Estreia nos cinemas “Frankenstein: Anjos e Demônios”

Com uma alta dose de efeitos especiais e lutas marciais travadas por um Frankenstein chamado Adam, com força e velocidade descomunais, o filme tem um roteiro fraco e atores bons vivendo personagens pouco coerentes

Divulgação/ND

Filme com Aaron Eckhart também está disponível em 3D

Estreia nesta sexta, 24 de janeiro, no Brasil e nos Estados Unidos “Frankenstein: Entre Anjos e Demônios”. É um filme fadado a fazer sucesso apenas entre os adolescentes. Com uma alta dose de efeitos especiais e lutas marciais travadas por um Frankenstein chamado Adam, com força e velocidade descomunais, o filme tem um roteiro fraco e atores bons vivendo personagens pouco coerentes.

O roteiro explora a história original, criada por Mary Shelley e publicada em 1818, nos primeiros 10 minutos de filme. Depois disso, o roteiro se envereda pela vida que Frankentein leva depois da morte de seu criador, protegido pela Ordem de Gárgulas e perseguido por demônios que têm como grande ambição descobrir como foi criado Frankenstein para criar um exército de zumbis incorporados por seres das trevas.

Frankenstein se torna um ermitão solitário, que não se interessa em nada pela humanidade e que só se preocupa com sua própria vida. Esse talvez seja o único paralelo interessante traçado pelo filme: o perfil de Frankenstein se parece em muito com o da geração Y, narcisista, egoísta, com pouca ou nenhuma intenção ou esperança de melhorar o mundo em que vivemos.

Infelizmente, com a necessidade de criar uma história no formato padrão dos romances noir (mocinho anti-herói e perturbado se envolve com loira bonitona e tenta desvendar uma trama terrível), o filme cai em situações previsíveis. A atmosfera sombria é tão intensa que fica forçada. Não faz sentido a melhor neurologista do mundo morar num quartinho esquisito, escuro e caindo aos pedaços enquanto realiza pesquisas de ponta no seu trabalho para o Príncipe dos Demônios sobre reanimação de mortos. Tudo bem que a crise econômica nos Estados unidos foi grave, mas neurologista vivendo em um moquifo, onde guarda material para sutura e agulhas no armário do banheiro é demais. É um desperdício ver Yvonne Strahovski vivendo essa neurolista/loira fatal. E um desperdício também do potencial de Aaron Eckhart, inesquecível no papel de Duas-Caras em “Batman – Cavalheiro das Trevas”.

Há alguns dias, quando saíram os indicados para o Oscar, a Folha de S. Paulo declarou sua esperança de que, com essa leva de filmes, o cinema se recupere e supere a boa fase que a TV vive nos últimos tempos. Isso não vale para Yvonne, que já viveu uma loira fatal no seriado “Chuck”, com muito mais humor, e foi uma das assassinas mais interessantes de “Dexter”. A TV foi muito mais generosa com ele do que o cinema.

Está previsto para 2015 o lançamento de mais um filme sobre Frankenstein, dessa vez com Daniel Radcliffe (que se tornou famoso como o bruxo Harry Potter) como protagonista. Impressionante como Hollywood se apega em um personagem e insiste até a gente dizer chega. Primeiros os vampiros, lobisomens, zumbis e tudo que é herói das histórias em quadrinhos. Agora, Frankenstein. 

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