Biometria na Arena da Baixada completa um ano e vira referência

Para coibir e inibir a violência, o Atlético-PR agiu por conta própria, investiu em infraestrutura e colocou em prática serviço pioneiro no Brasil: a biometria

Nesta segunda-feira, o modelo completa um ano desde que foi executado pela primeira vez (Foto: Divulgação)
Nesta segunda-feira, o modelo completa um ano desde que foi executado pela primeira vez (Foto: Divulgação)

Muitos são os casos de violência nos estádios brasileiros, dentro e fora deles, e poucas são as ações que têm contribuído para combater o vandalismo e outras práticas ilícitas. Para coibir e inibir cada vez mais esse avanço, o Atlético-PR agiu por conta própria, investiu em infraestrutura e colocou em prática na Arena da Baixada um serviço único e pioneiro no Brasil: a biometria.

Nesta segunda-feira, dia 10, o modelo completa exatamente um ano de funcionamento, desde que foi executado pela primeira vez em um clássico contra o Coritiba, em 10 de setembro de 2017, pelo Campeonato Brasileiro.

Desta maneira, o Atlético-PR se tornou o primeiro clube do Brasil a adotar biometria em 100% do estádio, incluindo o setor de visitantes. Desde então, o sistema sempre funcionou sem filas, tumulto ou qualquer tipo de problema, sendo considerada um sucesso pelo público, clube e autoridades.

– O principal objetivo foi acabar com a impunidade, causa maior da violência. Somos um clube inovador, com uma filosofia de quebra de paradigmas, e foram anos de estudo antes de colocarmos em prática a biometria. O mais difícil foi quebrar essa cultura de que tudo é fácil no futebol, de que tudo pode. Com esse sistema, conseguimos provar que era possível mudar – explicou o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Mário Celso Petraglia.

Para se ter uma ideia do tamanho de tudo isso, são mais de 90 catracas fixas em todas as entradas, com leitores de códigos de barras e códigos 2D para liberação de ingressos vendidos online ou presencial. Além disso, o controle é híbrido, ou seja, combina estrutura de processamento local com comunicação em nuvem.

– Os índices de ocorrência diminuíram drasticamente, muito em razão da agilidade de identificação por parte do clube. Vale ressaltar que boa parte da nossa estrutura física e de tecnologia da informação é feito 100% pelo Atlético-PR. O investimento em torno de todo o estádio foi pequeno, de poucas adequações ao sistema, pois sempre estamos em evolução constante – afirmou o coordenador de segurança do clube, Ronildo Finger Barbosa.

Desde então, foram 36 jogos realizados na Arena da Baixada, com aproximadamente 400 mil torcedores presentes neste período e um total de 13 pessoas presas com mandado de busca ou apreensão, detectadas exatamente em razão do sistema biométrico.

Parte desse sucesso também tem a ver com um processo que avançou rapidamente: a diretoria atleticana conseguiu firmar um convênio com o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), Secretaria de Segurança Pública (SESP), Instituto de Identificação do Paraná, DETRAN-PR e CELEPAR, fazendo com que todo o sistema do clube esteja interligado às catracas dos estádios ou locais de shows aos bancos de dados do DETRAN-PR e do Instituto de Identificação.

No momento em que o espectador colocar sua digital no leitor biométrico, um conjunto de códigos vai informar se a pessoa é a titular do cartão ou ingresso e também se há contra ela mandado de prisão em aberto ou restrição para entrada no estádio, devido a alguma pena no âmbito do programa Justiça ao Torcedor.

– A Arena tem capacidade para cerca de 40 mil pessoas e todos precisam ter cadastro biométrico. Para melhorar a demanda e ter mais agilidade na entrada, aumentamos em 30% o número de catracas e redefinimos os acessos – acrescentou Ronildo.

Além de conseguir identificar com mais ímpeto e rapidez as infrações que são cometidas nas dependências da arena e torcedores que não possam frequentar estádios, por meio de punições estabelecidas pela justiça previamente, o Atlético-PR automaticamente anulou a existência de cambistas no entorno de sua arena.

Referência nacional

Para se ter uma ideia do alcance atingido pela biometria no Atlético-PR, o clube tornou-se referência ao ser procurado por diferentes representantes de outras agremiações e arenas ao longo destes 365 dias que se passaram, como Palmeiras, Corinthians, Internacional, Grêmio, Cruzeiro, Peñarol-URU, River Plate-ARG, Cerro Porteño-PAR, além de representantes de Arenas como o Allianz Parque, Arena Corinthians, Minas Arena, Beira Rio, Arena Pantanal, entre outras, terem ido conhecer in loco o sistema.

No final do ano passado, foi a vez de todas as autoridades do Rio de Janeiro vivenciarem essa experiência. Estavam presentes membros da Ferj, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal, STJD e Secretaria de Segurança do estado do RJ. Após aquele escandalo da violência no jogo entre Flamengo x Independiente, em dezembro, pela Sul-Americana, as autoridades cariocas se propuseram a encontrar alguma solução que minimizasse esses fatos, e foram buscar no CAP essa alternativa.

Mais recentemente, durante o mês de agosto deste ano, Promotores de Justiça de todo o Brasil estiveram em Curitiba e conheceram em detalhes o sistema de identificação biométrica e a operação de segurança do estádio do Atlético Paranaense. Integrantes da Comissão Permanente de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios, eles fizeram uma série de reuniões e visitas técnicas na capital paranaense. Instituída pelo Conselho Nacional de Procuradores Gerais, a comissão tem o objetivo de buscar soluções para combater a violência nos estádios de forma preventiva. O grupo se reúne quatro vezes ao ano e decidiu visitar Curitiba para conhecer o projeto pioneiro implantado pelo Atlético Paranaense, em parceria com o Poder Judiciário do Paraná.

Especialistas em gestão esportiva avaliam a instalação biométrica como o primeiro passo na implementação de medidas combativas à violência. Mauro Corrêa, sócio-diretor da CSM Golden Goal, empresa especializada em gestão e marketing esportivo, tendo atuado em diferentes serviços nos 12 estádios da Copa do Mundo e também Jogos Olímpicos, explicou sua avaliação.

– A biometria é o primeiro passo, é um avanço sob aspecto de segurança, fornecimento de dados para inteligência, avanço tecnológico. Mas, a médio prazo, poderemos ter a realização do check-in por outras formas digitais, como o reconhecimento facial – aponta Corrêa.

– Não nos resta dúvida de que essa iniciativa veio pra ficar, pois prova que tecnologia e o preparo de todas as partes envolvidas trazem um caminho de segurança. E a biometria vai além, pois além de todos os benefícios trazidos ao nosso público, também ajuda as autoridades do Paraná, e porque não do restante do Brasil, a encontrar pessoas que estejam foragidas da Justiça – completou o coordenador de segurança do CAP, Ronildo Barbosa.

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