Pai viaja mais de mil km de bicicleta para pagar promessa

Adalto de Freitas saiu de Campo Grande (MS) e encarou 11 dias de viagem para assistir a filha se formar na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil

O que faria uma pessoa pedalar mais de mil km de bicicleta, enfrentando sol, chuva, frio, calor e um tremendo desgaste físico durante 11 dias? Para Adalto de Freitas, a gratidão

Aos seis anos, a filha dele, Cecília Basseto, contraiu pneumonia. O quadro era grave e os médicos diziam que ela teria apenas 5% de chance de sobreviver. Mas apesar do susto, as poucas chances foram o suficiente para a pequena guerreira, que sobreviveu para dar sequência a um sonho de criança: se tornar bailarina.

Quando, em 2020, o desejo da filha virou realidade ao se formar na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, Adalto cumpriu o que havia prometido há mais de dez anos: viajou de bicicleta de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para Joinville, no Norte de Santa Catarina, até a única sede do Bolshoi fora da Rússia para ver a formatura da filha.

Adalto saiu de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, até Joinville, no Norte de Santa Catarina – Foto: Thiago Bonin/NDTVAdalto saiu de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, até Joinville, no Norte de Santa Catarina – Foto: Thiago Bonin/NDTV

Superação de Cecília

Até chegar à formatura, Cecília passou por oito anos de esforço e dedicação. Mas para quem já havia vencido uma grave infecção nos dois pulmões quando criança, este seria apenas mais um desafio a ser superado – não só por ela como por toda a família.

Quando ela começou as aulas em Joinville, os pais a acompanharam. Porém, depois de dois anos e meio sem emprego, Adalto retornou para o Mato Grosso do Sul e a mãe, Sílvia Basseto, seguiu com Cecília em Santa Catarina.

“A gente acaba se formando junto com o filho porque não é uma jornada fácil”, disse a mãe. “Lembro que a Cecília ganhou um passeio para um parque de diversão na escola e ela não foi porque era o dia da estreia do Quebra Nozes. O foco dela acabou motivando a gente também, porque eu sei que é isso que ela quer”, relembra Sílvia.

Formação de Cecília na Escola BolshoiCecília se formou em 2020 após oito anos de estudo – Foto: Bolshoi/Divulgação NDTV

Cecília sabia o que queria desde muito pequena. “Quando eu tinha de dois para três anos, estava assistindo a um DVD de balé e a bailarina dançava nas pontas. Olhei e disse que queria dançar balé”, conta a jovem.

Viagem desafiadora de bicicleta

Adalto percorreu exatos 1.280 km sob as duas rodas de uma bicicleta de 17 kg, com mais de 30 anos de história, feita de ferro. Ele carregou uma bagagem de 52 kg, equipada de barraca, rede, saco de dormir e ferramentas. Foram muitos desafios até chegar a Joinville, entre eles o calor, o maior adversário.

“Eu calculei mal a distância. O sol estava a mais de 45 °C. E a água que eu estava trazendo acabou aquecendo e eu tomei água quente, o que acabou me desgastando muito”, conta o pai de Cecília. No Paraná, o oposto. “Na serra de Mauá, a mais ou menos 13 °C, tinha muita, muita chuva e, no final do trecho, a bicicleta ainda furou o pneu e quebrou o eixo”, relembra.

Em meio à viagem, para superar todos os obstáculos que surgiam a cada nova estrada, Adalto lembrava do que já havia feito. Além da jornada sob duas rodas, o pai de Cecília parou de beber quando a filha superou o problema nos pulmões.

Depois, ainda criou um projeto social que ensina dança clássica a 560 alunos em Campo Grande. Cecília, claro, é a madrinha. “A palavra que eu uso para identificar esse trabalho é amor”, resume o pai.

A gratidão que moveu Adalto a sair de Mato Grosso do Sul de bicicleta até Joinville é vista também em Cecília. “(Ele é) mais do que um pai, é tudo pra mim”, diz a filha.

E o sonho realizado de Cecília tem tudo para levá-la a alçar voos ainda mais altos: ela foi contratada pela companhia jovem do Teatro Bolshoi e vai permanecer em Joinville. E embora os pais voltem a morar em Mato Grosso do Sul, a união da família em busca dos sonhos de Cecília continua.

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