PROTESTO: Familiares de detentos prometem acampar em frente ao Presídio de Joinville

Cerca de 50 pessoas iniciaram manifestação nesta segunda-feira (15)

Há quase um ano o Brasil e o mundo vivem uma pandemia e há quase um ano os familiares de detentos não conseguem visitar pais, filhos e companheiros que cumprem penas ou aguardam julgamento no Presídio Regional de Joinville, no Norte de Santa Catarina. Nesta segunda-feira (15), mais de 50 pessoas iniciaram uma manifestação que só deve acabar quando as reivindicações forem atendidas. É o que promete o grupo responsável pela organização do protesto.

Familiares protestaram na rua do presídio na tarde desta segunda-feira (15) – Foto: Gladionor Ramos/NDTvFamiliares protestaram na rua do presídio na tarde desta segunda-feira (15) – Foto: Gladionor Ramos/NDTv

Sem se identificar por medo de represália ao familiar que está preso, uma das organizadoras afirma que o grupo ficará acampado na frente do presídio até que os pedidos mais emergenciais sejam atendidos: a volta das visitas e um plano de vacinação para os detentos. “O início da manifestação foi hoje e só vai encerrar quando formos atendidas. Vamos continuar aqui acampadas. Queremos a visita e um plano de vacina”, fala.

O grupo organizou, ainda, um documento com a pauta das reivindicações que trata, ainda, de supostas transferências indevidas, da falta de produtos de higiene, limpeza e vestuário, e de um surto de sarna que, de acordo com os familiares, está acontecendo na unidade prisional.

“Não abrimos mão do retorno das visitas, tudo está funcionando aqui fora e não podemos visitá-los? Sabe quando você cansa de tentar o diálogo, nós não conseguimos diálogo nunca. É humilhação em cima de humilhação. Tem lei que proíbe agressão física, verbal e psicológica e eles sofrem isso diariamente”, afirma.

As famílias devem continuar no local até que tenham uma resposta de Deap (Departamento de Administração Prisional), reforça. “Direitos humanos onde? Eles passam 14 dias com a mesma roupa. Nós pagávamos produto de higiene, limpeza, parte de alimentação para que eles não dormissem com fome”, finaliza.

O que diz o Estado

A SAP (Secretaria de Administração Prisional e Socioeducativa) se manifestou por meio de nota oficial alegando que a evolução da pandemia no estado não permite a flexibilização das regras que definem o conceito de muralha sanitária em torno das unidades prisionais. Segundo a secretaria, atualmente são 32 casos ativos entre internos, servidores, funcionários e prestadores de serviços nas unidades prisionais de Santa Catarina.

Familiares garantem que acampamento continuará até que reivindicações sejam atendidas – Foto: Gladionor Ramos/NDTVFamiliares garantem que acampamento continuará até que reivindicações sejam atendidas – Foto: Gladionor Ramos/NDTV

“Independente da data, o importante é que todos os internos serão imunizados, assim como já ocorre com a vacinação contra a gripe, febre amarela, sarampo, tuberculose entre outras. O período será definido pelo Plano Nacional de Imunização do Governo Federal”, afirmou a secretaria sobre a vacinação.

A SAP ressalta, ainda, que tem disponibilizado toda a estrutura para a comunicação entre internos e familiares. “Ao todo já foram realizadas 107.502 mil visitas virtuais e 109.240 e-mails trocados entre internos e familiares”, argumenta.

Além disso, a secretaria afirma que todos os internos recebem kits de higiene individual. “A SAP respeita e defende o direito constitucional de livre manifestação, reitera a sua compreensão pela situação dos familiares, mas segue firme no seu propósito de preservar vidas”, finaliza.

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