Aos nove anos, Bruno Napoleão Medeiros é apaixonado por cinema e coleciona filmes clássicos

Filho de Sérgio Medeiros e Dirce Waltrick, Bruno cresceu cercado de cultura se tornou fissurado por filmes antigos

Janine Turco

Bruno já teve participação no documentário “Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz” como ator, mas sonha ser diretor de cinema

Bruno Napoleão Medeiros tem dezenas de bonecos, gosta de jogar videogame e brincar com os amigos. Mas, aos nove anos, em vez de pilhas de gibis ou uma coleção de carrinhos, as prateleiras do seu quarto são cobertas de DVDs de clássicos do cinema. Filho de Sérgio Medeiros e Dirce Waltrick, ele assistiu “Nosferatu” pela primeira vez aos quatro anos e desde então é fissurado por cinema. Como qualquer criança, ele tem fases: uma hora o favorito é o expressionismo alemão, outra hora é o cinema japonês.

O gosto pela sétima arte é algo que veio dos pais, mas que já superou o alcance deles. “Quando eu vou dar aula, às vezes pergunto ‘Bruno Napoleão, você tem algum filme do Becket?’”, conta Dirce, que é professora no curso de Artes Cênicas da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Bruno também não hesita em corrigir e discutir com o pai, tradutor, poeta e por duas vezes finalista do prêmio Jabuti.

Fluente em inglês, Bruno lê livros e pesquisa na internet sobre os filmes que adiciona à sua coleção, que já tem quase mil exemplares segundo Dirce. As prateleiras mais altas do quarto estão cheias de DVDs da Disney, que ele insiste para a mãe doar — são os filmes que ele via quando tinha um ano. Entre as possessões mais valiosas estão diversos boxes com obras de Ingmar Bergman e a coleção de Carl Theodor Dreyer, seu diretor favorito, que inclui uma edição importada de “Vampyr”, de 1932.

Embora goste de alguns filmes atuais, como “Meia-noite em Paris”, de Woody Allen, que assistiu três vezes, a paixão de Bruno é pelos clássicos. “Eles são mais interessantes, você pode ver como o cinema era antigamente”. E ele não é impressionável, tem opinião própria sobre o que vê. Em uma conversa com a professora de cinema Cléia Mello, da UFSC, ele foi convidado para ir falar com os alunos dela sobre Godard, mas recusou. “Não gosto de Godard”, diz.

Participação no cinema

Embora queira ser diretor, em dezembro de 2010 Bruno atuou no documentário “Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz”, de Joel Pizzini, que ganhou dois prêmios no festival É Tudo Verdade. Segundo Dirce, Bruno foi indicado para o diretor por Helena Ignez, mulher do falecido Sganzerla e sogra de Pizzini, que conversou sobre cinema com o menino em uma ocasião.

Bruno interpreta Rogério Sganzerla e Orson Welles como crianças, em cenas que foram gravadas durante dois dias em Joaçaba. Além de uma estação de rádio empoeirada e quente, uma das locações que o marcou foi a casa onde Sganzerla viveu. “Ela era pequena e bem velha, parece que foi feita em 1954. O portão era enferrujado e dava medo”, conta ele, que diz ter tido alucinações no set, como nos filmes de terror que são os seus favoritos.

Bruno não se lembra de todos os detalhes da gravação, mas narra a cena em que grita o nome do filme para fora da janela do carro de Sganzerla. O pensamento dele é de que deve ter incomodado os vizinhos com o barulho. “Cada vez que o diretor dizia ‘corta’ mais uma vez eu tinha que buzinar e gritar “Mr. Sganzerla!”

Experimentações com a câmera

A facilidade do vídeo permite que Bruno faça seus próprios filmes desde já. Com o iPad que ganhou há aproximadamente um ano, ele cria histórias com os amigos, em que os personagens são seus bonecos da série britânica Monty Python e outros brinquedos. Um aplicativo permite que ele adicione créditos, faça efeitos de câmera e coloque músicas de fundo. Influenciado pelos filmes de terror e de comédia pastelão, seus gêneros preferidos, Bruno cria os roteiros em que os personagens geralmente acabam caindo de grandes alturas e morrendo.

Em sua escola antiga, os colegas achavam estranho seu gosto por filmes preto e branco. Agora, na EIF (Escola Internacional de Florianópolis), ele “doutrinou” os amigos, segundo a mãe. O amigo Isaac é o grande companheiro em suas empreitadas, e passou o verão inteiro com ele fazendo filmes. Nem o gato da avó escapa da câmera e das brincadeiras dos dois.

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