História de cinema

Volante Mavuba, que não tinha pátria, vai defender a França na Copa

Até os 20 anos de idade, o volante Rio Mavuba, do Lille, não tinha pátria. Seus pais, um congolês e uma angolana, fugiram da guerra civil na África para se refugiarem na França. Grávida, a mãe do jogador, que morreu dois anos depois (em 1986), deu a luz no navio que levava a família para Marselha. Nascido no mar, como constava nos seus documentos, Mavuba foi “adotado” pela França em 2004. Convidado para atuar pela seleção do Congo (antigo Zaire), onde seu pai, Ricky Mavuba, conquistou a Copa Africana de Nações em 1974, o volante recusou e logo foi convocado para a equipe sub-21 do país europeu. 
Atuando pelo Bordeaux, Mavuba teve a sua história divulgada nos quatro cantos do mundo, e não demorou a adquirir a cidadania francesa. Regularizado, o volante foi convocado para a seleção principal no mesmo ano. “Eu estava irritado, mas toda a cobertura da mídia sobre o meu passado acelerou o meu caso. Agora, eu sou como todo mundo. Perdi um pouco da minha diferença, minha singularidade, mas o meu passado segue como parte de mim”, declarou Mavuba.
Em 2007, o atleta acertou com o Villareal, mas não se adaptou ao futebol espanhol e foi emprestado para o Lille, clube em que está até hoje. Volante com privilegiado porte físico, Mavuba se destaca pela força e liderança. Em 433 partidas na carreira só foi expulso uma vez. Capitão do time, o volante foi campeão da Ligue 1 e da Copa da França na temporada 2010/2011, também ficou conhecido por ter enfrentado o sueco Ibrahimovic, em Paris. Empurrado pelo atacante, Mavuba, que é muito mais baixo (1,71 m contra 1,95 m), reagiu e colocou a mão no rosto do astro, que caiu no gramado. O jogo terminou em 2 a 2, com gol de Mavuba, um dos sete que marcou em dez anos.

Benfeitor
Após todo o sofrimento que passou com os seus 11 irmãos na França, Mavuba, que também perdeu o pai aos 12 anos, tem um trabalho social fora dos gramados, um pouco para agradecer o que o futebol lhe deu. Um dos salários mais altos (R$ 560 mil) do Lille, o volante mantém um orfanato no Congo chamado “Les Orphelins de Makala”, que cuida de 30 crianças em um prédio onde o próprio pai do atleta viveu na infância. “Minha prioridade é ajudar os outros”, afirmou Mavuba em entrevista à Fifa, comovido pela situação das crianças. “Você cresce mais rápido e tem um senso de responsabilidade mais cedo”, completou o volante, que disputou a repescagem contra a Ucrânia e deve ser um dos 23 atletas convocados por Didier Deschamps para a Copa do Mundo no Brasil.

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