência Negra, reivindicam também por condições mais justas de existência.

A manifestação teve início às 9h30, com concentração na Praça da Bandeira. Depois a marcha seguiu até o Morro do Mocotó. Por volta das 12h os manifestantes percorriam as ruas do Centro.

“Queremos mostrar para a sociedade que precisamos mexes com as estruturas” afirma Luciana de Freitas Silveira, manifestante do movimento negro.

“É necessário se pensar o que se faz frente as mortes de pessoas negras em ações policiais”, ressalta a manifestante. Em 2018, os negros representam mais de 75% das pessoas mortas pela polícia no país, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado em 2019. Dentre as participantes da manifestação, estavam mães de jovens que morreram em ações policiais.

Racismo

Panfleto distribuído durante a marcha – Foto: Cíntia Mendonça/Divulgação/ND

A manifestação também lembrou de problemas enfrentados pela população negra, como a falta de acesso a direitos básicos, como moradia e emprego, assim como a necessidade de inclusão maior da população negra nas diferentes esferas sociais.

Os ataques racistas sofridos por Ana Lucia Martins, primeira vereadora negra em Joinville e eleita neste ano, também foi pauta da manifestação. “Os ataques à profa. Ana Lúcia logo após ser eleita primeira vereadora negra de Joinville mostram que por todos os lados tentam silenciar nossa luta” manifesta a Frejuna em um folder distribuído durante a marcha.

São necessárias políticas públicas e maior conscientização sobre os problemas enfrentados pela população negra, afirma Silveira. “Em pleno século 21 o racismo contínua o mesmo”.

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